Casa Política Congresso Com derrota na PEC da Blindagem, oposição concentra esforços na anistia
Congresso

Com derrota na PEC da Blindagem, oposição concentra esforços na anistia

Compartilhar
Compartilhar

A oposição no Congresso Nacional sofreu uma derrota significativa nesta semana ao não conseguir avançar com a chamada “PEC da Blindagem”, proposta para ampliar as prerrogativas parlamentares e limitar a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) contra deputados e senadores. A movimentação consolidou a vitória do governo, que contou com a articulação do Centrão para barrar a iniciativa, e deixou expostas fragilidades na estratégia oposicionista.

Apesar do revés, a oposição chegou a emplacar uma vitória simbólica na mesma semana, ao eleger o senador Carlos Viana (Podemos-MG) presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que apura desvios no INSS. A eleição foi feita em votação secreta, contrariando a indicação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que havia lançado o senador Omar Aziz (PSD-AM) para o posto com apoio do Palácio do Planalto. O resultado — 17 votos a 14 — foi interpretado como um recado da oposição de que mantém articulação ativa mesmo diante da agenda travada no plenário.

A PEC da Blindagem, relatada por Lafayette de Andrada (Republicanos-MG), previa que investigações contra parlamentares só poderiam avançar mediante autorização do Legislativo e restringia prisões a casos de crimes inafiançáveis, como racismo ou tráfico de drogas. Apesar do empenho inicial do PL, maior bancada da Câmara, o partido recuou após desgaste nas redes sociais e críticas da imprensa.

O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), admitiu a mudança de rota: “Se algum outro partido quiser levar o tema adiante, vamos ser coadjuvantes. Não vou ficar me sacrificando em detrimento de alguns que não querem. Esse é um benefício para todos, mas muitos preferem acovardar-se”, afirmou em entrevista à GloboNews na última quinta-feira.

Anistia

Sem a blindagem, a aposta da oposição agora é concentrar esforços na anistia aos condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. A movimentação ocorre às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no STF, marcado para começar amanhã.

Na avaliação de governistas, trata-se de uma “manobra desesperada”. O deputado Reginaldo Veras (PV-DF) foi direto: “A extrema-direita não tem pauta para o país, só insiste nessa história de anistia. O ex-presidente será julgado e certamente será preso. As provas são irrefutáveis”. Para ele, a PEC da Blindagem era apenas um instrumento para abrir espaço a uma agenda de impunidade: “Imagina eu, criminoso, só poder ser investigado se eu mesmo autorizar. A lógica era essa”, disse em entrevista ao Correio.

A deputada Maria do Rosário (PT-RS) também avalia que a derrota da blindagem freou as tentativas de criar um ambiente de proteção para parlamentares alinhados a Bolsonaro: “Era uma proposta casuística, que isolava o Congresso da sociedade. […] Se fosse aprovada, criaria uma aura de impunidade para parlamentares envolvidos até no motim que ocupou a Mesa da Câmara. Felizmente não prosperou”, afirmou.

O episódio da ocupação da Mesa Diretora da Câmara, liderada por parlamentares bolsonaristas após a prisão domiciliar de Bolsonaro, deixou o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), numa posição delicada. Inicialmente visto nos bastidores como “fragilizado”, ele tenta agora recompor sua autoridade diante do Planalto e da oposição.

Veras acredita que o parlamentar aprendeu com o episódio: “Num primeiro momento, ele mostrou fragilidade, mas depois firmeza. Se abrir a sessão para essas pautas, corre o risco de ser presidente apenas no nome, sem comando real”, disse.

Na visão da oposição, porém, Motta estaria cedendo a pressões externas. O deputado Alberto Fraga (PL-DF) avaliou ao Correio a postura do presidente da Câmara: “Na minha opinião, ele está sendo chantageado pelo governo. (…) A pauta das prerrogativas reforça apenas o que já está na Constituição, mas o STF vem ignorando. Essa PEC é necessária”.

Desgaste

Enquanto a base governista vê a derrota da blindagem como definitiva, a oposição insiste que o tema pode voltar. Fraga sustenta que a PEC das prerrogativas ainda pode prosperar. “Eu acredito que o Hugo vai colocar em pauta. A do foro é mais difícil, mas a das prerrogativas precisa avançar”, declarou.

Maria do Rosário, por sua vez, avalia que a resistência da sociedade tornou o retorno improvável: “Na medida em que não conseguiram pautar naquele dia, dificilmente voltará. Agora o foco será o julgamento do Bolsonaro”.

Nos bastidores, analistas também veem desgaste tanto para Motta quanto para a oposição. Rudá Ricci, sociólogo e cientista político da Universidade Estadual de Campina Grande, diz que a blindagem era tratada como parte de um percurso até o benefício ao ex-presidente: “A extrema-direita via na PEC uma trilha para chegar à anistia. (…) Com o adiamento, eles foram obrigados a se expor e propor diretamente a anistia, o que aumenta o desgaste político”.

