Casa Economia Contrários ao fim da escala 6×1, empresários se mobilizam para o contra-ataque
Economia

Contrários ao fim da escala 6×1, empresários se mobilizam para o contra-ataque

Compartilhar
Compartilhar

A estratégia, que desafia o governo e a classe trabalhadora, inclui campanhas públicas para destacar possíveis impactos negativos da alteração na jornada

247 – Associações empresariais, representantes do setor produtivo e frentes parlamentares têm se mobilizado para que a votação sobre o fim da escala 6×1 — modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho e um de descanso — seja adiada para depois das eleições. A estratégia inclui a elaboração de estudos técnicos e campanhas públicas para destacar possíveis impactos negativos da alteração na jornada.

As informações foram publicadas neste domingo (22) pelo jornal Folha de S.Paulo, que relata articulações em curso para frear a tramitação da proposta no Congresso Nacional. Segundo o jornal, empresários avaliam alternativas como a desoneração da folha de salários ou a autorização para pagamento por hora trabalhada como caminhos para mitigar eventuais efeitos da mudança.

A PEC 148/2015 foi aprovada no dia 10 de dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara, com voto favorável de, pelo menos, 49 senadores e 308 deputados.

Projetos

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso um projeto de lei que trata do fim da escala 6×1. Paralelamente, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), analisa a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) e outros parlamentares após a repercussão do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) – a proposta de emenda à Constituição estabelece jornada semanal de 36 horas, distribuída em quatro dias de trabalho e três de descanso.

Outra iniciativa em debate é a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê a redução gradual da jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos, sem corte salarial. O texto ainda aguarda a indicação de relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.

Também tramita o Projeto de Lei 67/25, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que fixa limite de 40 horas semanais para todas as categorias profissionais. Pela proposta, a carga horária cairia das atuais 44 horas para 42 em 2027 e para 40 em 2028.

Setor empresarial

Entidades empresariais defendem que o tema não seja votado sob influência do calendário eleitoral. O presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Vander Costa, afirmou que o assunto precisa ser discutido com cautela. “A ideia não é atrasar. É discutir no tempo certo, sem afogadilho. O que a gente não defende é votação rápida com finalidade eleitoreira”, declarou.

Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também defendeu a separação entre debate técnico e disputas políticas. A entidade sustentou ser necessário “separar o debate técnico do calendário eleitoral”. Acrescentou ainda que “o que a instituição pede, com a serenidade e responsabilidade de quem pensa no longo prazo, é que o debate seja elevado, orientado por evidências e compromisso com resultados duradouros”.

O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, informou que estuda encomendar pesquisa para avaliar se trabalhadores manteriam apoio à redução da jornada caso conhecessem os possíveis impactos econômicos. “É muito difícil você propôr que alguém trabalhe menos e essa pessoa ser contra, mas não está claro para ninguém o impacto pesado e grave para o custo dos serviços”, afirmou.

Argumentos a favor e contra a mudança

Defensores do fim da escala 6×1 argumentam que a ampliação do tempo livre pode melhorar a qualidade de vida e elevar a produtividade, ao aumentar a satisfação dos trabalhadores. Já críticos sustentam que a redução da jornada pode elevar custos para empregadores, pressionar preços e impactar a competitividade de setores intensivos em mão de obra.

O debate segue em curso no Congresso Nacional, com diferentes propostas em tramitação e pressão de diversos segmentos da sociedade, enquanto a definição sobre o calendário de votação permanece em aberto.

Pesquisas

Divulgada em 11 de fevereiro, a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6 x 1. Em julho de 2025, a pesquisa Genial/Quaest revelou que 70% dos parlamentares rejeitam a proposta de jornada de quatro dias semanais.

Com informações do Brasil 247

Quer ficar por dentro do que acontece em Brasília, no Brasil e no mundo? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Artigos Relacionados

Petróleo sobe 28% na semana

Tensão em Ormuz faz preço do barril tipo Brent, utilizado como referência...

Lula diz que Brasil tem ‘segurança jurídica’ para investimentos

Presidente participou da inauguração do hub da empresa aérea Gol, no aeroporto...

Fazenda dá primeiro passo para regulamentação do mercado de carbono

Secretaria do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda anuncia entidades selecionadas...

Indústria cresce 1,8% em janeiro, maior alta desde junho de 2024

A produção industrial brasileira registrou crescimento de 1,8% em janeiro de 2026...