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Economistas veem tom mais duro do Copom mesmo com melhora nos dados

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A manutenção da taxa básica de juros (Selic) em 15% ano, anunciada pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) nesta quarta-feira (17), seguiu em linha com o que era esperado pelo mercado, apesar de um tom mais duro sobre a possibilidade de rever novos aumentos no curto e médio prazo.

De forma geral, economistas defendem que o momento é propício para uma política mais flexível por parte do Banco Central, que deveria considerar um início de desaceleração inflacionária e de valorização do real, agora favorecida pela redução dos juros nos Estados Unidos, anunciada mais cedo pelo Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano).

Essa foi a segunda reunião seguida em que o colegiado decidiu manter a taxa no patamar atual, a maior dos últimos 19 anos. O gesto foi interpretado como a renovação da cautela adotada pelo comitê nos últimas encontros, mesmo com fortes reclamações do setor produtivo, que busca destravar o acesso ao crédito e promover crescimento em suas operações.

Economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani afirma que o Copom manteve o clima do comunicado anterior, com as mesmas previsões para os próximos meses e sem sinalização de uma queda na próxima reunião. Nas projeções da instituição, os juros seguirão inalterados até o início do ano que vem.

“O Banco Central não aumentou sua projeção para o 1° trimestre de 2027 -mesmo com os juros parados em 15%, a inflação não converge para o centro da meta– e não alterou o balanço de riscos. O comunicado foi exatamente igual o último, portanto não há nenhum sinal de que mudança na estratégia”, disse.

No setor produtivo, a reclamação segue a mesma: com os juros no patamar atual, é impossível crescer de modo sustentável. A leitura geral, por outro lado, é que dificilmente o BC voltará a subir a taxa de juros.

“Por um lado, há uma tentativa do governo de fomentar a economia. Por outro lado, o Banco Central tem adotado uma política monetária contracionista. O ideal é que tenhamos uma coordenação entre fazenda e Banco Central para uma política monetária eficiente e com menos danos colaterais ao setor produtivo e ao crescimento sustentável do país”, disse em nota Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas (Associação Paulista de Supermercados).

Uma das federações mais incisivas contra as decisões do Copom, a Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) afirma que a manutenção da Selic trava a economia e impacta setores dependentes de crédito, limitando o desempenho das vendas no varejo, especialmente nos produtos com tíquete médio maior. Por outro lado, a entidade pede um equilíbrio das contas públicas e alerta para as consequências do tarifaço promovido pelos Estados Unidos.

“O tarifaço exige que as empresas invistam na abertura de novos canais de comercialização, mas os juros atuais vão na contramão desse objetivo, ao encarecer as linhas de crédito e piorar a competitividade das empresas brasileiras frente às internacionais”, diz o presidente da Fiemg, Flávio Roscoe.

Conselheiro federal do Cofecon (Conselho Federal de Economia), Gustavo Casseb Pessoti enfatiza que o Copom errou ao manter a Selic em 15% ao ano. Ele avalia que não existem sinalizações de elevação de preços no curto e no médio prazo e que, com a desaceleração da economia no trimestre final do ano, as consequências serão danosas ao país.

“Teremos uma taxa de crescimento aquém das possibilidades. Não há resiliência econômica que sobreviva a uma taxa Selic de 15%, que inclusive reorienta outras decisões bancárias a ela indexadas e que permanecerão altas”, explicou Pessoti.

No comunicado, o comitê disse que seguirá avaliando se a manutenção dos juros por período prolongado é suficiente para assegurar uma convergência da inflação à meta, atualmente estabelecida em 3% ao ano, e afirmou que não hesitará em retomar o ciclo de ajuste caso julgue apropriado. A projeção do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) para o início de 2027 é de 3,4%, exatamente a mesma leitura do comunicado feito no final de julho.

Economista-chefe da XP, Caio Megale disse que essa sinalização dada pelo BC é de desafio da política monetária, reforçando a tese de que a flexibilização dos juros só acontecerá no início do ano que vem e de forma gradual.

“Ao incorporar as melhoras recentes, o mercado acreditava que a projeção [do IPCA] iria para 3,3% ou 3,2%. Ao ficar em 3,4%, é um sinal claro do Banco Central de que as projeções ainda sugerem uma inflação significativamente acima da meta”, comentou Megale.

Analista da Ouro Preto Investimentos, Sidney Lima leu a decisão do BC como uma tentativa da autoridade monetária de consolidar a trajetória de desinflação antes de iniciar uma queda na Selic.

“Para a economia, isso significa crescimento moderado no curto prazo, com consumo contido. Já para o mercado, a atenção vai se voltar para a ata e aos próximos dados de inflação, que vão indicar quando haverá espaço real para a flexibilização.”

Na visão de Natalie Victal, economista chefe da SulAmérica Investimentos, o comunicado foi bastante “hawk” (uma visão de política rigorosa ou restritiva) justamente por não ter revisto as projeções de inflação no longo prazo, mesmo com a melhora do câmbio, e reforçou o risco fiscal como motivo de cautela.

“Trata-se de um comunicado duro, sem concessões, que dificulta uma mudança rápida de tom. Dada a comunicação de hoje, flexibilizações em 2025 só ocorreriam diante de melhora relevante de cenário”, avalia Victal.

Por outro lado, a decisão do Fed de reduzir os juros em 0,25 ponto percentual nesta quarta terá reflexo nas próximas reuniões do Copom, já que existe uma tendência de redução da pressão inflacionária e de fortalecimento do real, com investidores procurando títulos públicos de maior rentabilidade.

“O elevado diferencial de juros em relação às economias avançadas, especialmente com a retomada do ciclo de cortes pelo Federal Reserve, favorece a entrada de capital estrangeiro e contribui para a apreciação do real, ampliando o efeito desinflacionário. Ainda assim, a inflação segue acima da meta, núcleos permanecem pressionados e as expectativas continuam desancoradas”, diz Lucas Constatino, estrategista-chefe da GCB Investimentos.

Com informações do Jornal de Brasília

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