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Corpo de Bombeiros reforça orientações de segurança e cuidados básicos para práticas de atividades em áreas naturais

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A falta de planejamento e a desatenção a cuidados básicos figuram entre os aspectos observados pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) como os principais riscos em práticas de atividades em áreas naturais. Por esse motivo, a corporação decidiu reforçar as orientações de segurança para praticantes que pretendem desbravar a natureza.

https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/documents/d/guest/foto-geovana-albuquerque-49-jpgUma das primeiras orientações é sempre procurar fazer trilha com alguma companhia | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

De acordo com a tenente Letícia Medeiros Alves Frinhani, do CBMDF, trilhas não devem ser encaradas como passeios improvisados. “Antes de sair, a pessoa precisa definir o percurso, avaliar o grau de dificuldade, verificar o horário e observar as condições do tempo”, aponta. “Em ambiente natural, qualquer imprevisto pode se agravar rapidamente”.

Um dos primeiros pontos destacados pela oficial é a recomendação de nunca fazer trilhas sem alguma companhia: “É fundamental avisar alguém sobre o trajeto escolhido e o horário previsto de retorno. Essas informações são essenciais caso seja necessário acionar o socorro”.

Clima e ambiente

Entre os fatores de risco mais relevantes estão as condições climáticas, sobretudo em trilhas próximas a rios e cachoeiras. A tenente Letícia chama a atenção para a possibilidade de cabeça-d’água, fenômeno em que o nível do rio sobe de forma repentina, mesmo sem chuva no local. “Mudança na cor da água, aumento da correnteza ou descida de galhos e folhas são sinais claros de perigo e exigem saída imediata”, orienta.

Ela reforça que não se deve insistir no percurso diante desses sinais: “A decisão precisa ser rápida; esperar pode colocar a vida em risco”. Também é recomendado evitar trilhas no fim da tarde ou à noite e priorizar saídas nas primeiras horas do dia, quando há mais tempo de luz natural e melhores condições de visibilidade.

Comunicação limitada e decisões corretas

Outro aspecto observado pelo Corpo de Bombeiros é a limitação de comunicação em áreas remotas. Muitas trilhas não possuem sinal de telefonia móvel, o que dificulta o pedido de ajuda em situações de emergência. “Por isso, o planejamento prévio é essencial”, explica a tenente. “Em percursos mais longos ou isolados, pode ser necessário o uso de equipamentos de comunicação”.

Em caso de acidente, a orientação é avaliar a condição da vítima antes de qualquer deslocamento. “Se a pessoa não consegue se mover, o ideal é que alguém permaneça com ela, garantindo segurança e abrigo, enquanto outra busca ajuda, sempre evitando expor mais pessoas ao risco”, orienta.

https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/documents/d/guest/foto-geovana-albuquerque-50-jpgÁreas naturais e trilhas podem trazer ocorrências que exijam atuação de equipes do Corpo de Bombeiros | Foto: Geovana Albuquerque/Agência Brasília

Nesse contexto, a tenente Letícia lembra que as ocorrências em trilhas e áreas naturais costumam exigir a atuação de equipes multidisciplinares do Corpo de Bombeiros, formadas por profissionais com diferentes atribuições, como bombeiros militares especializados em salvamento, atendimento pré-hospitalar e busca em ambientes naturais. “São situações que envolvem vítima, terreno e tempo de resposta, por isso o atendimento não depende de uma única função, mas da integração entre diferentes áreas de atuação”, pontua.

As equipes atuam de forma coordenada desde a avaliação inicial do estado da vítima, passando pelos cuidados imediatos de saúde, até a definição da melhor estratégia de acesso e retirada, sempre considerando as condições do terreno. “O objetivo é garantir um atendimento seguro e eficaz, tanto para a pessoa atendida quanto para os profissionais envolvidos”, detalha a tenente. “A análise do cenário orienta todas as decisões”.

O Corpo de Bombeiros também reforça que o uso de equipamentos adequados e a adoção de condutas preventivas ajudam a reduzir riscos e facilitam a atuação das equipes em caso de emergência.

