Casa DF Justiça derruba liminar que barrou ajuda ao BRB; assembleia é cancelada
DFDistrito Federal

Justiça derruba liminar que barrou ajuda ao BRB; assembleia é cancelada

Compartilhar
Compartilhar

O desembargador Roberval Belinati, presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), derrubou, ontem, a liminar concedida pela 2ª Vara de Fazenda Pública para suspender os efeitos da Lei Distrital nº 7.845/2026, que autoriza o Governo do Distrito Federal (GDF) a usar imóveis e ativos de estatais — como Terracap, CEB e Caesb — para reforçar o capital do Banco de Brasília (BRB). A Procuradoria-Geral do DF (PGDF) e o BRB tinham recorrido, o que resultou na derrubada da liminar. 

Após a decisão, o banco estatal divulgou um Fato Relevante cancelando a Assembleia Geral Extraordinária que estava marcada para esta quarta-feira (18/3). Ao Correio, o presidente do BRB, Nelson de Souza, explicou que o embate jurídico em torno da lei gerou um estado de insegurança que tornou a situação do BRB mais complexa. Ele afirmou, ainda, que a estratégia de recuperação do banco será reorganizada (leia Estratégia será revista).

Questionado se a decisão de Belinati era esperada, o governador Ibaneis Rocha respondeu que foi “trabalhada”. Mesmo que um dos desembargadores relatores dos agravos ainda em análise mantenha a liminar da 2ª Vara, a decisão do presidente em exercício do TJDFT não perde o efeito e vale até que um possível recurso dos autores da ação seja acatado pelo Conselho Especial do tribunal.

A ação popular que culminou na suspensão dos efeitos da lei foi protocolada por Ricardo Cappelli, Rodrigo Rollemberg, Cristovam Buarque, Dayse Amarílio e Rodrigo de Castro Dias, integrantes do Partido Socialista Brasileiro (PSB), na última sexta-feira 913/3). 

Ao analisar o pedido do GDF, que alegou risco de paralisação de uma política pública e prejuízos à estabilidade financeira do banco, Belinati afirmou que a suspensão de segurança não trata do mérito da ação, mas da possibilidade de dano à ordem pública.

Segundo ele, a liminar de primeira instância poderia causar grave lesão à ordem administrativa e econômica do DF, ao impedir o Executivo de adotar medidas previstas em lei para a capitalização do BRB, instituição considerada estratégica para a execução de políticas públicas, concessão de crédito e gestão de recursos no Distrito Federal.

Com a decisão, ficam restabelecidos os efeitos da lei aprovada pela Câmara Legislativa, permitindo ao GDF retomar as ações para reforçar o capital do banco. A suspensão vale até nova deliberação do Judiciário ou julgamento definitivo do processo, que segue em tramitação com recursos pendentes de análise.

Ao Correio, Cappelli informou que o grupo vai recorrer ao pleno do TJDFT, isto é, vai solicitar que a ação seja julgada por todos os desembargadores que compõem o tribunal. “Não é razoável que o patrimônio da população do DF seja usado para cobrir rombos da gestão temerária no BRB. Há fortes indícios (na gestão) de fraudes. A Justiça deveria bloquear os bens dos envolvidos”, destacou. 

Assembleia

A decisão de cancelar a Assembleia Geral Extraordinária que seria realizada hoje foi tomada pelo Conselho de Administração do BRB “em caráter prudencial, após a concessão de uma liminar judicial relacionada aos temas que seriam deliberados pelos acionistas”.

Segundo o banco, a suspensão da assembleia também visa permitir o aprofundamento de análises jurídicas, institucionais e econômico-financeiras sobre a estrutura de capital da instituição, “incluindo a avaliação de ativos e alternativas envolvendo fluxos de recebíveis do Distrito Federal, que poderiam impactar a modelagem da operação em discussão”.

Apesar do adiamento, o BRB afirmou que as tratativas para reforço de capital seguem em andamento e que “uma nova data para a assembleia será divulgada oportunamente, reiterando o compromisso com a transparência e as regras de governança do mercado”.

A assembleia é considerada estratégica para o balanço que está sendo preparado e será apresentado ao Banco Central (BC) em 31 de março. Na ocasião, além de outras questões societárias, deve ser analisada a proposta de aumento do capital social da instituição financeira.

Indicadores

O balanço é uma exigência do Banco Central e reúne indicadores que permitem avaliar se a instituição está financeiramente saudável, além de medir sua rentabilidade e eficiência. O prazo de divulgação, 31 de março, é considerado estratégico no setor bancário, pois marca o limite para a apresentação dos resultados trimestrais. O último balanço do BRB foi divulgado em junho de 2025.

“Todos os bancos têm que apresentar o balanço do exercício até 31 de março. Hoje, por exemplo, não temos conhecimento do balanço do último trimestre de 2025 do BRB”, afirmou o economista César Bergo, professor da Universidade de Brasília (UnB).

