Dinheiro de integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) já foi rastreado por autoridades em pequenos negócios e grandes empresas. Indícios de infiltração do crime organizado são apontados em firmas que prestam serviços para o poder público e em lojas de franquia, em empreendimentos ilegais na Amazônia e em municípios pouco conhecidos no interior paulista.
Em muitos casos, a contaminação financeira fica apenas na lavagem de dinheiro —ou seja, as empresas servem só para esconder a origem ilícita dos lucros. Nos últimos anos, porém, algumas investigações mostraram que membros da facção e seus parceiros de negócio passaram a usar dinheiro do tráfico de drogas e outros crimes para investir em negócios lícitos.
Segundo promotores do MPSP (Ministério Público de São Paulo), foi o que ocorreu com empresas de ônibus que prestavam serviço na capital paulista e também na compra de usinas sucroalcooleiras investigada na Operação Carbono Oculto, que apontou para a presença de pessoas ligadas ao PCC em todas as etapas da produção de combustíveis no país.
O promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do MPSP, disse em novembro numa audiência da CPI do Crime Organizado, no Senado, que calcula que a facção fature ao menos R$ 10 bilhões por ano atualmente.
Abaixo, alguns exemplos das origens do dinheiro da facção criminosa paulista que já apareceram em investigações nos últimos três anos.
TRÁFICO DE DROGAS
O PCC se consolidou como um dos grandes grupos traficantes de drogas da América do Sul ao longo da última década, apontam várias investigações. Há lideranças da facção baseadas nos países andinos onde é cultivada a coca, que viabilizam compras diretamente dos produtores, e a droga transportada por seus integrantes chega a países da Europa e da África.
Há mais de cinco anos, investigações apontam para a parceria entre o PCC e a máfia italiana ‘Ndranghetta, uma das maiores da Europa, por exemplo.
A explicação para essa projeção no continente tem o ano de 2016 como ponto central. É quando o traficante Jorge Rafaat Toumani foi assassinado na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, que faz divisa com Ponta Porã (MS).
A facção passou a dominar, a partir dali, a rota do tráfico drogas que atravessa Mato Grosso do Sul e o interior paulista em direção à cidade de São Paulo —a chamada rota Caipira. A expansão internacional do PCC teria se acelerado a partir desse ano, assim como os lucros com o tráfico internacional de drogas.
Mesmo que sua área de domínio esteja nesse corredor que vai das fronteiras com Paraguai e Bolívia até a região Sudeste, a facção paulista também atua pontualmente na outra grande rota de escoamento de cocaína, a rota do Solimões.
Policiais militares do Amazonas relatam que tanto o PCC quanto o CV (Comando Vermelho) e cartéis estrangeiros contratam grupos locais para fazer o transporte da fronteira oeste até Manaus. Eles formam consórcios para pagar pelo translado de grandes carregamentos, segundo a PM local.
Especialmente na estação seca, a droga também é transportada em helicópteros que voam poucos metros acima das copas das árvores, de clareira em clareira na floresta, para escapar dos radares.
JOGOS DE AZAR
A contravenção também é uma fonte de renda para integrantes da facção, apontam investigações do MPSP e da Polícia Civil. Máquinas de pagamento encontradas em casas de apostas ilegais em Santos, no litoral paulista, foram o estopim para a investigação que resultou na Operação Spare, que está conectada à Carbono Oculto.
Na Operação Falso Mercúrio, policiais civis encontraram indícios de que dinheiro que vinha da operação de caça-níqueis na região metropolitana de São Paulo era direcionado a uma loja de carros de luxo para ser lavado. A Justiça ordenou um bloqueio de mais de R$ 6 bilhões nas contas bancárias e no patrimônio dos investigados devido aos indícios de crime encontrados pelos investigadores.
GOLPES VIRTUAIS
Golpes financeiros aplicados por telefone, por aplicativos de mensagem e pela internet também estão no escopo de atuação da facção criminosa. A conexão entre os autores dessa modalidade criminal e o PCC é apontada ao menos desde 2023 por inquéritos da Polícia Federal e de polícias civis.
Um escritório na região central da capital paulista, que aplicava esse tipo de golpe e segundo a Polícia Civil tinha conexões com a facção, foi alvo de uma operação em dezembro daquele ano. Na ocasião, foram presas 24 pessoas.
TRANSPORTE POR ÔNIBUS
Três homens apontados como lideranças do PCC —Silvio Luiz Ferreira, o Cebola; Cláudio Marcos de Almeida, o Django; e Décio Luís Gouveia, o Português— eram sócios da empresa UPBus, que prestava serviço de transporte municipal de ônibus em São Paulo e foi alvo da Operação Fim da Linha em 2024.
A facção se infiltrou nas licitações de transporte público sem seguir a cartilha da criminalidade tradicional, segundo os investigadores. Formou uma rede de advogados especializados em concessões públicas, criou as empresas e seus perfis, disputou e ganhou a licitação. A estratégia de combate também precisou ir por outra vertente, mostrando o desafio da situação: denunciar a concessão para tirar essas empresas da operação.
CONTRATOS PÚBLICOS
Em julho de 2025, a Justiça de São Paulo condenou Vagner Borges Dias, conhecido como Latrell Brito, réu por liderar um esquema de fraude em licitações vinculado à facção.
Segundo a sentença, ficou comprovado que ele e outros integrantes de uma organização criminosa usaram empresas de fachada “para simular competição em licitações”, manipulando os resultados das concorrências e inclusive agindo para obter contratos públicos superfaturados. Procurados pela Folha, os advogados dele não responderam sobre as acusações.
As investigações que levaram à condenação dele apontaram suspeitas sobre contratos firmados por empresas do grupo nas cidades de Guarulhos, São Paulo, Ferraz de Vasconcelos, Cubatão, Arujá, Santa Isabel, Poá, Jaguariúna, Guarujá, Sorocaba, Buri e Itatiba, entre outras.
Antes disso, uma operação do Gaeco do MPSP já havia apontado conexões com a facção em contratos de serviços de saúde e coleta de lixo em Arujá, na região metropolitana de São Paulo.
Na Operação Falso Mercúrio, deflagrada em novembro, policiais civis também encontraram contratos públicos de empresas suspeitas de lavar dinheiro do PCC. Neste caso, porém, não há indício de que integrantes da facção tenham se beneficiado desses contratos. A investigação está em andamento.
COMBUSTÍVEIS E LOJAS DE CONVENIÊNCIA
Na Operação Carbono Oculto, autoridades apontaram que uma organização criminosa ligada ao PCC tem participação em toda a cadeia de combustíveis. Controla elos da estrutura portuária, a formulação e o refino, além de usinas sucroalcooleira. Tem frota para transporte e distribuição, postos de abastecimento e, inclusive, lojas de conveniência.
A força-tarefa da operação informou que em uma das redes investigadas, com 200 estabelecimentos, as bombas dos postos de combustíveis eram viciadas: os consumidores pagavam por um volume inferior ao informado e por combustível adulterado, fora das especificações.
Lojas de conveniência ligadas à mesma rede de postos eram usadas para lavagem de dinheiro, inclusive por pessoas já condenadas por associação ao tráfico de drogas.
Com informações do Jornal de Brasília
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