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EUA busca petróleo da Venezuela enquanto guerra no Irã ameaça setor

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Em meio às incertezas provocadas pela guerra no Irã, Venezuela firmou contratos para fornecer petróleo a empresas dos Estados Unidos

Enquanto o preço do petróleo disparou nos últimos dias, como consequência da guerra no Irã, os Estados Unidos avançou no setor petrolífero da Venezuela. Nesta semana, empresas norte-americanas receberam sinal verde do novo governo venezuelano para exportar o combustível e seus derivados para o país liderado por Donald Trump.

A medida foi anunciada pela estatal responsável pelo petróleo venezuelano, a Petróleos de Venezuela S.A (PDVSA), na última terça-feira (3/3).

“A PDVSA assinou contratos de fornecimento com as empresas comercializadoras de petróleo e derivados destinados ao mercado dos Estados Unidos, mantendo assim a sua relação comercial histórica para garantir o fornecimento”, informou a empresa.


Consequências da Guerra

  • O Oriente Médio voltou a ser palco de uma guerra no último fim de semana, após Estados Unidos e Israel atacarem o Irã. 
  • Além de consequências regionais, como ataques retaliatórios do Irã contra bases norte-americanas em países árabes, o conflito também mexeu com o mercado mundial de petróleo. 
  • Por conta de ataques contra posições dos EUA em seus territórios, países como Kwait, Qatar e Arábia Saudita reduziram, e em alguns casos chegaram a paralisar, a produção de petróleo. 
  • Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz por parte do Irã também impactou o setor. É por lá que cerca de 20% da produção mundial de petróleo é escoada.
  • Com isso, o preço do petróleo disparou. No fim de fevereiro, dias antes do ataque contra o Irã, o barril do combustível tipo Brent era comercializado a US$ 72,82. Já na sexta-feira (6/3), superou US$ 93 dólares. 

Aceno da Venezuela aos EUA

O aceno positivo da Venezuela aos EUA surgiu após Trump emitir licenças especiais para que petrolíferas passassem a atuar na Venezuela, sem que fossem atingidas por sanções norte-americanas contra o setor. As empresas beneficiadas pela medida foram: BP, Chevron, Eni, Repsol e Shell.

A primeira delas a firmar contrato com a PDVSA foi a Shell. As discussões aconteceram durante visita do Secretário do Interior dos EUA e presidente do Conselho Nacional de Domínio Energético, Doug Burgum, a Caracas (foto em destaque).

“Tivemos um dia de trabalho produtivo com o secretário Doug Burgum”, disse Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, após o fim do tour do secretário norte-americano na Venezuela. “Acompanhamos a assinatura de acordos entre a Venezuela e a empresa Shell, um passo importante para impulsionar o desenvolvimento energético. Estou muito satisfeita por ver as empresas venezuelanas projetarem-se internacionalmente, gerando emprego e novas oportunidades para o nosso povo”.

Já Burgum classificou a parceria entre Washignton e Venezuela no setor energético como uma das saídas da administração norte-americana para driblar a alta na gasolina.

“A parceria com a Venezuela será uma das maneiras pelas quais o preço da gasolina vai baixar nos postos de gasolina dos Estados Unidos”, declarou o secretário do Interior dos EUA em entrevista à rede Fox News.

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Tudo a ver com o petróleo

Todo o cenário condiz com as declarações de Trump logo após a captura de Nicolás Maduro, no início de janeiro. À época, o presidente dos EUA — como se previsse o caos no setor que surgiria meses depois em consequência da guerra no Oriente Médio — afirmou que a presença norte-americana na Venezuela tinha “tudo a ver com o petróleo”.

As ambições do líder norte-americano no setor petrolífero venezuelano não encontraram obstáculos internos dentro do governo provisório da Venezuela, apesar do passado ligado ao chavismo.

Um dia depois da operação militar que culminou na captura de Maduro, Trump ameaçou a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, que viria a ser empossada como líder interina posteriormente.

“Se ela não fizer o que é certo, pagará um preço muito alto, provavelmente maior do que Maduro”, declarou o presidente dos EUA.

Com o “recado”, nem mesmo um mês se passou até que Delcy se apressou em atender aos interesses norte-americanos no país. Em 6 de janeiro, Trump anunciou um acordo para o envio de 50 milhões de barris de petróleo venezuelano para os EUA. Washigton, então, passou a ser responsável pela venda do combustível no mercado aberto. Parte dos lucros foi repassada à Venezuela

Dias depois, a presidente interina da Venezuela apresentou um projeto de reforma parcial na Lei de Hidrocarbonetos Orgânicos de 2006. A legislação, criada durante o governo de Hugo Chávez, aumentou o controle estatal no petróleo do país.

A proposta não enfrentou resistência para ser aprovada pelo Parlamento. Com isso, chegou ao fim o monopólio estatal da PDVSA, e petrolíferas estrangeiras receberam aval para operar de forma independente na Venezuela.

Com informações do Metrópoles

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