Equipamentos simples fazem diferença

Calçados próprios para trilha, com solado antiderrapante, ajudam a reduzir o risco de escorregões e quedas em terrenos irregulares. Água em quantidade suficiente também é indispensável, já que nem sempre há pontos de apoio ao longo do percurso.

Além disso, itens simples podem ser decisivos em uma emergência, indica a tenente: “O apito facilita a sinalização em locais de difícil acesso. O cobertor térmico ajuda a proteger contra o frio enquanto o socorro não chega. Um kit básico de primeiros socorros permite lidar com situações iniciais”.

Vivência prática confirma as orientações

https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/documents/d/guest/corredora-de-trilha-e-professora-de-educacao-fisica-patricia-faim-arruda-foto-divulgacao-copiar-jpgAcostumada a correr em trilhas, a professora Patrícia Arruda recomenda: “Existe uma regra clara na trilha: nunca deixar ninguém para trás. Se alguém tem dificuldade, a gente para, pergunta se essa pessoa precisa de algum auxílio e ajuda” | Foto: Acervo pessoal

Corredora de trilhas, a professora de educação física Patrícia Faim Arruda conta que os cuidados indicados pelos bombeiros fazem parte da rotina de quem pratica a modalidade com regularidade. “Existe uma regra clara na trilha: nunca deixar ninguém para trás”, enfatiza. “Se alguém tem dificuldade, a gente para, pergunta se essa pessoa precisa de algum auxílio e ajuda”.

Uma das orientações importantes é contar com o acompanhamento de um guia 

Ela relata já ter presenciado acidentes, como torções e fraturas durante eventos organizados. “Em muitos trechos não há sinal de celular, então alguém fica com a pessoa machucada enquanto outra procura a equipe de apoio ou tenta acionar o socorro”, ilustra.

Segundo Patrícia, a diferença entre trilhas organizadas e expedições independentes está na estrutura disponível. “Em eventos, há equipes distribuídas ao longo do percurso; em expedições, não há esse suporte imediato, o que exige ainda mais preparo”, observa. “Se você não conhece a trilha , contrate um guia local. Nunca se aventure! É importantíssimo contar com um guia experiente para fazer a trilha com segurança”.

Preparo físico também é segurança

Como professora, Patrícia pontua que o preparo físico deve ser encarado como parte da prevenção. “Trilha envolve terreno irregular, subida longa e muita altimetria”, atenta. “O corpo precisa estar preparado para esse esforço”.

Ela recomenda fortalecimento muscular e treino cardiorrespiratório, além de exercícios específicos, como esteira inclinada e escadas, para simular as exigências do percurso. “Quando a pessoa não se prepara, o risco de queda, exaustão e lesão aumenta”, diz a especialista.

Calçado, vestuário e outros detalhes

A escolha do calçado é outro ponto sensível. “Nunca faça trilha com tênis novo”, adverte Patrícia. “O ideal é usar um calçado já amaciado, testado em treinos”. Segundo ela, bolhas e ferimentos nos pés podem comprometer a continuidade do percurso.

Patrícia também recomenda atenção ao tipo de meia: “Meias de algodão devem ser evitadas porque retêm umidade e aumentam o atrito. As meias próprias para corrida ou trilha secam mais rápido e protegem melhor a pele”, diz.

Conduta coletiva e responsabilidade ambiental

Além da segurança individual, a conduta coletiva é decisiva. “Trilha não é competição; é preciso respeitar o ritmo do grupo e tomar decisões pensando na segurança de todos”, afirma Patrícia.

O cuidado com o meio ambiente também integra as orientações. “Tudo o que a pessoa leva para a trilha deve voltar com ela. Não deixar lixo é uma regra básica”, reforça.

Ao reunir orientações técnicas do Corpo de Bombeiros e a experiência de quem pratica a atividade, o alerta é direto: trilha exige preparo, atenção e responsabilidade. “Planejamento e decisões corretas fazem toda a diferença para que a trilha seja uma experiência segura”, conclui a tenente Letícia.

Com informações da Agência Brasília

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