Segundo ele, investidores e acionistas usam o documento para observar dados ligados ao desempenho econômico, como retorno sobre o patrimônio e sobre os ativos, além da qualidade da carteira de crédito. “Os principais elementos observados são os que medem a eficiência do banco e a lucratividade. Então, você tem o retorno sobre o patrimônio, o retorno sobre os ativos, a qualidade do crédito, como anda o índice de inadimplência e se o banco tem cobertura para eventuais perdas, ou seja, as provisões”, detalhou.

Ele também destacou a importância da margem financeira e da eficiência operacional. “A margem financeira é muito importante, assim como a relação entre despesas e receitas. O investidor vai olhar muito isso, além do crescimento da carteira de crédito, que mostra a expansão do banco”, acrescentou.

Do ponto de vista regulatório, o balanço é analisado com foco na solidez e na capacidade de a instituição cumprir suas obrigações. Nesse caso, o principal indicador é o índice de Basileia, que mede o nível de capital em relação aos riscos assumidos. “Acima de 11% é o exigido regulamentarmente. Se estiver abaixo disso, o banco pode ter problemas e precisa fazer reforço de capital”, explicou Bergo.

Outro aspecto central é a liquidez, que indica a capacidade do banco de honrar seus compromissos. “O regulador também vai observar a liquidez e a relação entre os ativos e o passivo da instituição”, assinalou. Segundo ele, tanto reguladores quanto investidores acompanham, ainda, a composição das receitas. “As receitas de serviço também são observadas, assim como o equilíbrio entre receitas de crédito e operacionais”, completou.

Ações

Um dos itens que seriam discutidos na assembleia de hoje é o aumento do capital social. A medida prevê a emissão de até 1,675 bilhão de novas ações ordinárias, ao preço de R$ 5,29 por ação. Caso o valor máximo seja alcançado, o capital social da instituição poderá passar dos atuais R$ 2,34 bilhões para até R$ 11,2 bilhões.

Segundo a administração do banco, o objetivo do aumento de capital é reforçar a estrutura financeira da instituição diante do crescimento dos ativos ponderados pelo risco — indicador usado para medir a exposição de um banco a possíveis perdas. A proposta busca fortalecer o patrimônio, manter os índices de capitalização em níveis adequados e ampliar a capacidade do banco de absorver perdas inesperadas.

De acordo com o economista César Bergo, em geral, a operação é realizada na B3, principal bolsa de valores do Brasil, e pode ocorrer por meio da criação de novos papéis. “Na oferta primária, que é a mais comum, o banco cria novas ações e o dinheiro vai diretamente para o caixa da instituição”, afirmou. 

Ele ressaltou, no entanto, que a operação pode ter impactos para os atuais acionistas. “Quando o banco emite novas ações, o número total aumenta e a participação de cada acionista é diluída. Por isso, normalmente há o direito de preferência na compra desses papéis”, comentou. O especialista chama a atenção para o momento de mercado. “O problema é que as ações estão muito desvalorizadas, o que pode gerar impacto financeiro para quem já é acionista”, observou. 

Segundo o economista, o principal objetivo da medida costuma ser o reforço de capital exigido pelas regras prudenciais. “No fim, o banco está trocando uma parte da empresa por dinheiro, para cumprir exigências como as de Basileia e fazer frente aos problemas que enfrenta”, concluiu.

Convite

O presidente do BRB, Nelson de Souza, e o secretário de Economia do Distrito Federal, Daniel Izaías de Carvalho, serão convidados a comparecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Legislativa do DF (CLDF) para prestar esclarecimentos sobre a situação financeira do banco e as medidas de socorro necessárias. A ideia é que as autoridades respondam aos questionamentos dos parlamentares sobre o assunto. A reunião está marcada para 7 de abril, no plenário da CLDF.

O requerimento que originou o convite é de autoria do deputado Thiago Manzoni (PL). A princípio, ele queria que fosse uma convocação, mas mudou para convite, uma vez que ambos os gestores entraram em contato com a comissão e se dispuseram, espontaneamente, a comparecer perante o colegiado.

Na CCJ, também foi aprovada a convocação do diretor-presidente da Terracap, Izidio Santos Junior. A iniciativa foi do deputado Chico Vigilante (PT), por meio do Requerimento 2.660/2026, no qual solicita “informações sobre a situação jurídica e imobiliária, bem como as consequências e reflexos para a administração pública e para a população referentes aos imóveis utilizados na capitalização do BRB”.

Serrinha

Representantes de cerca de 20 entidades do Fórum de Defesa das Águas, do Clima e Meio Ambiente do DF estiveram, ontem, no Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), acompanhados dos deputados distritais Gabriel Magno (PT) e Fábio Félix (Psol). O grupo protocolou uma nova representação e cobrou informações sobre o andamento de pedidos já apresentados ao órgão, questionando o uso de imóveis públicos para viabilizar a capitalização do BRB. Eles se reuniram com a secretária-geral do órgão, Claudia Braga Tomelin, a quem entregaram o documento e solicitaram o agendamento de uma reunião com o procurador-geral.

