Os efeitos de ficar um mês sem álcool
“Ao ficar um mês sem beber, há um aumento da capacidade de concentração, do nível de energia para o dia a dia e até uma melhora da qualidade do descanso, já que apesar de trazer uma sensação de relaxamento e sonolência, o álcool compromete a arquitetura do sono, tornando-o menos reparador”, explica o médico do esporte Francisco Tostes, do Instituto Nutrindo Ideais, no Rio de Janeiro.
O especialista explica que a pausa mensal traz benefícios que variam conforme frequência e quantidade de consumo anterior. Pessoas que bebem com regularidade e em maior volume podem apresentar irritação no início do processo. Com o passar dos dias, surgem sinais de melhora. Quem consome menos percebe resultados de forma mais rápida, como aumento de energia e melhora do humor.
Além de efeitos imediatos, o Janeiro Seco pode contribuir para redução de peso, queda da pressão arterial e melhora da função do fígado. Esses resultados estão associados à diminuição da sobrecarga metabólica causada pelo álcool.



Pausa para se autoavaliar
Especialistas ressaltam que a experiência serve como termômetro para avaliar o espaço que a bebida ocupa na vida cotidiana, percebendo se há alguma dificuldade em manter a sobriedade ou se há uma ansiedade em compensar o período sem beber com consumo excessivo posterior. Ambos sinais são preocupantes e podem ser indicativos da necessidade de uma assistência médica mais próxima.
Reduzir ou zerar o consumo de álcool deve ser um objetivo geral para a saúde da população. “Reduzir a ingestão alcoólica reduz o risco de morte prematura diretamente. O álcool está relacionado ao aumento da frequência cardíaca e interferências no sistema de coagulação”, explica a cirurgiã vascular Márcia Fayad Marcondes, de São Paulo.
Especialistas indicam que reconhecer gatilhos associados ao consumo ajuda a manter o propósito. A convivência com pessoas que incentivam a bebida e oferecem drinks também deve ser reduzida ou reavaliada para, de fato, se alcançar uma vida mais saudável. Márcia completa que a prática regular de atividade física auxilia no bem-estar durante o período e ainda ajuda o corpo a lidar com inflamação e inchaço.
“Tanto a ingestão moderada quanto a alta podem influenciar os riscos de complicações no sistema cardiovascular, sendo que os padrões de utilização impactam diretamente nesses riscos”, conclui a médica.
Originalmente publicado em Metrópoles
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