Em 2011, a agricultora japonesa Ayako Oga deixou a província de Fukushima após o derretimento de três reatores da usina de Fukushima Daiichi, desastre que espalhou material radioativo pelo leste do Japão e forçou a evacuação de mais de 160 mil pessoas. Oga se estabeleceu em Niigata, na costa oeste do país, região poupada da contaminação e que recebeu milhares de deslocados.
Em Niigata, Oga analisou o solo, constatou níveis seguros de radiação e voltou a plantar. Passou a cultivar vegetais em um pequeno terreno e a vender o excedente em feiras locais. Quinze anos após o terremoto de magnitude 8,9 e o tsunami que provocaram o acidente nuclear, ela diz ter reconstruído a vida, mas voltou a sentir medo com a retomada da energia nuclear na região.
Nesta quarta-feira (21), a Tokyo Electric Power (Tepco) religou o reator 6 do complexo de Kashiwazaki-Kariwa, uma das maiores usinas nucleares do mundo, localizada a cerca de 65 quilômetros da casa de Oga. O reinício havia sido adiado por um dia após a falha de um alarme de segurança em testes preliminares.
Autoridades e analistas defendem que a energia nuclear é estratégica para o Japão, que busca fontes livres de carbono para sustentar indústrias de semicondutores e data centers ligados à inteligência artificial, além de conter o custo da eletricidade e reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados. O reator reativado tem capacidade para abastecer mais de 1 milhão de residências, principalmente na região metropolitana de Tóquio.
Para moradores locais, porém, o retorno simboliza uma troca desigual. Oga afirma que áreas rurais continuam assumindo riscos para garantir energia aos grandes centros urbanos. Segundo ela, o reinício da usina marca o começo de uma nova fase de vigilância constante, semelhante à vivida antes do desastre de Fukushima.
Antes de 2011, a energia nuclear respondia por cerca de 30% da eletricidade japonesa. Desde então, a retomada tem sido lenta: apenas 15 dos 33 reatores operacionais voltaram a funcionar, em razão de exigências rigorosas de segurança e da resistência de governos locais. Em Kashiwazaki, o prefeito Masahiro Sakurai autorizou o religamento após o cumprimento dos padrões da agência reguladora, mas a oposição local persiste.
O Japão enfrenta dificuldades para expandir rapidamente fontes renováveis, como energia solar e eólica offshore. Atualmente, cerca de dois terços da matriz energética do país ainda dependem de gás natural e carvão importados, que custaram quase US$ 70 bilhões no ano passado. Diante desse cenário, especialistas como Tatsuya Terazawa, presidente do Instituto de Economia da Energia do Japão, avaliam que a energia nuclear é, hoje, a única alternativa viável para cumprir as metas de neutralidade de carbono.
Pesquisas recentes indicam, pela primeira vez desde 2011, maioria favorável à reativação de reatores. O governo japonês pretende elevar a participação nuclear para cerca de 20% até 2030, ante menos de 10% atualmente.
Apesar do avanço, a desconfiança em relação às operadoras, especialmente a Tepco, segue como principal obstáculo. Em Niigata, autoridades condicionaram o aval definitivo à construção de rotas de evacuação reforçadas, ainda incompletas. Pesquisas locais apontam que a maioria da população considera as condições insuficientes para o reinício e manifesta preocupação com a gestão da empresa, alvo de críticas por falhas antes e depois do desastre de Fukushima.
A Tepco afirma ter realizado reuniões com moradores e prometeu investir mais de US$ 600 milhões na província ao longo da próxima década. Em nota, a companhia disse reconhecer a ansiedade da população e garantiu que atuará para reforçar a segurança da usina de Kashiwazaki-Kariwa.
Com informações do Jornal de Brasília
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