Casa Economia Brasil avalia ser 1º investidor do Fundo de Florestas, que pode gerar R$ 7 bi ao país
Economia

Brasil avalia ser 1º investidor do Fundo de Florestas, que pode gerar R$ 7 bi ao país

Compartilhar
Compartilhar

O Brasil estuda a possibilidade de se tornar o primeiro país a anunciar um investimento no TFFF (sigla em inglês para Fundo de Florestas Tropicais), mecanismo que pode gerar até cerca de R$ 7 bilhões se o país zerar seu desmatamento, mais rendimentos.

A ideia ainda está sendo avaliada pelo Palácio do Planalto, mas há a possibilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fazer o anúncio durante sua viagem para Nova York, nos Estados Unidos.

Ele viaja neste domingo (21) para a Assembleia-Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) e terá uma série de agendas sobre meio ambiente —paralelamente a este evento, acontece também a Semana de Clima da cidade.

Um dos compromissos previstos na agenda do presidente é a participação, na terça (23), em um evento na ONU, organizado pelo Brasil, para promover justamente o TFFF.

Tanto o valor, quanto a decisão sobre este compromisso, ainda estão sendo estudadas, segundo três pessoas que acompanham o tema.

A possibilidade de anunciar o investimento mira impulsionar outros países a fazerem o mesmo —o mecanismo foi idealizado pelo Brasil.

Até aqui, três países são os principais candidatos a também seguirem este caminho: Alemanha, Noruega e Reino Unido.

Segundo relatos obtidos sob anonimato pela Folha, estes três já estão fazendo cálculos de quanto poderiam investir. Outros, como a China, já sinalizaram ver com bons olhos a ideia, mas de forma menos assertiva.

O TFFF foi estruturado como fundo de investimento comum, no qual seus investidores (tanto países, mas entidades privadas) recebem parte do lucro com rendimentos, a taxas normais de mercado.

A diferença é que parte deste percentual é revertido a nações com florestas tropicais, mesmo que elas não apliquem recursos no mecanismo, mas desde que cumpram requisitos de preservação ambiental.

Para calcular este retorno, são levados em consideração fatores como o tamanho da cobertura vegetal, a taxa de desmatamento e a de degradação.

Segundo cálculos preliminares feitos do governo Lula, em um cenário de incêndios florestais controlados e desmatamento zero, o Brasil poderia receber algo em torno de R$ 7 bilhões —o país é o com maior presença deste tipo de bioma no mundo, o que inclui a Amazônia e a Mata Atlântica.

Mas para que isso se torne realidade, primeiro o fundo precisa ser criado, e segundo sua estrutura (idealizada em parceria pelo Ministério da Fazenda e do Meio Ambiente), o passo inicial para isso acontecer é conseguir uma soma de até US$ 25 bilhões (R$ 132 bi) em compromissos de investimentos por parte de nações ou entidades filantrópicas.

O Brasil espera que, até a COP30 —a conferência de clima da ONU (Organização das Nações Unidas), que será em novembro—, a soma dos compromissos das nações some um valor ao menos próximo a este total, mas que já possibilite o mecanismo a iniciar suas operações.

Esta é a condição inicial para então alavancar mais R$ 100 bilhões (R$ 530 bi) de recursos com o mercado financeiro.

Segundo a estrutura idealizada para o TFFF, este montante de dinheiro seria capaz de fazer o mecanismo render um retorno a taxas de mercado para todos os seus investidores e mais US$ 4 (R$ 21) para cada hectare de floresta tropical no mundo.

Se o Brasil decidir alocar recursos no fundo, ele teria direito tanto aos seus rendimentos, quanto também à parcela pela conservação de sua vegetação.

Assim que o TFFF conseguir o compromisso inicial de investimento dos países, ele precisará criar sua estrutura de administração formal —e que ao menos inicialmente deve ser gerida em parceria com o Banco Mundial, o que ajuda a dar credibilidade e segurança a ela.

É previsto que participem dessa organização, por exemplo, os países com florestas tropicais e apoiadores.

