Em sua terceira edição, a Marsha Trans Brasil ocupa o centro de Brasília no domingo (25), em um contexto político considerado delicado para a população trans no país. Organizada pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e pelo Ibrat (Instituto Brasileiro de Transmasculinidades), a manifestação político-cultural tem concentração em frente ao Congresso Nacional, a partir das 13h, seguida por uma caminhada até o Museu Nacional da República. Entre as participações confirmadas estão a deputada federal Erika Hilton e a cantora Pepita.
Para a presidenta da Antra, Bruna Benevides, a Marsha chega à sua terceira edição mais consolidada politicamente. “Desde a primeira edição, conseguimos construir uma mobilização nacional trans como um espaço político reconhecido, com maior articulação entre estados, presença institucional e incidência direta no debate público. Hoje, somos mais organizadas e menos isoladas”, afirma. Apesar dos avanços, ela destaca que os desafios seguem sendo estruturais. “O Brasil continua liderando os assassinatos de pessoas trans, há subnotificação, ausência de políticas específicas, avanço de projetos antitrans e omissão persistente do Estado na garantia de direitos básicos como saúde, trabalho, educação e segurança.”
Bruna Benevides. Foto: Divulgação
Para reverberar a voz da população transexual brasileira, a Marsha reúne pessoas trans da política, do ativismo e da cultura, além de caravanas vindas de diversos estados. Estão confirmadas as presenças da cantora Pepita; da deputada federal Erika Hilton (SP); das deputadas estaduais Linda Brasil (SE) e Dani Balbi (RJ); e das vereadoras Amanda Paschoal (São Paulo), Juhlia Santos (Belo Horizonte) e Natasha Ferreira (Porto Alegre). Como aliados da causa trans, participam a deputada federal Erika Kokay (DF) e o deputado distrital Fábio Felix (DF), além de representantes de ministérios do governo federal.
Segundo Bruna Benevides, a Marsha vai além da denúncia simbólica e atua como instrumento de pressão política concreta. “Ela produz visibilidade qualificada, constrange autoridades, entrega reivindicações objetivas e cria agenda pública. A partir dela, pautamos reuniões com ministérios, parlamentares e órgãos do sistema de justiça, cobramos dados oficiais, políticas de prevenção à violência, financiamento de ações e implementação de compromissos já anunciados. Sem pressão organizada, não há política pública efetiva”, ressalta.
Foto: Divulgação
A manifestação tem como eixo central o enfrentamento ao genocídio de pessoas trans e travestis e a garantia do direito à vida. A organização defende o direito ao nome, à identidade de gênero e ao reconhecimento legal pleno, além da imediata publicação do Paes Pop Trans (Programa de Atenção à Saúde da População Trans). As pautas incluem ainda a permanência de estudantes trans na educação, com a implementação de cotas em universidades, institutos federais e concursos públicos, além de programas de acesso e qualificação para o mercado de trabalho formal.
Outros pontos abordados são o enfrentamento à transfobia no sistema de Justiça e na segurança pública, a proteção de pessoas trans em contextos de migração e refúgio, o combate à agenda antitrans e a valorização do acúmulo histórico dos movimentos sociais trans como base para soluções políticas.
Bruna também destaca a importância da combinação entre ativismo, cultura e política na programação do evento. “A cultura comunica onde o discurso institucional não alcança, o ativismo organiza e a política transforma em norma e orçamento. Separar essas dimensões fragiliza a luta. Juntas, elas ampliam alcance, engajam diferentes públicos e reafirmam que pessoas trans não são só estatística ou alvo de violência, mas produtoras de cultura, pensamento e projeto político.”
Programação
A edição 2026 da Marsha Trans, grafada assim em homenagem a Marsha P. Johnson, referência trans global, tem como tema “Brasil soberano é país sem transfobia”. Para Bruna Benevides, a mensagem é direta. “Não existe soberania sem direitos humanos. Um país que permite a eliminação sistemática de pessoas trans é um país frágil democraticamente. Para a sociedade, afirmamos que transfobia mata e não é opinião. Para gestores públicos, dizemos que omissão também é responsabilidade. Enfrentar a transfobia não é pauta identitária, é obrigação de Estado.”
No dia 24 (sábado), acontece a Jornada Ibrat, às 9h, e o Bailinho Trans, às 15h. No domingo (25), a concentração para a Marsha começa às 13h, em frente ao Congresso Nacional, com caminhada às 17h, seguida por show da cantora Pepita e apresentações de DJs no Palco Marsha Trans Brasil, a partir das 19h, na área externa do Museu Nacional da República. O dia se encerra com o after da Marsha, com karaokê, no Lah no Bar.
Na segunda-feira (26), são realizados o Fórum Nacional de Marchas Trans, às 9h, e o Fórum Nacional de Transmasculinidades Negras e Periféricas, às 10h. À tarde, às 14h, ocorre o Seminário Ativismos e Famílias em Defesa das Juventudes Trans. Às 17h, é celebrada a Visibilidade Trans Nacional no Ministério dos Direitos Humanos, e às 18h acontece o lançamento do Dossiê da Antra 2026, que reúne dados sobre violências cometidas contra a população trans em todo o Brasil.
Marsha Trans Brasil 2026
Data: Domingo, 25 de janeiro de 2026
Horário: Concentração às 13h | Caminhada às 17h | Shows a partir das 19h
Local: Em frente ao Congresso Nacional (concentração) e área externa do Museu Nacional da República (shows)
Atrações: Caminhada da Marsha Trans Brasil, show de Pepita e apresentações de DJs
Entrada: Gratuita
Com informações do Jornal de Brasília
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