Antes mesmo de retornar à Casa Branca, Donald Trump foi o primeiro a anunciar, às 12h01 desta quarta-feira (hora local): “Nós temos um acordo para os reféns no Oriente Médio; eles serão liberados em breve”. O republicano creditou a façanha a si próprio. “Este acordo de cessar-fogo épico só poderia ter acontecido como resultado de nossa vitória histórica em novembro”, garantiu, em uma segunda publicação em sua rede Truth Social. Depois de 466 dias de uma guerra que deixou 46 mil mortos e começou com um massacre cometido por terroristas palestinos, no sul do Estado judeu, Israel e Hamas firmaram as bases para o cessar-fogo.
A primeira etapa do plano, com duração de 42 dias, prevê a libertação de 33 israelenses sequestrados em 7 de outubro de 2023, em troca de 1.110 palestinos mantidos em prisões dentro de Israel — 110 deles condenados à pena perpétua. As Forças de Defesa de Israel (IDF) iniciarão uma retirada gradual do território palestino, que será concluída depois da libertação do último dos 98 reféns que permanecem em cativeiro. As duas outras etapas do acordo serão definidas ao longo da implementação da primeira fase. A segunda fase deve começar em 3 de fevereiro, caso não ocorram atrasos.
“Foi concluído um acordo” entre Israel e Hamas “para um cessar-fogo” em Gaza e um “intercâmbio de reféns e prisioneiros”, anunciou o premiê do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al Thani. Ele confirmou que a trégua começará a vigorar neste domingo, quando os primeiros três reféns serão devolvidos a Israel.
Em pronunciamento na Casa Branca e a cinco dias de entregar o poder para Trump, o presidente Joe Biden celebrou o acordo. “Estou profundamente satisfeito de que este dia tenha chegado. (…) A primeira fase durará seis semanas. Inclui um cessar-fogo total e completo, a retirada das forças israelenses de todas as áreas povoadas de Gaza e a libertação de vários reféns sob posse do Hamas”, explicou. “Durante as próximas seis semanas, Israel negociará os acordos necessários para alcançar a fase dois, que é o fim permanente da guerra.”
“Piada”
Ao ser questionado por um jornalista sobre quem achava que merecia crédito pela trégua, ele ou Trump, Biden disparou: “Isso é uma piada?”. De acordo com o democrata, foram “mais de 15 meses de terror para os reféns, suas famílias e o povo israelense”. “Mais de 15 meses de sofrimento para o povo inocente de Gaza. Os combates em Gaza cessarão. Em breve, os reféns retornarão para casa”, declarou.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, telefonou para Biden e para Trump para agradecer os esforços na viabilização do acordo, que contou com a mediação do Egito e do Catar. O chefe de governo somente falará após a finalização dos detalhes do acordo. Ainda não existe consenso, dentro do gabinete de Netanyahu, sobre alguns pontos. O presidente israelense, Isaac Herzog, defendeu que o pacto é a “manobra correta” e “necessária” e exortou os integrantes do governo a aprovarem o texto.
Em entrevista ao ao Correio, Basem Naim, chefe do Departamento Político do Hamas, disse que o acordo “não é o melhor resultado possível”. “Desde o primeiro dia, nós tentamos obter um cessar-fogo para deter a agressão contra nosso povo. Netanyahu e seu governo se envolveram em procrastinação e em manobras políticas para obstruir o acordo, o que nos custou milhares de vidas inocentes e destruição disseminada.”
Naim acrescentou que espera a adesão de Israel à implementação do acordo. “Nessa batalha, frustramos todos os objetivos que Israel buscava alcançar, quer fosse esmagar a resistência, deslocar a população ou recuperar à força os nossos prisioneiros (reféns)”, comentou. Em novembro de 2023, outro acordo de trégua culminou na libertação de 70 reféns e 210 presos palestinos.
O Fórum das Famílias dos Reféns e Desaparecidos em 7 de outubro afirmou que recebeu a notícia “com imensa alegria e alívio”. “Gostaríamos de expressar nossa profunda gratidão ao presidente eleito Trump, ao presidente Biden e aos mediadores internacionais. Depois de mais de 460 dias de nossos familiares presos nos túneis do Hamas, estamos mais perto do que nunca de nos reunirmos com nossos entes queridos.” Ontem, os familiares dos sequestrados realizaram um ato silencioso diante da residência de Netanyahu, em Jerusalém, e uma marcha em frente do Ministério da Defesa, em Tel Aviv.
Brasil
O Ministério das Relações Exteriores brasileiro divulgou nota em que afirma ter tomado conhecimento, “com grande satisfação”, do anúncio. “O Brasil exorta as partes envolvidas a respeitarem os termos do acordo e a garantirem a cessação permanente das hostilidades, a libertação de todos os reféns e a entrada desimpedida de ajuda humanitária a Gaza”, declarou.
Em Gaza, o alívio foi extravasado nas ruas. Na cidade de Deir el-Balah (centro), centenas de pessoas se reuniram diante do hospital Mártires de Al-Aqsa, que recebeu muitos corpos desde o início da guerra. Em Khan Yunis, um comboio de militantes armados do Hamas foi visto.
Morador da Cidade de Gaza, o jornalista Motasem Dalloul, 44 anos, perdeu a esposa; dois filhos — Abu Baker, 2, e Yahya, 4 —; sobrinhos e primos na guerra. “Ainda assim estou feliz, porque o acordo de cessar-fogo colocará fim às contínuas perdas que eu e as outras pessoas em Gaza temos sofrido”, afirmou ao Correio, por telefone, pouco depois do anúncio. “Todos estamos felizes aqui, apesar do medo de sairmos às ruas.”
Porta-voz do kibbutz de Nir Oz, Irit Lahav afirma que sua comunidade vive uma felicidade contida e espera a libertação de 29 dos 98 reféns ainda em poder do Hamas, 20 deles vivos. “Nesses últimos 16 meses, temos experimentado muita dor. Como disse Biden, o obstáculo para alcançar o acordo foi o Hamas. Estamos felizes, porém, cautelosos. Esperamos que todos os 20 reféns vivos sejam soltos logo”, disse ao Correio, por telefone. “O que nos disseram foi que os três primeiros reféns soltos serão mulheres civis. Acredito que Arbel Yehud, 29 anos, esteja nessa primeira leva”, acrescentou.
EU ACHO…
“O medo pela segurança e pela vida dos nossos familiares e amigos sequestrados de nossa comunidade tem nos acompanhado por todos os dias. Os terroristas os mantêm sem qualquer obrigação aos padrões intrernacionais e aos cuidados com a saúde. Ameaçados, sob a mira de arma, sem liberdade, sem serem capazes nem mesmo de verem a luz do sol. Talvez sem comida. Talvez estuprados.”
Irit Lahav, porta-voz do kibbutz de Nir Oz, a 1,6km da fronteira com a Faixa de Gaza
“As pessoas daqui da Faixa de Gaza estão felizes, porque o acordo de cessar-fogo põe fim ao sofrimento de cada palestino. Depois do anúncio do acordo, alguns moradores de Gaza saíram às ruas, mas ainda estão com medo. No início da noite, Israel bombardeou um campo de refugiados e atingiu um grupo de pessoas.”
Motasem Dalloul, 44 anos, jornalista palestino, morador da Cidade de Gaza
Com informações do Correio Braziliense
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