Depois, o fundo precisa criar uma segunda figura jurídica, que é quem fará a operação financeira do TFFF e funcionará de forma paralela, e integrada, à primeira.

Ainda não há definição de onde ficará sediada essa instituição, mas o objetivo dos criadores do fundo é encontrar um país que tenha credibilidade no mercado, mas também um cenário tarifário favorável.

Essa segunda estrutura terá CEO e um conselho gestor, com participação, e deverá contratar as empresas que farão os investimentos no mercado.

O investimento no TFFF é de longo prazo —a previsão é que sejam contratos de 40 anos.

Os rendimentos são pagos anualmente. A partir do décimo ano, os países passam a receber de volta, periodicamente, parte dos recursos alocados.

O objetivo é que, ao fim do contrato, eles tenham de volta todo o montante que alocaram, mais o percentual nos lucros, e, além disso, o fundo tenha conseguido girar capital o suficiente para ser autônomo.

Já para os países com florestas tropicais receberem os recursos do fundo, eles também precisam cumprir algumas obrigações —hoje, só 30 de mais de 70 estariam elegíveis.

Dentre os requisitos estão uma taxa de desmatamento menor que 0,5%, a obrigação que este recurso não seja alocado dentro do Orçamento geral, a previsão de que 20% seja direcionado a povos indígenas e a apresentação tanto de relatórios periódicos, como de políticas públicas ambientais.

O TFFF também precisará aprovar a metodologia que cada país usa para medir sua taxa de destruição florestal.

O não cumprimento das exigências pode fazer da nação inelegível para participar do fundo ou passível de punição, inclusive com a suspensão do pagamento.

Há ainda gatilhos de segurança caso o fundo renda menos do que o esperado —segundo os cálculos da equipe técnica que o desenhou, a chance disso acontecer é de menos de 4%, uma vez que ele é um mecanismo de longo prazo.

Neste caso, primeiro são suspensos os pagamentos pela conservação das florestas, depois aos países e só por último, ao investidor privado. Ainda de acordo com os estudos, a probabilidade do TFFF ter prejuízo com suas aplicações é de menos de 1%.

Com informações do Jornal de Brasília

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

  • Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara

    Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…

  • Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza

    Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…

  • Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a

    Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…

  • Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol

    Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…

  • Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso

    Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…

  • Vorcaro: da vida de ostentação à rotina de presidiário

    Vorcaro: da vida de ostentação à rotina de presidiário

    Dono do Banco Master cumpre, na penitenciária de Brasília, prisão preventiva ordenada pelo STF. Ele está no mesmo complexo de Marcola e outros líderes do PCC De uma vida de luxo e ostentação, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, passa a encarar agora a rotina de detento custodiado em um dos presídios de segurança…

  • Caso Master: Polícia Federal investigará vazamentos

    Caso Master: Polícia Federal investigará vazamentos

    Mendonça atende defesa de Vorcaro e determina apuração sobre divulgação de dados sigilosos do telefone do banqueiro O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal instaure inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero por fraude bancária e…

  • Petróleo sobe 28% na semana

    Petróleo sobe 28% na semana

    Tensão em Ormuz faz preço do barril tipo Brent, utilizado como referência na maioria dos países, atingir US$ 92,72 O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo extraído globalmente, impactou diretamente os preços da commodity na primeira semana após a decisão da Guarda Revolucionária do Irã,…

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Artigos Relacionados

Petróleo sobe 28% na semana

Tensão em Ormuz faz preço do barril tipo Brent, utilizado como referência...

Lula diz que Brasil tem ‘segurança jurídica’ para investimentos

Presidente participou da inauguração do hub da empresa aérea Gol, no aeroporto...

Fazenda dá primeiro passo para regulamentação do mercado de carbono

Secretaria do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda anuncia entidades selecionadas...

Indústria cresce 1,8% em janeiro, maior alta desde junho de 2024

A produção industrial brasileira registrou crescimento de 1,8% em janeiro de 2026...