
Entenda como agia quadrilha chefiada por casal que furtava celulares em shows
PCDF prendeu, ontem, integrantes de quadrilha voltada ao furto de smartphones e que agia em eventos de grande aglomeração. Investigador orienta sobre cuidados para evitar a ocorrência e ações a serem tomadas após a perda do aparelho
Uma ocorrência de furtos em massa de aparelhos celulares em um show de uma banda de rock internacional realizado em abril do ano passado em Brasília colocou o holofote da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) sobre uma quadrilha especializada nesse tipo de crime. Em um esquema robusto de atuação, os criminosos se intitulavam como “Tropa do arranca” e escolhiam eventos que reuniam público de alto poder aquisitivo para colocar o plano em ação. Ontem, oito membros desse grupo foram presos e 63 smartphones foram recuperados. O delegado Tiago Carvalho, da Divisão de Repressão a Roubos e Furtos II da Coordenação de Repressão aos Crimes Patrimoniais (DRF 2/Corpatri), alerta para o fato de os smartphones terem se tornado alvo de grupos interessados em lucrar além da venda dos objetos.
O servidor público Leonardo Matos, 39 anos, sentiu na pele o que é ter o celular furtado. Em um carnaval, ele estava acompanhado de outros amigos em um bloquinho, na área central de Brasília, quando teve o aparelho furtado por um grupo. O servidor relata que chegou a guardar o aparelho em uma doleira com medo de assaltos, mas foi vítima mesmo assim.
“Nós percebemos um movimento estranho de quatro, cinco pessoas. Eu só senti uma puxada e, quando olhei, era um grupo. Não dava para ver quem tinha sido a pessoa. Eles foram depois se despistando na multidão”, afirmou ao Correio. Ao registrar boletim de ocorrência na delegacia, no mesmo dia, Leonardo percebeu que não havia sido a única pessoa furtada.
No carnaval deste ano, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), 67% das 364 ocorrências registradas nos cinco dias de folia estiveram relacionadas a furtos de celulares. De acordo com Tiago Carvalho, esse tipo de crime vai além de simplesmente revender o aparelho. “O celular, hoje, é um objeto de luxo e carteira digital. Os fenômenos criminais vão se modificando, e os criminosos veem o que está lucrando mais. Em um roubo a banco, por exemplo, o cara não quer correr o risco de invadir uma agência bancária, armado e sujeito a uma pena alta ou até mesmo morrer em um confronto policial. Com um celular roubado, ele consegue, às vezes, ter acesso até à conta da vítima, ao cartão de crédito etc.”, explicou. O delegado também sinalizou que aqueles que compram aparelhos roubados estão sujeitos a responder por esse furto.
Como forma de prevenção, principalmente em casos de show ou evento de grande aglomeração, o ideal é que os celulares fiquem guardados em bolsos internos ou frontais. Guardar em bolsas ou mochilas pode ser um risco, uma vez que os assaltantes têm mais acesso ao objeto.

Aplicativo de segurança
Em caso de furto, roubo ou perda do aparelho telefônico, uma alternativa é o aplicativo Celular Seguro, do governo federal, que permite ao cidadão, por meio do IMEI do aparelho, comunicar de forma eficiente e ágil as ocorrências de roubos e furtos de celulares, permitindo que as operadoras e instituições financeiras possam bloquear chamadas e movimentações financeiras. Quase 2 milhões de pessoas já se cadastraram no sistema, lançado em dezembro do ano passado.
Após o usuário registrar a ocorrência pelo aplicativo ou pelo site do projeto, os bancos e a operadora telefônica do usuário recebam um alerta e bloqueiem o acesso remoto às contas bancárias e o acesso a rede celular do aparelho. Segundo dados obtidos em primeira mão pelo Correio por meio do Ministério da Justiça, até ontem haviam 1.980.292 usuários cadastrados, 1.567.689 telefones cadastrados, 1.393.392 pessoas de confiança cadastradas e 43.036 alertas de bloqueio. Nesse período, o DF teve um total de 1.284 bloqueios.
O projeto é uma iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e contou com a colaboração da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), prestadoras de telecomunicações, instituições financeiras afiliadas à Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e entidades privadas.
Investigações
Mais de 300 policiais civis participaram da operação Pickpocket, desencadeada pelos investigadores da DRF 2/Corpatri. Ontem, o agentes estiveram em 52 endereços ligados aos alvos para cumprir os mandados de busca e apreensão, em Ceilândia, Sol Nascente, Taguatinga, Águas Claras, Vicente Pires, Samambaia, Recanto das Emas, Riacho Fundo II, Águas Lindas de Goiás, Alexânia (GO) e São José do Rio Preto (SP). Os presos na operação de ontem vão responder por furto, furto qualificado mediante fraude, roubo, estelionato, organização criminosa, receptação e receptação qualificada. Os aparelhos apreendidos vão passar por perícia para a análise dos elementos e possível identificação de mais integrantes da quadrilha.
As investigações começaram em abril do ano passado, logo após o show internacional. Milhares de pessoas no Estádio Mané Garrincha, concentradas, celulares a postos para filmar os músicos e luminosidade baixa. Condições ideais para a “Tropa do arranca” fazer um verdadeiro arrastão. A partir das ocorrências de furtos ocorridos no dia do evento, a polícia desmembrou o rol de apurações e descobriu um esquema muito mais profundo, com divisão de tarefas e dezenas de pessoas envolvidas.
Ao menos 32 pessoas integravam a quadrilha, segundo a PCDF. Entre elas, estavam um homem e uma mulher, identificados como Wendel e Tayane, e apontados como chefes do esquema. Eram eles que escolhiam e cooptavam os outros membros e definiam em quais eventos os criminosos agiriam e mexiam com toda a área financeira do dinheiro que resultavam dos crimes, tais como o pagamentos aos encarregados pelo serviço.
Quadrilha que furtava celulares em shows e grandes eventos foi alvo de 52 mandados. Ontem, a PCDF prendeu dois líderes em BrasíliaPCDF/Reprodução
Celulares apreendidos pela PCDFPCDF/Divulgação
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Operação resultou na apreensão de 63 aparelhos celulares furtados pelos criminososPCDF/Divulgação
De acordo com a investigação, criminosos ostentavam dinheiro nas redes sociaisPCDF/Divulgação
Com informações do Correio Braziliense
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