Claudia ressaltou a complexidade do tema e a necessidade de articulação interna. “São situações complexas, que realmente perpassam muitas promotorias. O Ministério Público está sempre de portas abertas, mas nem sempre conseguimos atender prontamente, pois não sabíamos previamente qual era o assunto”, afirmou. Ela garantiu o encaminhamento das demandas. “Vou acionar o gabinete do procurador-geral para organizar isso e agendar uma reunião. A ideia é que esse encontro ocorra o mais rápido possível”, declarou.

Estratégia será revista

Em entrevista ao Correio, o presidente do BRB, Nelson de Souza explicou que a suspensão da lei e a posterior reversão pelo governo geraram um estado de insegurança jurídica que tornou a situação do BRB mais complexa, elevando a sensibilidade dos investidores e dificultando o processo de capitalização por meio dos imóveis do GDF.

“Em breve faremos a assembleia cumprindo um prazo compatível para que a capitalização ocorra de maneira equilibrada e segura, superando as dificuldades impostas pela atual instabilidade jurídica”, assegurou.

Diante desse cenário, a estratégia de captação está sendo reorganizada para oferecer um leque mais robusto de opções. “Será realizado um novo road show voltado a investidores qualificados nos principais centros, como São Paulo e Brasília, para identificar quais imóveis realmente despertam o interesse do mercado”, explicou.

Para essa sondagem junto aos investidores, o banco espera a conclusão da avaliação dos imóveis, feita por uma empresa contratada. “Esse estudo fica pronto até sexta-feira”, disse.

Segundo Souza, está em discussão redimensionar o valor original do Fundo Imobiliário, de R$ 6,6 bilhões, para um valor menor. E completar o montante necessário para capitalizar o banco com empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FCG) — prioritariamente — e outros bancos.

“A meta agora é saber quais imóveis o mercado realmente tem interesse. De repente, o investidor qualificado não tem interesse no Centrad, que está com pendências; ou na Serrinha, devido à reivindicação de ambientalistas”, adiantou.

Outra estratégia envolve a securitização da dívida ativa do Estado e dos dividendos da CEB e da Caesb. “A antecipação de dividendos futuros, que seriam repassados ao GDF, poderão ser destinados para capitalizar o banco”, detalhou.

Com informações do Correio Braziliense

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…

  • Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…

  • Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…

  • Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…

  • Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…

  • ‘Precisamos envolver toda a sociedade’, diz Macaé Evaristo sobre efetivação do ECA Digital

    ‘Precisamos envolver toda a sociedade’, diz Macaé Evaristo sobre efetivação do ECA Digital

    Elaborado com a participação da sociedade civil, de especialistas e das próprias plataformas digitais, o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que entrou em vigor na terça-feira (17/3), deve ter a participação de todos para ser efetivamente colocado em prática. Foi o que afirmou a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania,…

  • Bolsa Família alcança 18,73 milhões de beneficiários em todo o Brasil a partir desta quarta (18)

    Bolsa Família alcança 18,73 milhões de beneficiários em todo o Brasil a partir desta quarta (18)

    Os beneficiários do Bolsa Família recebem o repasse de março a partir desta quarta-feira (18/3). Serão 18,73 milhões de famílias atendidas em todos os 5.570 municípios do País, com valor médio de benefício de R$ 683,75. O investimento do Governo do Brasil no programa de transferência de renda é de R$ 12,76 bilhões neste mês.…

  • Governo do Brasil organiza PF, ANP e Procon’s para fiscalizar preços de combustíveis

    Governo do Brasil organiza PF, ANP e Procon’s para fiscalizar preços de combustíveis

    O Governo do Brasil, por meio da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Senacon/MJSP), reuniu, na tarde desta terça-feira, 17 de março, mais de 100 Procons estaduais e municipais de todo o país para organizar, integrar e ampliar as ações nacionais de fiscalização do mercado de combustíveis já em andamento.…

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Artigos Relacionados

Greve no IML do DF gera “fila de corpos” em hospitais

Em meio ao indicativo de greve e à paralisação por tempo indeterminado iniciada nesta...

Cães resgatados aguardam há mais de um ano por um novo lar na Zoonoses do DF; saiba como adotar

Mais de um ano depois de serem resgatados, 13 cães ainda aguardam...

Mais de 100 casais vão oficializar união no primeiro Casamento Comunitário de 2026 neste domingo (22)

A contagem regressiva já começou. Neste domingo (22), mais de 100 casais...

Novos beneficiários do DF Social têm até o dia 23 para abrir conta no BRB

A Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes-DF) selecionou 398 novas famílias beneficiárias do...