Casa INSS CPMI do INSS será instalada em clima de tensão entre governo e oposição
INSSPolítica

CPMI do INSS será instalada em clima de tensão entre governo e oposição

Compartilhar
Compartilhar

Governo e oposição escalam representantes agressivos para integrarem CPMI que investigará descontos irregulares do INSS

A comissão parlamentar mista de inquérito (CPMI) que vai investigar fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será instalada nesta quarta-feira (20/8) sob a tensão do acirramento dos embates entre o governo e a oposição. Por causa disso, os dois lados estão escolhendo a dedo os integrantes e vão para a disputa política com tropas de choque.

O Palácio do Planalto está confiante de que conseguirá deter os esforços dos bolsonaristas de tentar jogar no colo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a culpa pelos descontos ilegais de aposentados e pensionistas. Os governistas contarão com um time experiente para atribuir à gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro uma grande parcela de culpa pelas irregularidades. 

A presidência está entregue ao deputado Omar Aziz (PSD-AM), veterano no comando de CPIs — esteve à frente daquela que investigou a demora de Bolsonaro na compra de vacinas contra a covid-19 e a adoção de métodos ineficazes no enfrentamento da doença. A tropa de choque governista contará, ainda, com os titulares Eduardo Braga (MDB-AM), Renan Calheiros (MDB-AL), Eliziane Gama (PSD-MA), Rogério Carvalho (PT-SE), Fabiano Contarato (PT-ES) e Leila Barros (PDT-DF) — todos senadores.

Mas a oposição trabalha para equilibrar o jogo colocando parlamentares midiáticos e com grande capilaridade nas redes sociais. A força dos adversários do governo está nos representantes dos deputados. Foram indicados para compor o colegiado os bolsonaristas Coronel Chrisóstomo (PL-RO), Coronel Fernanda (PL-MT), Adriana Ventura (Novo-SP) e Marcel van Hattem (Novo-RS). A relatoria da comissão está nas mãos de Ricardo Ayres (Republicanos-TO), deputado de primeiro mandato indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Ação rápida

O principal argumento do governo na CPMI é de que, assim que o escândalo dos descontos indevido veio à tona, agiu rápido para suspender os repasses e não foi complacente com o então ministro da Previdência, Carlos Lupi. O atual titular da pasta, Wolney Queiroz — que era secretário-executivo à época —, em entrevista ao Correiona edição de domingo, afirmou que todos os dados estarão à disposição da comissão de inquérito e prontos para serem discutidos.

“Vamos abrir todos os dados do ministério. Estamos nos preparando, ao longo desse período, para disponibilizar todos os dados que a CPI requisitar. É nosso dever constitucional e institucional fornecer as informações, mas pode ser feito com má vontade ou com boa vontade. Será feito com boa vontade. Queremos elucidar, dar transparência. O que for necessário para colaborar com o inquérito parlamentar, nós vamos fazer. Nós temos uma boa história para contar. Todos os sindicatos estão sendo investigados. Todas as associações tiveram os ACTs (Acordos de Cooperação Técnica) suspensos, e todos os dirigentes delas serão investigados”, salientou.

Wolney admite, porém, que o jogo será pesado, sobretudo por conta do período adverso para a oposição. O começo do julgamento de Bolsonaro, em 2 de setembro, no processo que apura a tentativa de um golpe de Estado chefiada por ele, em 2022, e a atuação do filho 03 do ex-presidente, deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), contra o Brasil junto do governo norte-americano, colocou os adversários do governo contra as cordas e lhes vem impondo grande desgaste político.

“Sempre tive preocupação com isso, desde a minha ida ao Senado. Tinha uma semana como ministro, e me perguntavam se eu era contra ou a favor da CPMI. Eu disse: ‘Olha, do ponto de vista do que é uma CPI, eu sempre sou a favor, porque passei 24 anos defendendo a CPI. Ela é um instrumento do Parlamento. Então, não posso, agora que estou no Executivo, dizer que ela não serve’. Mas já vi CPIs muito ruins, que não chegaram a um objetivo, que foram improdutivas e até nefastas. E qual é a medida do ruim e do bom? É o ambiente político do momento. E o ambiente político do momento tem tudo para atrapalhar o que seria uma boa CPI, porque estamos vivendo em ambiente de guerra, belicista, beligerante. A primeira vítima vai ser a verdade. Vai ser muito difícil lidar com uma comissão parlamentar de inquérito num ambiente de tensionamento político que tem se escalado. E imagino que o clima na CPI vá ser muito tenso, muito pouco, digamos assim, litúrgico”, explicou.

O pedido de criação da CPMI foi apresentado em 12 de maio pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e pela deputada Coronel Fernanda (PL-MT), ambas bolsonaristas. Elas destacam que investigações da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU), divulgadas em abril, apontaram a existência de um esquema de cobrança de mensalidades não autorizadas sobre os benefícios de aposentados e pensionistas.

*Estagiária sob a supervisão de Fabio Grecchi

Com informações do Correio Braziliense

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Artigos Relacionados

Vorcaro: da vida de ostentação à rotina de presidiário

Dono do Banco Master cumpre, na penitenciária de Brasília, prisão preventiva ordenada...

Caso Master: Polícia Federal investigará vazamentos

Mendonça atende defesa de Vorcaro e determina apuração sobre divulgação de dados...

Defesa confirma morte de ‘Sicário’ de Vorcaro

Braço direito do banqueiro tentou se matar em carceragem da PF na...

Alexandre de Moraes se manifesta sobre supostas mensagens com Vorcaro

Ministro Alexandre de Moraes nega autoria de mensagens com Vorcaro A Secretaria...