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Brasil e França testam nova terapia celular contra câncer no cérebro

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Estudo clínico liderado por pesquisadores da USP e do Instituto Curie avalia segurança e eficácia da imunoterapia CAR-T para tratar linfoma óculo-cerebral

Uma colaboração internacional entre pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Curie, da Universidade de Ciências e Letras de Paris (PSL, na sigla em francês), testará uma nova abordagem de imunoterapia celular contra o linfoma óculo-cerebral — um tipo de câncer que afeta o sistema nervoso central (SNC), que compreende o cérebro e a medula espinhal. A proposta é avaliar a segurança e a eficácia da terapia CAR-T.

“A ideia é que os pesquisadores franceses tragam para o Brasil essas versões aprimoradas de células CAR-T e que nós possamos ajudá-los nas fases finais do desenvolvimento e na realização do estudo clínico”, explicou o coordenador do projeto no Brasil, Diego Clé, à Agência Fapesp. “Concluído esse processo, pretendemos estabelecer um acordo que permita a transferência de tecnologia para podermos licenciá-la para o SUS (Sistema Único de Saúde)”.

Desde 2019, os pesquisadores desenvolvem a terapia celular avançada em parceria com o Instituto Butantan. A estratégia é baseada na modificação genética de linfócitos T, células do sistema imunológico do próprio paciente, para que reconheçam e ataquem os organismos cancerígenos. Os cientistas reprogramaram essas células para identificar a proteína CD19.

A estratégia, iniciada nos Estados Unidos em 2017, resultou na criação da primeira fábrica de produtos celulares da América Latina: o Nutera, fundado em 2022 em Ribeirão Preto. Inicialmente, as células CAR-T produzidas no Nutera eram voltadas ao tratamento de leucemia linfoide aguda de células B e linfoma não Hodgkin de células B. Em comum, as células desses dois tipos de cânceres têm como alvo a proteína CD19.

Além do desenvolvimento da tecnologia no Brasil, a parceria com o Instituto Curie permitirá realizar análises complementares das amostras coletadas durante o tratamento, usando plataformas avançadas de sequenciamento genético e avaliação do microambiente tumoral. “Se tem um pesquisador na França, por exemplo, que desenvolveu uma CAR-T para outros alvos, como essa para um linfoma do sistema nervoso central, podemos testar”, afirmou Clé.

França é pioneira na tecnologia de tratamentos CAR-T, sendo um dos países que mais utilizam a imunoterapia na Europa. “Há mais de 5 mil pacientes tratados com CAR-T na França, contra pouco menos de 100 no Brasil”, comparou Clé. Contudo, o país ainda não conta com uma versão nacional de um produto desenvolvido por instituições de pesquisa locais e utiliza as opções comercializadas por indústrias farmacêuticas globais.

A parceria visa recrutar 30 pacientes diagnosticados com linfoma óculo-cerebral para testar a eficácia de injeções de doses das células CAR-T. 

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Jeová Rodrigues

Jornalista

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