Ricci também aponta a dificuldade de Motta em se firmar: “Ele oscila entre dar sinais ao governo e à oposição. Isso revela perda de autoridade. No fim, quem mantém ascendência real sobre a Câmara é Arthur Lira (PP-AL), não Hugo Motta”.

Com informações do Correio Braziliense

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…

  • Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…

  • Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…

  • Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…

  • Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…

  • EUA visam facções criminosas e colocam Brasil sob pressão externa

    EUA visam facções criminosas e colocam Brasil sob pressão externa

    Especialistas apontam que enquadramento legal, apesar de ser prerrogativa de Washington, pode violar a soberania brasileira, prejudicar mercado financeiro e criar coerção para que governo entregue “troféus” A possibilidade de o governo dos Estados Unidos classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode colocar o Brasil diante…

  • Imposto de Renda 2026: entrega da declaração começa em 23 de março. Veja regras

    Imposto de Renda 2026: entrega da declaração começa em 23 de março. Veja regras

    Contribuintes com rendimentos acima de R$ 35 mil devem declarar; atraso pode gerar multa de até 20% A Receita Federal publicou nesta segunda-feira(16), no Diário Oficial da União, as normas para a Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (DIRPF) de 2026, referente ao ano-calendário de 2025. O prazo para envio da declaração começa em 23 de março e segue até as 23h59min59s do dia 29 de maio. Devem apresentar a declaração os contribuintes residentes no Brasil que receberam rendimentos tributáveis superiores a R$ 35.584 em 2025. Também estão obrigadas as pessoas que tiveram rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte acima de R$ 200 mil. A obrigatoriedade inclui ainda quem tinha, em 31 de dezembro do ano passado, bens e direitos com valor total superior a R$ 800 mil. No caso da atividade rural, devem declarar os contribuintes que registraram receita bruta superior a R$ 177.920. Já os investidores precisam prestar contas à Receita Federal quando realizaram operações em bolsas de valores cuja soma ultrapassou R$ 40 mil ou quando tiveram ganhos líquidos sujeitos à tributação. A declaração poderá ser preenchida pelo Programa Gerador da Declaração (PGD) ou pelo serviço “Meu Imposto de Renda”, disponível pela internet e em aplicativo para dispositivos móveis. O acesso aos serviços digitais exige conta gov.br com nível de segurança Prata ou Ouro. Na hora de preencher a declaração, o contribuinte poderá optar pelo desconto simplificado, que substitui as deduções legais por um abatimento de 20% sobre os rendimentos tributáveis, limitado a R$ 16.754,34. A versão pré-preenchida da declaração estará disponível para os contribuintes no início do prazo de entrega. Para utilizar essa opção, é necessário ter uma conta gov.br com nível de Identidade Digital Prata ou Ouro. O uso desse modelo também garante prioridade no recebimento da restituição. Nesse caso, o contribuinte passa a ter preferência nos primeiros lotes de pagamento, logo após os grupos que já tenham prioridade legal. As restituições do Imposto de Renda serão pagas em quatro lotes neste ano. O primeiro será liberado em 29 de maio, data que coincide com o fim do prazo de entrega da declaração. Os demais pagamentos estão previstos para 30 de junho, 31 de julho e 28 de agosto. Caso haja imposto a pagar, o valor poderá ser dividido em até oito parcelas mensais, desde que cada uma seja de, no mínimo, R$ 50. A primeira parcela — ou o pagamento em cota única — deve ser feito até 29 de maio. Para utilizar o débito automático desde a primeira parcela, a declaração precisa ser enviada até 10 de maio. O contribuinte que não entregar o documento dentro do prazo estará sujeito a multa mínima de R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido. Também é possível autorizar outra pessoa física a elaborar e enviar a declaração, desde que ambos possuam contas gov.br com os níveis de segurança exigidos. Com informações do Correio Braziliense Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga…

  • Dino acaba com aposentadoria compulsória como maior punição a juízes

    Dino acaba com aposentadoria compulsória como maior punição a juízes

    Dino anula decisão do CNJ que aposentou compulsoriamente um juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que aposentou compulsoriamente o juiz do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) Marcelo Borges Barbosa e afirmou…

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Artigos Relacionados

PT reage à blindagem das bets na Câmara em PL Antifacção

Projeto foi aprovado, mas tributação das plataformas de apostas online foi retirada....

Congresso retoma trabalhos com PEC da Segurança, jornada 6×1 e MPs na pauta

O Congresso Nacional retoma as atividades legislativas após o Carnaval com uma...

Congresso inicia ano legislativo com foco na MP do Programa Gás do Povo

Sessão solene marca retomada dos trabalhos em 2026 e líderes devem retomar...

Oposição insistirá em abertura de CPMI do Master após o Carnaval

A avaliação é que uma comissão mista tramitará mais rápido que uma...