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Preços do petróleo e do gás disparam após ataques a refinarias

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Barril de petróleo do tipo Brent chegou a registrar US$ 118 na máxima do dia; ataques iranianos elevaram os valores

Os preços do petróleo e do gás registraram uma disparada na manhã desta quinta-feira (19/3), após a escalada nos ataques de Israel e do Irã a campos energéticos e refinarias em ambos os países. O petróleo do tipo Brent, referência para o preço da commoditie no mercado internacional, chegou a superar a marca de US$ 118, no que é, até o momento, a máxima do dia.

Por volta das 6h30 desta quinta, o barril de petróleo tipo Brent chegou a US$ 118,20. Até a última atualização desta reportagem, às 9h, o valor da commoditie apresentava variação entre US$ 113 e US$ 115 — marca ainda considerada alta.

A alta registrada nesta quinta foi influenciada por novos ataques iranianos a instalações energéticas e refinarias no Golfo Pérsico. Os ataques voltaram a gerar instabilidade no mercado financeiro e aumentaram o temor quanto a um possível desabastecimento mundial.

Na Europa, os preços do gás atingiram recordes. No atacado na Holanda, a commoditie subiu 24%, saltando para € 68 o megawatt-hora, o maior valor desde o final de dezembro de 2022.

Os preços do gás no Reino Unido também registraram aumento e mais que dobraram desde o final de fevereiro. O preço do gás no atacado no país para o mês seguinte subiu 23% na manhã desta quinta, indo para 1,72 libra por termia (unidade energética usada na Europa), o maior nível desde agosto de 2022.

Nessa quarta-feira (18/3), Israel atacou o enorme campo de gás de Pars, no Irã, no que foi o maior bombardeio à infraestrutura energética iraniana no Golfo durante a guerra no Oriente Médio.

Em represália, o Irã atingiu o complexo de gás qatari de Ras Laffan, no Catar, o maior local de produção de gás natural liquefeito (GNL) do mundo. Em nota, o país alegou “danos consideráveis” às estruturas do complexo.

Uma refinaria na Arábia Saudita e outras duas no Kuwait também foram atingidas por drones iranianos. Além disso, uma instalação de gás em Abu Dhabi foi atingida.

Os efeitos também foram sentidos no Egito. O país anunciou que passará por racionamento energético desde o aumento do preço dos combustíveis causados pelas hostilidades no Oriente Médio.

Trump ameaça

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta realizar um novo ataque ao campo de gás iraniano de South Parsm caso Teerã mantenha seus ataques contra o Catar, segundo maior exportador de GNL (gás natural liquefeito).

Caso o Irã “decida atacar um país inocente como o Catar”, então “os Estados Unidos, com ou sem a ajuda ou o consentimento de Israel, destruirão todo o campo de gás de South Pars com uma força e um poder que o Irã jamais viu ou conheceu antes”, escreveu Trump em sua rede Truth Social.

O presidente norte-americano confirmou que Israel atingiu, nessa quarta, a parte iraniana do campo de gás offshore no Golfo Pérsico, compartilhado com o Catar. Os EUA “não sabiam de nada” sobre esse ataque, garantiu Trump.

O Catar é o segundo maior exportador mundial de GNL, atrás dos EUA, e Ras Laffan é seu principal centro de produção. Nos Emirados Árabes Unidos, Abu Dhabi fechou um complexo de gás após a queda de destroços de mísseis interceptados.

O Ministério das Relações Exteriores do Catar lamentou que os ataques na região “tenham ultrapassado todos os limites ao visar civis e instalações civis e vitais”. O ataque voltou a elevar o preço do petróleo, e o barril de Brent ultrapassou US$ 112.

Nova fase da guerra

A ameaça de Trump envolvendo o campo de gás de South Pars e os ataques iranianos contra instalações de produção de hidrocarbonetos podem indicar uma nova fase da guerra que começou no dia 28 de fevereiro, com consequências econômicas imprevisíveis para o Irã e outros países.

O campo é o maior do mundo, e cerca de 80% do gás iraniano é produzido no local. O complexo também produz 4 milhões de litros de gás natural liquefeito, 3 milhões de litros de combustível para aviões e outras substâncias.

O gás é usado por toda a população iraniana para calefação ou cozinha, o que torna o fornecimento essencial para o país. Além de South Pars, as refinarias iranianas de Bandar Abbas produzem diariamente 43 milhões de litros de gasolina — cerca de 40% do consumo nacional.

Ainda nesta quinta, uma refinaria saudita em um porto estratégico do Mar Vermelho e outras duas no Kuwait foram atingidas por drones. “Um drone caiu sobre a refinaria saudita de Samref, localizada na zona industrial de Yanbu, às margens do Mar Vermelho”, informou o Ministério da Defesa saudita. “A avaliação dos danos está em curso”, acrescentou.

O ministério havia afirmado anteriormente, no X, ter interceptado um míssil balístico que visava ao porto de Yanbu, que abriga a zona industrial e é uma importante rota de saída do petróleo saudita desde a quase paralisação do Estreito de Ormuz.

A refinaria de Samref, pertencente ao gigante petrolífero saudita Aramco e à Mobil Yanbu Refining Company Inc., subsidiária da ExxonMobil, tem capacidade de processamento de mais de 400 mil barris de petróleo bruto por dia.

Com informações do RFI, parceiro do Metrópoles.

Com informações do Metrópoles

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