Com o ano chegando ao fim, o pagamento do 13º salário se consolida como uma ajuda financeira para as famílias brasileiras, que estão endividadas até o pescoço. Embora seja esperado com ansiedade por muitos trabalhadores, a realidade do uso desse benefício revela um cenário de contrastes, de acordo com pesquisa da fintech meutudo. Segundo o estudo, a maior parte dos brasileiros utiliza o 13º para aliviar as dívidas acumuladas durante o ano, mas uma parte significativa já começa a direcionar esse valor para o planejamento financeiro, seja para investimentos, seja para uma reserva de emergência.
“O 13º é visto como uma oportunidade de começar a organizar o orçamento e iniciar o planejamento para o futuro”, afirma Marcio Feitoza, CEO da meutudo. O levantamento da fintech destaca ainda que 60% dos brasileiros devem utilizar o 13º salário para pagar dívidas, uma realidade que reflete o endividamento de muitas famílias.
Ao mesmo tempo, 34% dos entrevistados afirmaram que pretendem usar o valor do salário extra no fim do ano para fazer um reserva emergencial ou investir, o que demonstra uma mudança gradual na forma de encarar a gratificação natalina. “Hoje, mais de um terço dos brasileiros já pensa no 13º como uma possibilidade de investir, o que é um reflexo da evolução da educação financeira no país”, destaca Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos.
Entre os trabalhadores que vão destinar o benefício para o pagamento de dívidas, a prioridade é quitar contas pendentes, especialmente de cartão de crédito. João Pedro Henriques da Silva Lima, 20 anos, que trabalha em apoio administrativo, conta que o 13º dele vai ser totalmente consumido pelas despesas. “É essencial para dar conta das contas de fim de ano, especialmente com as festas e os compromissos extras.”
Na contramão, o militar Leonardo Ferraz dos Santos, 23, pretende investir o 13º em ações. “Vejo o 13º como um aporte extra para o meu objetivo de viver de renda no futuro”, diz. Ele destaca que já investe parte da renda mensalmente e, portanto, esse rendimento extra no fim do ano é uma espécie de gratificação, uma oportunidade de fortalecer sua estratégia de investimento de longo prazo.
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A advogada Rayanne Fernandes Almeida, 32 anos, por sua vez, usará o valor para pagar dívidas, mas espera conseguir guardar uma parte do 13º. “Com o benefício, consigo aliviar um pouco o orçamento e até guardar uma parte para o futuro”, afirma. Ela, no entanto, reconhece que, sem o 13º, teria de “maneirar nos gastos”. Enquanto isso, Arthur Monteiro de Oliveira Baptista, 27 anos, engenheiro eletricista, também utilizará parte do 13º para pagar contas, mas uma fração será destinada à poupança e investimentos. “Com o benefício, consigo deixar de viver no limite e direcionar uma parte para o futuro, equilibrando despesas essenciais com a construção de uma reserva financeira”, afirmou.
Davi Lelis, especialista em investimentos, avalia que esse movimento dos brasileiros buscarem fazer uma reserva para investir reflete uma “valorização da educação financeira”. Ele acredita que o aumento da procura por investimentos entre os brasileiros, mesmo em um cenário de dificuldades econômicas, é um sinal de que o comportamento financeiro da população está mudando.
“A ideia de usar o 13º para pagar dívidas já foi predominante por muito tempo, mas agora vemos uma parte significativa da população optando por reservar ou investir esse dinheiro, o que é um reflexo de um comportamento financeiro mais consciente”, destaca.
Além disso, o economista Riezo Almeida, coordenador do curso de ciências econômicas do IESB, aponta que o uso do 13º para o pagamento de dívidas está intimamente ligado às altas taxas de juros e à inflação persistente, fatores que continuam pressionando as famílias. “Para muitos, o 13º funciona como um respiro no orçamento, evitando a negativação e permitindo que o ano termine sem novos compromissos financeiros”, explica.
O pagamento do 13º segue sendo um momento decisivo para muitos brasileiros, não apenas como um alívio temporário, mas também como um reflexo das escolhas financeiras para o futuro. Embora a maior parte da população ainda destine esse recurso para quitar dívidas, a mudança de postura de uma parte significativa da população, que começa a investir e planejar o futuro, aponta para uma transformação no comportamento financeiro do país.
O 13º salário é um direito do trabalhador brasileiro garantido pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Tradicionalmente, a primeira parcela do 13º é paga pelo empregador no último dia útil de novembro e, a segunda, em 20 de dezembro. Aposentados e pensionistas já receberam esse salário antecipado no primeiro semestre do ano.
Endividamento elevado
O pagamento do 13º segue sendo um momento decisivo para muitos brasileiros, não apenas como um alívio temporário, mas também como um reflexo das escolhas financeiras para o futuro. Embora a maior parte da população ainda destine esse recurso para quitar dívidas, a mudança de postura de uma parte significativa da população, que começa a investir e planejar o futuro, aponta para uma transformação no comportamento financeiro do país. Contudo, o endividamento das famílias segue elevado, conforme dados divulgados pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), na semana passada. O percentual de famílias endividadas, em novembro, ficou em 79,2%, abaixo dos 79,5% de outubro, mas acima dos 77% contabilizados em novembro de 2024.
Davi Lelis reforça ainda que esse aumento da preocupação de brasileiros por uma reserva para investir, nesse cenário de dificuldades para as famílias, reflete uma mudança no comportamento da
população e maior conscientização. “A ideia de usar o 13º para pagar dívidas já foi predominante por
muito tempo, mas agora vemos uma parte significativa da população optando por reservar ou investir esse dinheiro, o que é um reflexo de um comportamento financeiro mais consciente”, afirma o especialista em investimentos.
Além disso, o economista Riezo Almeida, coordenador do curso de ciências econômicas do Centro Universitário Iesb, aponta que o uso do 13º para o pagamento de dívidas está intimamente ligado às altas taxas de juros e à inflação persistente, fatores que continuam pressionando as famílias. “Para muitos, o 13º funciona como um respiro no orçamento, evitando a negativação e permitindo que o ano termine sem novos compromissos financeiros”, explica.
Originalmente publicado em Correio Braziliense
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