O Brasil se aproxima de um novo patamar na política de imunização ao estruturar, para 2026, a ampliação do acesso a vacinas desenvolvidas no país. O destaque é para a incorporação do imunizante nacional contra a dengue ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Planejamento feito pelo do Ministério da Saúde reúne metas de recuperação das coberturas vacinais, fortalecimento da indústria local e integração entre pesquisa científica e produção em larga escala, em um cenário de pressão contínua causada pelo avanço de arboviroses e doenças infecciosas.
O eixo central dessa estratégia é o Complexo Econômico-Industrial da Saúde, que concentra investimentos estimados em R$ 42 bilhões até o final 2026. O objetivo é reduzir a dependência de insumos importados, ampliar a autonomia tecnológica e assegurar fornecimento regular de vacinas ao SUS.
A meta governamental é produzir localmente a parcela majoritária dos imunizantes e medicamentos considerados estratégicos, além de retomar índices de vacinação entre 90% e 95% no calendário nacional.
O governo anunciou ainda, em novembro, a retomada da construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde (Cibs), no Rio de Janeiro, que terá investimento de R$ 6 bilhões e capacidade para produzir até 120 milhões de frascos por ano, incluindo imunizantes contra meningite, poliomielite, febre-amarela, além da vacina hexavalente e a tríplice viral.
Entre os projetos mais avançados está a vacina Butantan-DV, desenvolvida integralmente no Brasil para o enfrentamento à dengue. Trata-se do primeiro imunizante de dose única contra a doença do mundo, característica que permite resposta mais rápida em cenários de surto e facilita a adesão da população.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou no final de novembro a aplicação em pessoas de 12 a 59 anos, com base em estudos clínicos que indicaram 74,7% de eficácia geral, 91,6% contra formas graves, e proteção total contra hospitalizações.
A produção do medicamento teve início antes da aprovação regulatória, em uma estratégia de antecipação industrial adotada pelo Instituto Butantan para acelerar a entrega das doses ao poder público.
Segundo o órgão, a expectativa é alcançar a oferta de cerca de 60 milhões de doses por ano a partir de 2026. Para sustentar essa escala, foi firmada parceria com a empresa chinesa WuXi, no âmbito do Brics, com ampliação da capacidade produtiva prevista para o segundo semestre do próximo ano.
O plano de vacinação definido pelo Ministério da Saúde prevê que as primeiras 1,3 milhão doses sejam destinadas a profissionais da atenção primária, com aplicação em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e ações domiciliares.
A expectativa é que isso ocorra até o final de janeiro. “Vários estudiosos apontam a possibilidade de uma alta capacidade de controle da infecção e do quadro epidêmico da dengue se a gente chegar a entre 40% e 50% da população vacinada”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao anunciar a assinatura do contrato da compra da vacina do Butantan, em dezembro.
“Esta é uma vacina 100% nacional, 100% brasileira, desenvolvida pela obstinação, teimosia, capacidade técnica, otimismo, crença e muito trabalho”, acrescentou.
A ampliação para público geral será gradual, iniciando por adultos mais velhos e avançando para faixas etárias mais jovens. Estudos adicionais já receberam autorização da Anvisa para avaliar o uso do imunizante em pessoas de 60 a 79 anos, além da possível inclusão de crianças entre 2 e 11 anos, com base em dados de segurança acumulados.
Ao comentar a aprovação, o presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, afirmou que “a vacina contra a dengue marca uma nova etapa”, ao reunir critérios de segurança e eficácia com produção nacional. Segundo ele, o imunizante foi concebido para enfrentar uma endemia histórica, com capacidade de atuar sobre os quatro sorotipos do vírus, o que amplia o impacto sanitário e permite “uma resposta mais rápida em regiões com transmissão intensa”, especialmente em operações de bloqueio.
Outras doenças
Além da dengue, o país se prepara para incorporar outras vacinas desenvolvidas em território nacional. A SpiN-TEC, contra a covid-19, criada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem previsão de chegar ao SUS no primeiro semestre de 2026.
Diferentemente das formulações anteriores, o imunizante utiliza tecnologia voltada à indução de resposta celular, o que pode ampliar a proteção a novas variantes, além de facilitar a logística por exigir apenas refrigeração comum.
Pesquisas para vacinas contra malária e doença de Chagas também avançam em centros públicos, mas ainda estão sem cronograma definido para uso em massa. Paralelamente, estratégias complementares de controle de vetores, como a liberação de mosquitos com a bactéria Wolbachia, seguem em expansão, integrando a resposta nacional às arboviroses.
Com a combinação entre produção local, inovação científica e planejamento de médio prazo, o Ministério da Saúde projeta para 2026 um cenário de maior autonomia e capacidade de resposta do SUS.
A expectativa é que a consolidação dessas vacinas reduza impactos de epidemias recorrentes, fortaleça a confiança nas campanhas de imunização e reforce o papel do Brasil como produtor de tecnologia em saúde.
Com informações do Correio Braziliense
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