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Aliados de Lula pressionam por mudanças na comunicação

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Empate técnico em pesquisas eleitorais intensifica críticas à estratégia do Planalto e divide base governista sobre o momento de confrontar o senador

247 – O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial tem provocado inquietação entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e integrantes do governo federal. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, as projeções mais recentes, que apontam empate técnico entre Lula e o parlamentar, ampliaram os questionamentos sobre a estratégia de comunicação adotada pelo Palácio do Planalto.

O foco da insatisfação está na condução da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, comandada pelo ministro Sidônio Palmeira. A linha adotada até agora — centrada na divulgação de ações e entregas do governo — passou a ser considerada insuficiente por parte da base governista, especialmente entre ministros ligados à esquerda e dirigentes do PT.

Nos bastidores, integrantes do governo avaliam que a estratégia de priorizar apenas pautas positivas ainda não gerou os resultados esperados em termos de popularidade. Um dos exemplos citados é a proposta de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, que não conseguiu produzir impacto relevante na aprovação do presidente nem alterar o cenário eleitoral.

Diante desse contexto, parte dos aliados de Lula passou a defender uma mudança de postura, com a adoção de um tom mais ofensivo contra o senador fluminense. Esse grupo considera que a comunicação do governo tem sido excessivamente defensiva e argumenta que seria necessário intensificar o confronto político com o bolsonarismo para mobilizar a militância e ampliar o engajamento nas redes sociais.

As preocupações aumentaram após a divulgação de uma pesquisa do instituto Genial/Quaest, publicada na última quarta-feira, que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno. O resultado indica um cenário de empate técnico. Em dezembro, o presidente mantinha vantagem de dez pontos percentuais sobre o senador.Dentro da cúpula petista, dirigentes admitem que o partido demorou a definir quem seria o principal adversário na disputa presidencial. Durante meses, o PT considerou a possibilidade de enfrentar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, o que levou a uma postura mais cautelosa diante de Flávio. Agora, com a consolidação do senador como potencial candidato, aliados avaliam que será necessário ajustar a estratégia.

Nos próximos dias, a reação do partido deve incluir mobilização mais intensa nas redes sociais e nas ruas. Lideranças petistas afirmam que a orientação é fortalecer a atuação das bancadas no Congresso e ativar movimentos sociais aliados, em um esforço descrito internamente como a necessidade de “mobilizar a tropa para um estado permanente de campanha”.

Entre os governistas que defendem uma postura mais combativa, a avaliação é de que o senador possui fragilidades políticas que podem ser exploradas no debate público. São citadas, por exemplo, investigações envolvendo suspeitas de rachadinha, questionamentos sobre sua participação em uma empresa de chocolates e a compra de uma mansão avaliada em R$ 5,9 milhões em Brasília.

O líder da maioria na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirma que um contraponto político pode se tornar inevitável diante do cenário eleitoral.— “Não creio ser conveniente fazer os ataques como eles fazem, mas como elemento de defesa talvez seja necessário fazer um contraponto. Flávio tem a questão da mansão, dos imóveis comprados com dinheiro vivo, da rachadinha. O que não falta ali é telhado de vidro”.

Outra preocupação entre aliados do presidente é a tentativa do senador de construir uma imagem de candidato moderado. Para alguns ministros, a ausência de uma reação direta do PT poderia facilitar esse reposicionamento político diante do eleitorado.

Nesse contexto, governistas também destacaram a recente manifestação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que comparou as atitudes de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro diante de investigações envolvendo seus filhos.— “Quando o filho do Lula foi citado em uma investigação, o presidente (Lula) chegou e disse: “investiga”. Quando o filho do Bolsonaro, que agora é candidato a presidente, estava sendo investigado por associação com a milícia e rachadinha, (Jair) disse que ia trocar o diretor da PF”.

Apesar das pressões internas, há também quem defenda a manutenção da estratégia atual. Integrantes da base governista argumentam que antecipar ataques mais duros poderia abrir espaço para mudanças na candidatura da direita antes do período de desincompatibilização, previsto para abril.Na avaliação de alguns parlamentares de centro, Flávio Bolsonaro seria um adversário menos competitivo do que outros nomes da oposição, como Tarcísio de Freitas. Por isso, uma ofensiva prematura poderia fortalecer o senador ou provocar rearranjos políticos no campo adversário.O líder do PSB na Câmara, Jonas Donizette (SP), avalia que o momento exige cautela.— “Não tem o que fazer agora, porque Lula tem um limite (de crescimento) e o PT nunca ganhou em primeiro turno. É preciso descobrir o que seria algo que colaria no Flávio. O governo tem que se preocupar com a estabilidade do país e Lula nem pensar em entrar nessa briga”.

No Congresso, parte dos parlamentares de centro-esquerda compartilha visão semelhante, defendendo que a disputa eleitoral será decidida principalmente pela capacidade de conexão emocional com o eleitorado.— “Não adianta bater no Flávio, porque vai agradar só sua bolha e não os indecisos. A disputa não será por conteúdo, e Lula sabe muito bem disso, mas qual deles trabalha melhor a empatia com o eleitor”, afirma o líder do PDT, Mário Heringer (MG).

Enquanto o debate estratégico segue em curso, o Palácio do Planalto pretende ampliar a exposição pública de Lula em agendas consideradas positivas. Entre as iniciativas previstas estão novas entregas do programa Minha Casa, Minha Vida em diferentes cidades do país, com a presença do presidente e de ministros.Aliados do governo também defendem que a comparação entre os governos Lula e Bolsonaro será um dos principais eixos da campanha. Para eles, indicadores ligados a áreas como saúde, ciência, programas sociais, valorização do salário mínimo e redução da desigualdade devem ser utilizados para diferenciar os dois projetos políticos.

O líder do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), sustenta que esse contraste tende a enfraquecer a candidatura do senador ao longo da disputa eleitoral.— “A desconstrução da candidatura de Flávio vai se dar na comparação entre o governo Bolsonaro e o de Lula, em saúde, ciência, redução da desigualdade, aumento do salário mínimo e programas sociais. Aos poucos, a sociedade vai perceber a estatura pequena dele”.

Com informações do Brasil 247

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