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Governo Lula avalia que crise de popularidade eleva fatura de reforma ministerial

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Integrantes da gestão Lula (PT) avaliam que a queda acentuada na aprovação da atual gestão vai aumentar a pressão por uma reforma ministerial mais ampla, para abrir mais espaço para os partidos e criar uma blindagem ao governo.

Aliados falam em uma “sacudida” no governo para reverter o quadro, impedindo assim que o petista ou eventual candidato apoiado por ele chegue em condição de fragilidade para a eleição presidencial de 2026.

A avaliação é que a baixa popularidade se deve à crise do Pix nas primeiras semanas do ano e também à alta no preço dos alimentos. Em relação a esse último, o governo tornou público o problema e prometeu agir, mas nenhuma medida concreta foi anunciada e a resposta ainda foi marcada por patinadas e polêmicas.

Uma ala também aponta que o resultado da pesquisa Datafolha evidencia que o problema do governo não era apenas de comunicação e sim estrutural, colocando no foco os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Fernando Haddad (Fazenda).

Pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (14) mostrou que a aprovação de Lula desabou em dois meses, de 35% para 24%, chegando a um patamar inédito para o petista em suas três passagens pelo Palácio do Planalto. A reprovação também é recorde, passando de 34% a 41%. Acham o governo regular 32%, ante 29% em dezembro passado, quando o Datafolha havia feito sua mais recente pesquisa sobre o tema.

A situação é vista como preocupante por aliados, considerando que a maior queda ocorreu entre seus próprios eleitores.

O declínio foi de 20 pontos percentuais entre quem votou nele nas últimas eleições, contra 11 pontos na média geral. Se, em meados de dezembro, data do último levantamento, 66% desse grupo classificavam seu trabalho como ótimo ou bom, agora são 46%.

A leitura de alguns aliados, nos bastidores, é que Lula pode ter um choque de realidade pela primeira vez em seu terceiro mandato, após demonstrar uma certa empáfia nos primeiros dois anos da gestão, em particular pela falta de interlocutores fortes e próximos o suficiente para apontar o dedo para os problemas.

Alguns integrantes do governo, no entanto, acreditam que o governo vai ter a coragem para promover agora as mudanças necessárias e a leitura do cenário para reagir ao momento. Além disso, citam que alguns focos de desgaste vão sendo contornados, com a previsão de melhora na inflação, com a queda do dólar e a perspectiva de uma supersafra –com impacto no preço dos alimentos.

“O presidente Lula tem a humildade e experiência necessárias para ler e a força e vigor adequados para reagir e mexer no que tem que ser mexido no segundo tempo do jogo. O IPCA de janeiro já foi o menor desde 2012, o dólar já tem trajetória de queda, com trabalho, sem truques ou malabarismos”, afirmou o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Integrantes do governo apontam que o governo vai precisar repensar a reforma ministerial mais pontual, que estava em gestação. Será necessário, avaliam, abrir mais espaço para os partidos aliados e do centrão, mesmo que isso signifique a substituição de petistas.

Um aliado lembra a crise de 2005, quando a aprovação do primeiro governo Lula atingiu índices semelhantes, em particular após a crise do mensalão. Lula então fez uma reforma ministerial ampla, substituiu ministros fortes e os mandou de volta para o Congresso. No ano seguinte, garantiu a reeleição para um segundo mandato.

A avaliação de integrantes do centrão é que além de uma reforma ministerial mais ampla, é necessário repensar os nomes da “cozinha” do governo, como os ministros palacianos. Apesar disso, dizem que o Executivo só terá mudanças na sua popularidade se tiver uma melhora na economia. Eles citam que é necessário uma solução para a alta dos preços dos alimentos e novas propostas de corte de gastos.

Em relação à reforma ministerial, auxiliares de Lula consideram que será necessário garantir ainda mais a fidelidade das grandes bancadas, para controlar os humores dentro do Congresso. O objetivo é garantir o andamento da pauta do governo, sem nenhum percalço, e evitar prejuízos maiores em períodos de crise.

Esse é o primeiro levantamento do instituto medindo a aprovação da atual administração, após a troca no comando da área de comunicação, sempre apontada como um dos focos do problema.

No mês passado, o publicitário Sidônio Palmeira assumiu a Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência), em substituição ao deputado petista Paulo Pimenta (RS).

O novo ministro assumiu com alguns planos para melhorar a comunicação do governo, que foram divulgados durante reunião ministerial, no dia 20 de janeiro. O objetivo era justamente turbinar a publicidade.

Ele pediu aos ministérios para fazerem um levantamento de projetos e ações, que possam ser divulgadas com destaque. Sidônio também pediu para ministros centralizarem no Planalto as ações e afinarem os discursos, para evitar dar munição para a oposição.

Mesmo com as novas diretrizes, o começo do ano foi marcado por uma série de polêmicas e focos de desgastes para o governo. A primeira delas foi a chamada crise do Pix, quando a Receita Federal editou uma norma que ampliou a fiscalização sobre transações de pessoa física com esse mecanismo.

A medida foi usada pela oposição para disseminação de fake news sobre taxação do Pix, forçando o governo a recuar da medida.

O governo também trouxe para si uma nova crise com a questão do preço dos alimentos. O primeiro ruído aconteceu quando o ministro Rui Costa disse que o governo vai buscar um “conjunto de intervenções” para baratear o preço dos alimentos.

O mesmo ministro depois acabou virando alvo de críticas nas redes sociais, ao sugerir que a população deveria trocar a laranja por outra fruta, por causa do alto preço.

Com informações do Jornal de Brasília

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