Confederação Sul-Americana de Futebol mudou sede da final da Libertadores ou da Sul-Americana cinco vezes desde 2019. Candidata a substituir Lima em 29 de novembro, Brasília foi vítima em 2022
LUÍS MOREIRA*
A insegurança sobre o destino da final da Libertadores, em 29 de novembro, é mais um perrengue para a coleção da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) desde a adoção das finais únicas nos torneios. Depois de superar as candidaturas de Brasília e de Montevidéu, Lima entrou em estado de emergência por 30 dias. Diante do impasse, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, disponibilizou o Mané Garrincha como alternativa na última quarta-feira, em ofício enviado ao presidente Alejandro Domínguez.
O regulamento da Conmebol prevê a mudança da sede da final única da Libertadores caso o estádio originalmente designado não atenda aos requisitos mínimos de infraestrutura ou segurança. Mesmo que não haja cláusula que determine o retorno automático à cidade da edição anterior, ou seja, Buenos Aires, a entidade adotou esse critério na Sul-Americana deste ano. Santa Cruz de la Sierra receberia a final. Atrasos nas obras do Estádio Ramón Aguilera obrigaram a transferência para Assunção.
A Conmebol justificou a mudança em um comunicado oficial: “A nova escolha segue o protocolo estabelecido para finais únicas, que determina que, em caso de necessidade de mudança de local, a sede da edição anterior seja priorizada — por já contar com a infraestrutura e a experiência”, diz o documento sobre a Sul-Americana. Embora Brasília se apresente como possível solução, a final da Libertadores de 2024 foi em Buenos Aires, ou seja, em tese, o Monumental de Núñez teria a prioridade. Como há chance de uma sexta final brasileira consecutiva, a realização da decisão no país seria mais viável.
O Peru passa por um caos político com pedido de impeachment presidencial diante de escândalos de esquemas de corrupção e altas na criminalidade. A situação agravou-se com a morte do rapper Trvko durante manifestações contra a violência. Por enquanto, a Conmebol mantém Lima como anfitriã da final única entre Flamengo ou Racing e LDU ou Palmeiras (leia mais sobre a Libertadores na página 22).
Caso a decisão saia de Lima, será a sexta troca de cidade-sede ou de estádio desde 2019 — uma na Libertadores e quatro na Sul-Americana. Há seis anos, a capital peruana recebeu a decisão entre Flamengo e River Plate por acaso. Santiago era a escolhida, mas o Chile entrou em colapso, e a Conmebol recorreu a Lima como plano B. Foi necessário reunir representantes dos clubes finalistas, além das confederações nacionais e governamentais antes da oficialização da troca de sede.
Nas duas edições seguintes, as incertezas deixaram o campo político e se concentraram na questão sanitária. Em decorrência da pandemia da covid-19, a final de 2020, no Maracanã, ocorreu sem torcedores de Palmeiras ou Santos. No ano seguinte, em meio a pressões externas, a decisão em Montevidéu, no Estádio Centenário, recebeu capacidade máxima para o confronto entre Flamengo e Palmeiras, no Centenário.
As especulações sobre mudanças de sede voltaram a rondar a Conmebol a partir de 2022. O Monumental de Guayaquil, no Equador, havia sido definido palco da final. Meses antes, a entidade identificou que o estádio não atendia às exigências estruturais. No entanto, o local foi mantido. O episódio coincidiu com outra alteração: a final da Sul-Americana, que seria em Brasília, foi transferida para o estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, na Argentina, por causa da coincidência da decisão com as eleições gerais no Brasil.
A final do ano passado é uma exceção. Reformado, o Monumental de Núñez passou incólume e abrigou a conquista inédita do Botafogo contra o Atlético-MG. Não houve impasse em um estádio lotado e reformado recentemente para receber o evento. Houve cautela em relação à Copa Sul-Americana. A entidade anunciou em abril que a decisão seria em Assunção, no Paraguai, mas adiou a escolha da arena. Às vésperas das semifinais, escolheu La Nueva Olla, casa do Cerro Porteño, no Paraguai.
Neste ano, o padrão de instabilidade voltou a se repetir. A sede inicialmente prevista, Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, foi descartada após reprovação nas inspeções técnicas. A Conmebol optou por devolver a final à capital paraguaia, cenário da edição anterior.
A Copa Sul-Americana é mais vulnerável às trocas de última hora. Em 2019, a sede da final única era Lima, no Peru. A decisão migrou para Assunção. Em 2022, saiu de Brasília para Córdoba. Na temporada de 2023, o jogo do título saiu do Centenário, em Montevidéu, para a arena Domingo Burgueño, também no Uruguai, mas em Maldonado. Neste ano, Santa Cruz de la Sierra fracassou como anfitriã e será socorrida por Assunção.
Memória
Palcos das finais únicas
» Libertadores
2019 – Estádio Monumental (Lima)*
– A sede original era Santiago, no Chile
2020 – Maracanã (Rio)
2021 – Centenário (Montevidéu)
2022 – Monumental (Guayaquil)
2023 – Maracanã (Rio)
2024 – Monumental de Núñez (Buenos Aires)
2025 – Monumental (Lima)
» Sul-Americana
2019 – La Nueva Olla (Assunção)*
– A sede original era Lima, no Peru
2020 – Mário Kempes (Córdoba)
2021 – Centenário (Montevidéu)
2022 – Mario Kempes (Córdoba)*
– A sede original era Brasília
2023 – Domingo Burgueño (Maldonado)*
– A sede original era Montevidéu
2024 – La Nueva Olla (Assunção)
2025 – Assunção*
– A sede original era Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia
Estagiário sob a supervisão de Marcos Paulo Lima
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