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Brasil articula pacto global para quadruplicar produção de combustíveis sustentáveis até 2035

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Iniciativa é liderada por Brasil, Itália, Japão e Índia e busca acelerar descarbonização de setores de difícil transição, como transporte e indústria pesada

O Brasil anunciou oficialmente, nesta segunda-feira (14/10), o lançamento de um compromisso internacional para quadruplicar a produção e o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. A iniciativa, chamada de pledge (ou compromisso), foi apresentada em parceria com Itália, Japão e Índia, e deverá contar com a adesão de outros países nos próximos meses.

Segundo o diretor do Departamento de Energia do Itamaraty, João Marcos Paes Leme, o compromisso visa dar mais tração ao processo de descarbonização dos sistemas energéticos, especialmente em setores onde a eletrificação direta ainda enfrenta grandes desafios.

“O Brasil está lançando oficialmente hoje, junto com Itália, Japão e Índia, um compromisso de apoio à quadruplicação dos combustíveis sustentáveis. Esperamos um bom número de adesões para que, no processo de descarbonização dos sistemas energéticos, esses combustíveis também tenham um papel relevante, em complementação à eletrificação e a outras tecnologias”, explicou o diplomata.

A meta, destacou Paes Leme, baseia-se em um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) divulgado na segunda-feira (13), que indica a viabilidade técnica e econômica da quadruplicação do uso dessas fontes até 2035, tomando como base os números de 2024.

“Esse número não é arbitrário. Ele se baseia em um estudo da Agência Internacional de Energia que demonstra como isso pode ser feito e por que deve ser feito para descarbonizar esses setores e acelerar a transição energética”, afirmou.

Combustíveis para setores de difícil descarbonização

Os chamados combustíveis sustentáveis abrangem um conjunto de tecnologias, entre elas biocombustíveis, hidrogênio e combustíveis sintéticos. Essas soluções são consideradas essenciais para reduzir as emissões de carbono em áreas onde a substituição de combustíveis fósseis é mais complexa — como o transporte aéreo, marítimo e rodoviário de longa distância, além de indústrias como aço e cimento.

“Esses são setores de difícil descarbonização. A multiplicação da produção e do uso dos combustíveis sustentáveis pode acelerar a redução da dependência de combustíveis fósseis por esses setores”, explicou Paes Leme.

O diplomata ressaltou que a nova meta se soma a compromissos assumidos em conferências climáticas anteriores. Na COP28, por exemplo, foi acordado o aumento em duas vezes da capacidade de geração de energia renovável e o triplo da eficiência energética. Agora, o novo compromisso busca quadruplicar os combustíveis sustentáveis, consolidando um eixo complementar à eletrificação.

Diferente da Aliança Global de Biocombustíveis

Questionado sobre a relação da nova iniciativa com a Aliança Global de Biocombustíveis, lançada durante o G20 na Índia, Paes Leme esclareceu que o compromisso anunciado hoje não é uma continuidade direta, embora compartilhe os mesmos objetivos.

“Não é uma decorrência daquela aliança. São manifestações de uma mesma percepção de que existe um lugar para os combustíveis sustentáveis. Essa nova iniciativa é mais abrangente e busca o apoio do maior número possível de países para emitir um sinal político claro, inclusive aos agentes econômicos”, afirmou.

Ainda segundo ele, a intenção é demonstrar respaldo político global para impulsionar investimentos em tecnologias que já são viáveis, mas ainda carecem de escala de produção.

“Muitas dessas tecnologias já são viáveis, mas não são produzidas em volume suficiente. É importante que os agentes econômicos percebam que existe respaldo político, inclusive dentro da COP, para que essas soluções sejam alavancadas”, observou.

*Com informações do Agência Brasil

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