Contas estão sob controle, mas juros e amortizações consomem 42% do orçamento. Queda da Selic é central para governo equilibrar contas e ampliar investimentos
O governo Lula encerrou o ano de 2025 com o cumprimento das metas estabelecidas pelo Novo Arcabouço Fiscal. Dados divulgados pelo Tesouro Nacional nesta quinta-feira (29) mostram que o Governo Central registrou um déficit primário ajustado de R$ 13 bilhões, equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB). O resultado posiciona as contas públicas dentro da margem de tolerância prevista, que é de 0,25% do PIB, para mais ou para menos.
Apesar do equilíbrio no resultado primário — que mede a diferença entre o que o governo arrecada e o que gasta, sem contar os juros —, o balanço final aponta uma forte pressão do custo financeiro sobre o Orçamento da União. Em 2025, as receitas líquidas cresceram 2,8% em termos reais, totalizando R$ 2,33 trilhões, mas o peso da dívida limitou a capacidade de novos investimentos.
O impacto dos juros no Orçamento
Ao longo de 2025, o Brasil destinou R$ 2,1 trilhões para o pagamento de juros e amortização da dívida pública. Esse valor corresponde a 42,24% do orçamento executado pela União. De acordo com o Tesouro, apenas os juros apropriados no período somaram R$ 879,9 bilhões, reflexo da manutenção da taxa Selic em patamares elevados.
Especialistas indicam que a política monetária atual gera um efeito de compressão sobre os gastos públicos. Enquanto o Executivo realiza contingenciamentos em despesas operacionais, saúde e educação para cumprir as metas primárias, o custo da dívida cresce em ritmo acelerado. Estimativas mostram que cada variação de um ponto percentual na taxa Selic impacta o custo da dívida em cerca de R$ 50 bilhões anuais, valor superior a muitos cortes orçamentários realizados nos ministérios.
Comparativo internacional e indicadores fiscais
Diferente das projeções mais pessimistas do mercado financeiro, os indicadores de solvência do Brasil apresentam fundamentos sólidos quando comparados aos de economias do G7. Países como Estados Unidos, França e Japão encerram ciclos com déficits nominais e relações dívida/PIB proporcionalmente superiores à brasileira, enquanto o Brasil mantém arrecadação em alta e controle das despesas primárias.
A análise técnica sugere que o principal entrave fiscal não reside no volume de gastos públicos, mas no custo do refinanciamento da dívida. Uma simulação econômica aponta que, caso a taxa Selic retornasse ao patamar de um dígito (9%), o esforço fiscal necessário para estabilizar a relação dívida/PIB cairia de 6,4% para 1,8% do PIB.
Projeções para a estabilidade da dívida
A redução dos juros permitiria ao país entrar em um ciclo de sustentabilidade fiscal mais exequível. Com a Selic menor, o gasto anual com a dívida poderia recuar para a faixa de R$ 550 bilhões, liberando espaço orçamentário para investimentos em infraestrutura e serviços públicos.
O resultado de 2025 confirma a execução da política fiscal dentro das regras vigentes. Contudo, a trajetória de redução da Dívida Bruta (que encerrou o ano em R$ 8,63 trilhões) segue dependente da convergência entre os gastos responsáveis do Executivo e uma política monetária que favoreça o financiamento do desenvolvimento nacional.
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