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Dengue: especialistas alertam sobre risco de nova epidemia

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Apesar da redução histórica de 97% nos registros, pesquisadores reforçam a importância da vacinação e das ações preventivas para evitar surto no próximo ciclo do Aedes aegypti, que começa nos últimos meses do ano

Mesmo com uma queda histórica de 97% nos casos de dengue no Distrito Federal este ano, o alerta dos especialistas é claro: não é hora de baixar a guarda. O vírus, que segue um ciclo bienal, deve voltar com força entre o fim de 2025 e o início de 2026, quando termina a imunidade cruzada de boa parte da população infectada no surto do ano passado. Até junho, o DF registrou 6.930 casos prováveis, contra 266.346 no mesmo período de 2024, segundo o Ministério da Saúde. Entre janeiro e fevereiro, a redução foi de 97,3%, alinhada à tendência nacional de queda de 69,25% nos registros. Mesmo assim, autoridades reforçam que a calmaria pode ser apenas passageira.

O professor de estatística da Universidade de Brasília (UnB) Breno Adaid lembra que, no ciclo da dengue, o tempo de reação é curto. “Prevenção de focos e muita fiscalização precisam acontecer antes das chuvas. Depois que começar, já era”, alerta. Ele explica que o comportamento da curva de casos em outubro e novembro será decisivo para projetar o próximo ciclo. Se subir cedo e rápido, o risco é de uma nova onda agressiva. Se for tardia, teremos uma oscilação não tão agressiva. “Em resumo, os casos não podem estourar no fim do ano, pois ainda teremos muitos meses de chuva e eles só subirão mais. Mas se eles subirem tardiamente, teremos uma pequena onda”, afirma o professor.

Vacinação

Para além do controle vetorial, a vacinação também é vista como aliada da luta. Até junho de 2025, foram aplicadas 263.132 doses no DF, mas a cobertura ainda está longe da meta de 90% para a primeira dose. A adesão é maior entre crianças de 11 anos, que atingiram 67,6% na D1, mas a taxa de abandono é grande, chegando a 64% entre os de 10 anos. A baixa procura pela segunda dose mantém grande parte do público-alvo sem imunização completa, o que tem deixado brechas para a circulação do vírus.

A infectologista Emy Akiyama Gouveia, reforça que a faixa etária de 10 a 14 anos, escolhida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) para a vacinação contra a dengue, foi definida com base em dados epidemiológicos. “Essa foi a faixa que, dependendo do município, apresentava as maiores taxas de hospitalização”, explica. Fora dessa faixa etária, a vacina não está disponível no SUS, mas pode ser aplicada na rede privada. “Toda vacina que esteja disponível, seja na rede pública ou privada, é sempre importante e válida. Uma pessoa que tenha condições de buscar a imunização particular deve fazê-lo, porque ela previne as formas graves e óbitos, especialmente em quem já teve dengue”, orienta. Ela ainda ressalta que a indicação é de pessoas de 4 a 60 anos de idade, pois, para essa população, existem estudos. “Para as outras idades, ainda não há indicação”, afirma.

A mãe, Suzana Dias, 57 anos, conta que o filho Miguel, de 13, recebeu as duas doses da vacina contra a dengue. “Ele tomou a primeira aos 12 anos e a segunda aos 13. Decidimos vaciná-lo porque houve muita repercussão na tevê sobre os casos de dengue em Brasília. Mesmo morando em Águas Claras (área com poucos casos), levamos ele para se vacinar. Miguel está com todas as vacinas em dia e sempre que surgem campanhas, aproveitamos para levá-lo. A primeira dose foi aplicada no posto de saúde de Águas Claras, e a segunda, em Taguatinga”. Suzana também comenta que a Secretaria de Saúde enviou uma mensagem pelo WhatsApp avisando sobre o momento da segunda dose.

Novas tecnologias

O período de seca é considerado o momento mais estratégico para combater a dengue, antes da chegada das chuvas, quando a proliferação do Aedes aegypti se intensifica. E a empresária Eliane Raye sabe bem o quanto a doença pode afetar a saúde. Entre 2022 e 2023, ela enfrentou dois episódios de dengue comum e, em 2019, teve a forma hemorrágica. “Tudo sangra, você não consegue se locomover. Quando tive a hemorrágica, não havia testes rápidos, demoraram para entender o que eu tinha”, relembra. A experiência fez com que ela mudasse a rotina e adotasse hábitos de prevenção dentro de casa. “A gente sempre acha que é com o vizinho. Então comecei a estudar e ler mais sobre, para prevenir e evitar pegar novamente. Lá, no condomínio onde moro, no Cruzeiro, converso com as pessoas quando vejo uma situação de risco”, relata.

Diante do cenário atual, o GDF intensificou as visitas domiciliares dos agentes de vigilância e o tratamento de focos. De acordo com o subsecretário de Vigilância à Saúde, Fabiano dos Anjos, as ações incluem estações exterminadoras de larvas, armadilhas de monitoramento e o uso de drones e aplicativos para mapear áreas em situações críticas.

Uma das novidades é a adoção do método Wolbachia, testado em cidades como Niterói e Belo Horizonte, que utiliza mosquitos Aedes aegypti infectados com uma bactéria capaz de impedir a reprodução do vírus no organismo do inseto. Em parceria com o Ministério da Saúde, a previsão é de que as solturas comecem nas próximas semanas. “A proposta é fazer a substituição dos mosquitos que estão com a bactéria por aqueles mosquitos que não estão. Vai chegar um momento em que vai ter mais mosquitos com ela que sem, e assim, a gente consegue diminuir a transmissão no Distrito Federal”, explica Fabiano.

Ele lembra que os ovos do mosquito podem sobreviver por até 400 dias em locais secos, aguardando o contato com a água para eclodirem. Por isso, a população deve aproveitar a estiagem para eliminar recipientes que acumulem água e limpar calhas, telhados e recipientes de animais. “Basta retirar 10 minutos na semana para inspecionar a casa e evitar criadouros. São medidas simples que recomendamos e fazem diferença”, orienta.

Com informações do Correio Braziliense

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