Casa Economia Medidas do governo fazem arrecadação federal bater recorde
EconomiaReceita federal

Medidas do governo fazem arrecadação federal bater recorde

Compartilhar
Compartilhar

Projetos aprovados no ano passado para engordar o caixa do governo explicam receitas de R$ 282 bilhões no primeiro mês

A arrecadação federal de impostos e contribuições federais somou R$ 280,64 bilhões em janeiro. O valor é recorde da série histórica, uma alta real de 6,67% em relação ao mesmo mês de 2023.

Segundo os dados divulgados pela Receita Federal, esse é o maior valor para todos os meses da série histórica, descontada a inflação. Os números eram bastante aguardados por conta da expectativa quanto à capacidade efetiva das medidas de arrecadação implementadas pelo governo federal durante o ano passado resultarem em elevação das receitas.

Essas medidas são a principal aposta do Executivo para melhorar o resultado primário neste ano e perseguir a meta de deficit fiscal zero neste ano. Contribuiu consideravelmente para o recorde, a tributação de fundos exclusivos — uma das medidas arrecadatórias aprovadas no ano passado — que rendeu R$ 4,1 bilhões aos cofres do governo em janeiro. Outro fator que engordou a arrecadação em janeiro foi a retomada da tributação integral sobre os combustíveis.

  • grafico arrecadacao federal grafico arrecadacao federaleditoria de arte

Outro ganho se deve às receitas previdenciárias, que subiram 7,58%. A alta é explicada pela melhoria no mercado de trabalho, com ganhos de 2,55% da massa salarial. O limite colocado às compensações de créditos tributários, outra medida aprovada pelo governo no ano passado, também colaborou para a melhor performance da arrecadação. Também houve alta no pagamento de impostos incidentes sobre a rentabilidade de empresas, especialmente por instituições financeiras.

A arrecadação foi consideravelmente maior que as expectativas coletadas no início de janeiro pelo Prisma Fiscal, publicado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), que projetava R$ 262,8 bilhões. “Parte dos ganhos de receita observados em janeiro, no entanto, é transitória”, destacou Felipe Salto, economistachefe da Warren Investimentos. “A taxação de fundos exclusivos rendeu R$ 4,1 bilhões decorrentes da incidência de tributos sobre estoque, sendo já a segunda de quatro parcelas pagas. Essa fonte de arrecadação, em consequência, deve esgotar seus efeitos em março”, afirmou.

Ao detalhar os número, o chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, disse que parte do crescimento da arrecadação em janeiro é estrutural, mas que é preciso ainda aguardar a finalização do trimestre por conta de ajustes, especialmente na tributação de empresas. “Foi contabilizado agora somente a taxação dos fundos exclusivos, ainda veremos entrar as receitas dos offshores. Há um prazo para aderirem à regulação, então temos que esperar o próximo mês para contabilizar os contribuintes que já regularizaram sua situação. Por enquanto, ainda está dentro do prazo”, mencionou.

A arrecadação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que, em conjunto, cresceram 1,24%, contou com recolhimentos atípicos da ordem de R$ 4 bilhões no mês de janeiro, frente a R$ 3 bilhões no mesmo mês do ano passado.

O economista Murilo Viana, consultor sênior da GO Associados, ponderou que ainda é muito cedo para saber se o bom comportamento da receita em janeiro irá perdurar ao longo de todo o ano. “Tivemos um deficit primário muito elevado em 2023, mesmo que excluindo fatores atípicos como o pagamento de precatórios. Além do mais, 2024 também é um ano eleitoral e, como todo ano eleitoral, haverá pressão por maiores gastos. Vale ver a pressão do próprio Congresso Nacional para recompor o orçamento para emendas parlamentares, como as de comissões”, avaliou.

Viana alertou ainda que é necessário estar atento à nova queda de braço entre a equipe econômica e o Legislativo para garantir essa arrecadação, como a MP 1.202, de dezembro de 2023, relativa à desoneração da folha de pagamentos; o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) e a limitação de compensações de Créditos Decorrentes de Decisões Judiciais. “Esse é, sem dúvida, o novo foco de arrecadação do governo. Irá exigir muita negociação com o Congresso para viabilizar uma solução em que seja possível, politicamente, a aprovação”, acrescentou o economista.

No início de fevereiro, em entrevista coletiva, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, já havia antecipado que o resultado da arrecadação de janeiro seria “muito bom” e se disse feliz pelos super ricos estarem pagando o Imposto de Renda. “É uma alegria muito grande a gente ver que finalmente alguns contribuintes estão tendo essa oportunidade de contribuir com o Estado brasileiro pagando Imposto de Renda”, disse Barreirinhas à época. 

Com informações do Correio Braziliense

Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.

Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.

Compartilhar
Compartilhado por
Jeová Rodrigues

Jornalista

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Artigos Relacionados

Preço do barril do petróleo ultrapassa os US$ 100 após alta de 16,8%

O preço do barril de petróleo tipo brent – referência internacional, ultrapassou os US$...

Petróleo sobe 28% na semana

Tensão em Ormuz faz preço do barril tipo Brent, utilizado como referência...

Lula diz que Brasil tem ‘segurança jurídica’ para investimentos

Presidente participou da inauguração do hub da empresa aérea Gol, no aeroporto...

Fazenda dá primeiro passo para regulamentação do mercado de carbono

Secretaria do Mercado de Carbono do Ministério da Fazenda anuncia entidades selecionadas...