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Trump decreta emergência e cria tarifas contra quem vender petróleo a Cuba

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Medida amplia pressão energética sobre a ilha em meio à queda nas importações; governo cubano acusa Washington de tentar asfixiar sua economia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quinta-feira (29) “emergência nacional” contra Cuba e criou um sistema de tarifas para punir países que vendam ou forneçam petróleo à ilha, ampliando a pressão sobre Havana em um momento de forte crise no abastecimento de energia.

A medida formaliza a estratégia anunciada pelo próprio presidente norte-americano de interromper o fluxo de petróleo enquanto Cuba já enfrenta apagões quase diários e escassez de combustível em diversas províncias.

A Casa Branca sustenta que Cuba representa “uma ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos” e associa o governo cubano a “numerosos países hostis, grupos terroristas transnacionais e atores malignos adversos aos Estados Unidos, incluindo o Governo da Federação Russa (Rússia), a República Popular da China (RPC)”.

A ordem executiva de Trump autoriza a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos importados de qualquer país que, “direta ou indiretamente”, venda ou forneça petróleo bruto ou derivados a Cuba. O texto não fixa percentual automático. O processo será definido caso a caso.

Segundo o documento da Casa Branca, caberá ao secretário de Comércio caçar países que estão fornecendo petróleo à ilha. Em seguida, o secretário de Estado decidirá se aplica a tarifa e em qual percentual. A palavra final será do presidente. 

O documento também prevê que as medidas poderão ser modificadas ou suspensas caso Cuba ou os países afetados “adotem medidas significativas” para se alinhar aos “objetivos de segurança nacional e política externa dos Estados Unidos”.

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que a medida busca “asfixiar a economia cubana impondo tarifas a países que soberanamente comercializam petróleo com Cuba”. 

“Sob um pretexto mentiroso e vazio de argumentos, vendido por aqueles que fazem política e enriquecem às custas do sofrimento do nosso povo, o presidente Trump pretende asfixiar a economia cubana”, escreveu em sua rede social.

“Por acaso não diziam o secretário de Estado e seus arlequins que o bloqueio não existia? Onde estão aqueles que insistem com suas falsas versões de que se trata de um simples ‘embargo no comércio bilateral’?”, questionou.

Díaz-Canel acrescentou que a nova medida “reflete a natureza fascista, criminosa e genocida de um grupinho que sequestrou os interesses do povo norte-americano para fins puramente pessoais”.

O chanceler Bruno Rodríguez afirmou que Washington “agora se propõe a impor um bloqueio total aos fornecimentos de combustível ao nosso país” e que a decisão se apoia “em uma longa lista de mentiras que pretendem apresentar Cuba como uma ameaça que não é”.

A nova ofensiva ocorre semanas após o sequestro, em 3 de janeiro, do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de Cilia Flores por forças norte-americanas. Desde então, os envios de petróleo da Venezuela para Cuba foram interrompidos. Caracas era um dos principais fornecedores da ilha.

O México, que passou a ocupar posição central no abastecimento, também se tornou alvo de pressão. A presidente Claudia Sheinbaum classificou o envio de petróleo como “uma decisão soberana”, mas carregamentos previstos para este mês foram reduzidos ou suspensos.

Uma consultoria escutada pelo jornal Financial Times, a Kpler, afirma que Cuba recebeu neste ano apenas 84.900 barris em um único carregamento mexicano em 9 de janeiro — o equivalente a cerca de 3 mil barris por dia. 

Em 2025, a média de importações era de 37 mil barris diários. Com estoques estimados em 460 mil barris no início do ano, a autonomia projetada é de 15 a 20 dias sem novas entregas.

A escassez já afeta a geração elétrica. Apagões prolongados tornaram-se frequentes. Há filas nos postos de combustível. Falta óleo combustível para usinas termelétricas. A crise energética atinge a produção industrial, o transporte e serviços básicos em um contexto de retração prolongada do PIB.

A atual ofensiva amplia a política de “pressão máxima” aplicada no primeiro mandato de Trump, quando sanções adicionais foram impostas à ilha. Desta vez, o foco desloca-se para o abastecimento energético, atingindo diretamente os países que mantêm relações comerciais com Havana.

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Jeová Rodrigues

Jornalista

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