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TCDF analisa prejuízo da operação Master/BRB aos aposentados do DF

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A Corte de Contas tem processo aberto para investigar prejuízos ao Fundo Solidário Garantidor por meio de ações do BRB transferidas ao Iprev

Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) investiga os riscos às aposentadorias dos servidores do Distrito Federal após os prejuízos provocados ao Banco de Brasília (BRB) nas operações com o Banco Master.

Processo aberto após representação do deputado distrital Max Maciel (PSol) busca respostas sobre eventual gestão temerária e omissão administrativa, especialmente no que se refere ao Fundo Solidário Garantidor (FSG). O processo está sob relatoria da conselheira Anilcéia Machado.

No processo, o TCDF avalia o processo de dilapidação do patrimônio do “caixa” dos aposentados do DF iniciado no governo de Rodrigo Rollemberg (PSB). A principal preocupação é com a chamada recomposição de quase R$ 1,3 bilhão retirado do fundo por meio da transferência de ações do BRB pertencentes ao GDF para o patrimônio do Iprev.

Os papéis, segundo avaliação feita à época pelo GDF, valiam R$ 531,4 milhões. Hoje, essas mesmas ações, impactadas pela depreciação sofrida com o caso do Banco Master, são avaliadas em cerca de R$ 406,5 milhões, segundo o último fechamento da Bolsa de Valores

Na segunda-feira (19/1), as ações do BRB (BSLI3) fecharam ao preço unitário de R$ 6,78. Ou seja: em números brutos, o prejuízo gira em torno de R$ 124,8 milhões só com a desvalorização dos papéis.

“A transferência de ações do BRB ao Iprev passou a integrar o patrimônio do Fundo Solidário Garantidor (LC 932/2017). Isso significa que o principal instrumento de sustentação atuarial do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) foi concentrado em um único ativo financeiro, aumentando o risco sistêmico do Fundo“, diz a representação analisada pelo TCDF.

No mesmo documento, argumenta-se que os “ativos previdenciários devem buscar segurança, solvência, liquidez e rentabilidade suficiente, com “adequado grau de diversificação”. “A concentração excessiva em ações de uma única instituição financeira, ainda mais em cenário de instabilidade, contraria esses princípios“, diz a representação.

Banco Master

Na representação, o parlamentar ressalta que a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master pelo Banco Central, em 18 de novembro de 2025, após a identificação de irregularidades graves e riscos de natureza sistêmica, caracteriza um evento extraordinário de risco financeiro impondo ao Poder Público a obrigação legal de avaliar de imediato seus potenciais impactos sobre as contas públicas e sobre os regimes previdenciários.

Uma década após o governo Rollemberg retirar o superávit do fundo dos aposentados e fazer recomposição em ativos sem liquidez e renda variável, o próprio instituto pede socorro.

Em seu último balanço, de novembro de 2025, o Iprev-DF declarou insuficiência financeira para pagamento de aposentadorias e pensões.

O instituto chegou a pedir, em 2025, crédito suplementar para pagar os aposentados. E projetou “insuficiência financeira” de R$ 617 milhões.

O Fundo Solidário Garantidor (FSG), reserva na qual estão 44 imóveis cedidos pelo GDF e as ações do BRB incorporadas ao patrimônio em 2017, serão novamente a fonte de socorro para esses momentos de déficit, conforme lei aprovada na Câmara Legislativa do DF.

O risco crescente, hoje, é de o Iprev não fechar as contas, o que ameaça a sustentabilidade do Regime Próprio de Previdência Social do DF e a subsistência dos mais de 75.861 mil aposentados e pensionistas que recebem recursos mensais do instituto.

Em dezembro de 2025, o plenário do TCDF determinou à Secretaria de Estado de Governo do Distrito Federal (Segov-DF), ao Iprev e ao BRB que apresentem os esclarecimentos e documentos que serão analisados pelo corpo técnico do tribunal.

Pedido de CPI

O deputado distrital Ricardo Vale (PT) também pediu explicações ao Iprev sobre os prejuízos aos aposentados. “As operações malsucedidas do BRB reduzem dividendos, afetam diretamente o caixa do Iprev e podem comprometer o pagamento dos benefícios aos aposentados”, afirma o parlamentar.

Por isso, Ricardo Vale pediu dados sobre os prejuízos, as formas de recuperação desses recursos e os impactos no balanço do banco. “Até agora, essas informações não foram esclarecidas, o que reforça a urgência de uma CPI na CLDF”, disse o petista.

A reportagem do Metrópoles entrou em contato com o Iprev, mas não obteve resposta até a última atualização desta matéria. O espaço permanece aberto.

Com informações do portal Metrópoles

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