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PF amplia cerco, faz prisões e vê dinheiro do INSS gasto com luxo

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Operação Cambota apreende veículos de luxo e uma vasta coleção de objetos de valor, como obras de arte e bebidas caras

Transferências bancárias que somam R$ 15,5 milhões foram o fio que conectou o renomado advogado Nelson Wilians, o empresário Maurício Camisotti e Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Os três foram alvos, ontem, da Operação Cambota, que cumpriu dois mandados de prisão preventiva e 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Brasília e outras localidades.

Entre os bens apreendidos estão uma réplica em tamanho real do carro de Fórmula 1 pilotado por Ayrton Senna na McLaren; obras de arte; esculturas eróticas; relógios de luxo e dinheiro em espécie.

Os depósitos foram feitos por Wilians, dono do maior escritório de advocacia empresarial da América Latina, em contas bancárias de Camisotti, preso ontem na Operação Cambota, um desdobramento da Sem Desconto, deflagrada em abril. O montante transferido é parte de um total de R$ 4,3 bilhões identificados como movimentação suspeita pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), entre 2019 e 2024, o que ensejou as buscas.

Segundo a apuração da Polícia Federal, Camisotti era comparsa do Careca do INSS, também preso ontem, na fraude bilionária que desviou mais de R$ 6 bilhões de aposentados e pensionistas no período apurado. O empresário do ramo de seguros é apontado como sócio oculto de entidades como Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec), o Centro de Estudos dos Benefícios dos Aposentados e Pensionistas (Cebap) e a União dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (Unsbras).

As apurações mostram que o Careca do INSS era o elo entre funcionários do instituto de Previdência e as entidades fraudulentas. De acordo com a PF, ele desembolsou R$ 9,3 milhões para subornar servidores.

Rede fraudulenta

Iniciadas em abril, com a Operação Sem Desconto, as investigações da Polícia Federal desvendaram como os dois suspeitos — Careca do INSS e Camisotti — operavam em diferentes níveis do esquema fraudulento. Careca funcionava como intermediário entre sindicatos e associações de aposentados, recebendo os recursos descontados indevidamente dos beneficiários e repassando parte deles a servidores do Instituto. Já Camisotti, segundo a PF, seria um dos principais beneficiários financeiros da fraude, utilizando empresas de fachada e laranjas para ocultar sua participação nas entidades que aplicavam os descontos irregulares.

Segundo a PF, Antunes movimentou pelo menos R$ 53 milhões no esquema, enquanto Camisotti utilizava sua rede empresarial para “lavar” o dinheiro desviado. A PF chegou aos suspeitos a partir da apreensão de celulares, HDs e documentos ao longo da operação Sem Desconto. O papel central do “Careca do INSS” emergiu quando a PF descobriu suas ligações com uma grande quantidade de transações financeiras envolvendo diversas entidades. Embora não fosse formalmente o líder de uma associação específica, o careca aparecia como facilitador dos repasses irregulares. Camisotti, por sua vez, foi identificado como destinatário final de boa parte dos recursos. Suas empresas do setor de seguros serviam de fachada para receber e “limpar” o dinheiro.

A Operação Cambota foi autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da PF. Na casa do Careca do INSS, no Lago Sul, em Brasília, policiais vasculharam documentos e encheram duas viaturas com itens apreendidos. Também em Brasília, na residência de Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti, ex-sócio do advogado Nelson Wilians, foram encontrados os veículos de luxo e uma vasta coleção de objetos de valor, incluindo réplicas de aviões e embarcações, além de bebidas caras. No escritório de Wilians, em São Paulo, foram apreendidos veículos de luxo, como Ferrari, Rolls-Royce e Bentley.

Defesas

A defesa do Careca do INSS, classificou a decisão como “drástica e invasiva” e afirmou que ela “parte de premissas equivocadas”. A defesa do empresário Maurício Camisotti afirmou não haver motivos que justifiquem sua prisão no âmbito da operação que apura fraudes no INSS.

Já o advogado Nelson Wilians, alvo de buscas e apreensões mas que não foi preso, afirmou que tem colaborado integralmente com as autoridades e que “confia que a apuração demonstrará sua total inocência.”

A defesa de Fernando dos Santos Andrade Cavalcanti declarou que ele “não possui qualquer envolvimento com a fraude no INSS. Sua atuação como empresário não envolve nenhum tipo de contrato ou relacionamento com o INSS, assim como entidades ligadas ao órgão”. Também ressalta que não faz mais parte da Nelson Willians Advogados.

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