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Raoni, voz indígena contra exploração de petróleo na Margem Equatorial

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Liderança mundialmente conhecida, cacique pede a Lula que não libere extração na foz do Rio Amazonas. Condecorado pelo presidente com a medalha Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito, ele cobra promessas, mas elogia o trabalho do chefe do Executivo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ouviu cobranças, nesta sexta-feira, do cacique Raoni, um dos principais líderes indígenas do país, conhecido internacionalmente. Apesar de fazer elogios ao chefe do Executivo, o cacique lembrou que o petista desapontou povos originários nos dois primeiros mandatos e que não deve repetir os erros. Além disso, pediu ao presidente que desista da exploração de petróleo na Margem Equatorial, na Bacia da Foz do Amazonas, sob pena de graves consequências para o meio ambiente.

Lula viajou até a aldeia Piaraçu, da Terra Indígena Capoto/Jarina, localizada no Parque do Xingu, em Mato Grosso, onde participou de solenidade com Raoni e outros líderes indígenas. O chefe do Executivo também entregou a medalha Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito para o cacique, uma das maiores honrarias concedidas pelo governo federal.

“Estou sabendo que, na Foz do Amazonas, o senhor está pensando no petróleo que tem lá embaixo. Penso que não, porque essas coisas, na forma como estão, garantem que a gente tenha meio ambiente, a terra com menos poluição e menos aquecimento”, declarou Raoni na língua kayapó. “Se isso acontecer… Eu sou pajé (líder espiritual) também, eu já tive contato com os espíritos que sabem do risco que a gente tem ao continuar trabalhando dessa forma, de destruir, destruir, destruir. Que podemos ter consequências muito grandes e não conseguir parar”, acrescentou o cacique.

O chefe do Executivo tem pressionado para que o Ibama autorize a perfuração em um dos blocos, com o objetivo de permitir à Petrobras explorar petróleo. Técnicos do órgão ambiental, porém, apontam riscos e avaliam que a petroleira ainda não cumpriu todas as exigências para proteger a região em caso de derramamento de óleo.

Ambientalistas, indígenas e integrantes do Ministério do Meio Ambiente, incluindo a ministra Marina Silva, são contrários à exploração, não somente pelo possível impacto de um acidente no bioma amazônico, mas também pelo aumento da exploração de combustíveis fósseis em meio às catástrofes climáticas e à transição energética.

Outra corrente, defendida pelo próprio Lula — e que inclui o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira —, quer que a exploração seja autorizada o quanto antes. Parlamentares do Amapá, como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União), também insistem com o Ibama pela liberação.

O discurso de Raoni também teve elogios ao trabalho de Lula. Ele disse que o presidente precisa colocar um sucessor no governo que pense como ele. No entanto, não deixou de demonstrar a insatisfação dos indígenas com algumas políticas do Executivo.

“Desde a posse, eu falei com o presidente. Eu fiz uma cobrança para ele não repetir alguns erros que ele fez na gestão anterior. Eu não gostei de alguns trabalhos dele. Mas eu falei para ele: ‘Presidente, daqui para a frente, vamos trabalhar certo, para que as pessoas sejam felizes com o nosso trabalho'”, contou o cacique.

Raoni também cobrou de Lula que faça uma reaviventação dos territórios Tapi Yawalapiti e Alto Xingu, definindo os limites das terras.

Prioridade

O petista discursou ao final da cerimônia, lendo um texto pronto, parágrafo por parágrafo traduzido para a língua kayapó. Ele reconheceu não ter entregado todas as demandas dos povos indígenas, mas garantiu que vai continuar avançando nessa área.

“Saibam que assegurar os direitos indígenas é prioridade absoluta, e estamos trabalhando nesse sentido, demarcando e homologando terras; retirando os não indígenas e combatendo o crime organizado, em processos bem-sucedidos de desintrusão dos territórios”, discursou. “Sabemos que ainda há muito a ser feito, mas as nossas políticas convergem nesse sentido de assegurar integralmente os direitos dos indígenas, sempre enfrentando os desafios, que não são poucos, e precisam ser tratados de forma negociada, com diálogo e transparência.”

O governo federal recebe críticas de entidades indígenas pelo ritmo lento de entregas. Ao assumir, Lula prometeu demarcar 14 terras já nos 100 primeiros dias de gestão. Passados mais de dois anos, apenas 13 territórios foram demarcados. Também provocaram desgaste o avanço do garimpo ilegal e a crise humanitária na Terra Yanomami.

“Sabemos que, muitas vezes, o tempo das coisas é mais lento do que a vontade, a de vocês e as nossas. Mas olhamos para o mesmo rumo, temos o mesmo propósito e a certeza de que o Brasil que queremos e que estamos construindo valoriza e respeita os povos originários”, declarou, ainda, o presidente.

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Jornalista

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