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Atraso em medicamento afeta tratamento de esclerose múltipla no DF

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Pacientes do DF e outros estados relatam atrasos de meses para remédio de alto custo disponibilizado pelo SUS

Pessoas com esclerose múltipla enfrentam atrasos para obter medicamentos imunossupressores, necessários para o tratamento da doença. Pacientes do Distrito Federal e de outros estados do Brasil que precisam da cladribina, remédio incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) relatam que o medicamento não chega às farmácias de alto custo, e consequentemente, a quem precisa.

Moradora do Distrito Federal, a aposentada Helena dos Santos Costas, de 55 anos, relata os efeitos da espera. Diagnosticada com esclerose múltipla em 2003, ela fazia uso do medicamento Natalizumabe desde 2019. Esse remédio intravenoso é aplicado em hospital público.

Por indicação médica, em setembro de 2025, Helena foi orientada a mudar o tratamento para a cladribina. O pedido foi feito conforme o protocolo: prescrição médica e entrada na farmácia de alto custo.Play Video

“O pedido foi autorizado, mas o medicamento não aparece”, relata. “Eu dei entrada em agosto e até hoje não recebi. Enquanto isso, uma paciente que deu entrada em setembro acabou de receber. Não existe lógica nisso”, comentou.

Helena participa de grupos com pacientes de outros estados, como Minas Gerais (MG) e Rio Grande do Sul (RS), e afirma que o problema é nacional.

“Tem mais de 30 pessoas sem a medicação. Algumas estão completamente sem tratamento desde setembro.”

Segundo ela, a cladribina é adquirida por compras periódicas de alto custo. “É uma compra trimestral. Não faz sentido comprar para poucos pacientes. A gente fica à mercê do sistema, sem saber onde a medicação está.”

A presidente da Associação de Pessoas com Esclerose Múltipla e Doenças Raras (ApeMigos), Ana Paula Morais diz que alguns pacientes do Distrito Federal já fazem uso da cladribina, mas não tem recebem a medicação em tempo hábil.

“O Ministério da Saúde fez a compra, a medicação está disponível, mas não chega ao paciente com agilidade”, destaca.

A esclerose múltipla é uma doença neurodegenerativa e pode se tornar progressiva.

“Cada surto pode gerar sequelas irreversíveis. Existe uma frase muito usada entre neurologistas e pacientes: tempo é cérebro. Quanto mais tempo sem o medicamento, maior o risco de perda cognitiva e física”, destaca Ana Paula.

Na última sexta-feira (16/1), Helena foi informada pela farmácia que o remédio teria chegado e a entrega foi agendada para 22/1. No entanto, ela destaca que muitos outros pacientes estão sem acesso ao remédio.

“Faltam ainda muitos pacientes na espera e sem respostas”, finalizou.

O que dizem os responsáveis

Em nota, o Ministério da Saúde comunicou o envio de 700 unidades do medicamento ao Distrito Federal no dia 15 de janeiro, conforme demanda da Secretaria de Saúde. “Cabe à gestão local a distribuição aos pontos de dispensação”.

A pasta alegou ainda oferecer as opções de alentuzumabe, betainterferona, cladribina, fingolimode, fumarato de dimetila e natalizumabe para tratamento de Esclerose Múltipla, e que a alternativa mais adequada deve ser realizada exclusivamente por médico que acompanhe o quadro clínico do paciente.

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) confirmou o recebimento do lote complementar de cladribina no dia 15 de janeiro, a fim de regularizar as entregas que foram impactadas desde novembro do ano passado.

A pasta complementou que, para garantir agilidade e minizar tempo de espera, o abastecimento de farmácias e unidades de saúde foi iniciado imediatamente após o recebimento.

“A SES-DF reitera seu compromisso com a continuidade da assistência farmacêutica e permanece em diálogo constante com o Governo Federal para a regularização dos fluxos de suprimentos”, finalizou.

Com informações do Metrópoles

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