Logo após aprovação na Câmara dos Deputados, o Senado Federal seguiu na mesma direção e derrubou o decreto presidencial que estabelecia alíquotas maiores do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para transações que envolvem câmbio, seguros e crédito para empresas. O resultado representa mais uma derrota no Congresso Nacional do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da equipe econômica, liderada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Em votação simbólica, apenas o Partido dos Trabalhadores (PT) e do líder do Partido Democrático Trabalhista (PDT) no Senado, Weverton Rocha, foram contrários à medida.
A votação da pauta foi incluída às pressas pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que em comunicado, afirmou que a decisão de votar o Projeto de Decreto Legislativo 214/25 ainda nesta quarta-feira (25/6) teria como base o cumprimento a um “compromisso político e institucional” firmado com a Câmara, que havia aprovado o projeto na mesma noite.
O decreto que estabelecia o aumento do IOF previa, inicialmente, uma arrecadação extra de R$ 61,5 bilhões em 2025 e 2026 aos cofres do governo. O objetivo era utilizar a medida para atingir a meta fiscal nos dois anos sem a necessidade de novos cortes no Orçamento federal. Apesar disso, o decreto sofreu resistência do setor produtivo e do Congresso Nacional, que iniciou a discussão sobre a derrubada do aumento tributário.
Mesmo após reuniões entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e os líderes do governo no Congresso, com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre, que, inclusive, chegaram a um consenso para publicar uma medida provisória que compensaria uma possível derrubada parcial do decreto do IOF, a pressão para extinguir os efeitos do aumento do Imposto sobre Operações Financeiras ficou ainda mais forte nos corredores do Congresso.
“Justiça tributária”
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), disse a jornalistas, após a votação, que o Congresso rompeu “unilateralmente” o acordo com Lula e a equipe econômica e voltou a defender a medida derrubada pelo governo, sustentando que ela traria “justiça tributária”, com a diminuição da sonegação de impostos.
“O governo vai procurar outras formas de suprir a receita que estava guardando. Não tem ainda uma posição do governo. A votação acabou agora, mas eu sou daqueles que acham que é um dia após o outro. Não tem sangria desatada, nem o mundo vai desabar”, disse Wagner.
O senador ainda destacou que acredita em um ambiente mais favorável para a votação da MP que compensa a derrubada do IOF e inclui medidas como o aumento de impostos sobre letras de crédito e a unificação de outros tipos de rendimento. “Eu acho que, como eles derrotaram o desejo do governo nessa matéria, eu imagino que nas próximas matérias teremos um clima mais sereno. Então, a MP deve ser votada”, acrescentou.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues (PT-AP) também saiu em defesa do decreto do IOF e do diálogo com os presidentes da Câmara e Senado na construção da MP. Além disso, citou os desafios fiscais como justificativa para a manutenção do projeto que foi derrubado na sequência.
“Esta medida visa ter um primeiro objetivo concreto, que é colocar a peça orçamentária deste ano de pé. É sustentar a peça orçamentária deste ano. Não se trata de uma medida para cobrar mais imposto. Se trata de uma medida para refletir com o Brasil e com os brasileiros quem é que tem que pagar mais imposto”, frisou.
Já o líder da minoria no Senado, Ciro Nogueira (PP-PI), criticou o aumento da carga tributária no país e disse que a sociedade brasileira “não aguenta mais pagar impostos”. “Eu espero que esse recado fique bem claro. Não é possível que em um orçamento de mais de R$ 1 trilhão, não se possa fazer economia, não tenha nada para ser cortado”, defendeu.
Problemas estruturais
O Centro de Liderança Pública (CLP) comentou que a derrubada do IOF já era esperada e considerou que o pacote anunciado pelo governo federal não enfrenta o crescimento das despesas obrigatórias, apesar de aliviar as contas no curto prazo.
“Sem rever de forma mais ampla os incentivos e a folha de pagamentos, corremos o risco de trocar fôlego imediato por um novo desequilíbrio adiante”, afirmou o diretor-presidente do CLP, Tadeu Barros.
A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) também defendeu a aprovação do PDL 214/2025, e considerou que a mudança representa um “avanço importante em prol da racionalidade tributária e da previsibilidade econômica no Brasil”.
“Trata-se de uma correção técnica necessária. O aumento da alíquota do IOF contrariava as melhores técnicas tributárias, além de impor ônus adicional ao crédito produtivo num momento em que a economia brasileira exige estímulos para crescer de forma sustentada”, afirma Flávio Roscoe, presidente da entidade.
Com informações do Correio Braziliense
Quer ficar por dentro do que acontece em Taguatinga, Ceilândia e região? Siga o perfil do TaguaCei no Instagram, no Facebook, no Youtube, no Twitter, e no Tik Tok.
Faça uma denúncia ou sugira uma reportagem sobre Ceilândia, Taguatinga, Sol Nascente/Pôr do Sol e região por meio dos nossos números de WhatsApp: (61) 9 9916-4008 / (61) 9 9825-6604.
-
Isenção do IR tem aprovação histórica na Câmara
Em votação unânime, deputados avalizam benefício para quem ganha até R$ 5 mil e taxa super-ricos. Texto segue agora para o Senado Depois de quase sete meses de tramitação, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil foi aprovada pelo plenário da Câmara, nesta quarta-feira à noite, por unanimidade: 493…
-
Motta aciona Itamaraty após Israel deter deputada em flotilha para Gaza
Luizianne Lins (PT-CE) estava com outros brasileiros em barco interceptado pela Marinha de Israel ao tentar levar ajuda humanitária para a Faixa de Gaza O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), declarou nesta quarta-feira (1º/10) que acionou o Ministério das Relações Exteriores assim que soube da detenção da deputada federal Luizianne Lins (PT-CE) pela Marinha de…
-
Governo descarta novo Concurso Unificado em 2026a
Em entrevista ao programa Bom dia, Ministra, Esther Dweck afirmou que, para o próximo ano, está prevista a convocação de excedentes de outros concursos em andamento Às vésperas da realização das provas da segunda edição do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU), no próximo domingo, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck,…
-
Quem pode ser responsabilizado nos casos de intoxicação por metanol
Especialistas apontam que toda a cadeia de fornecimento de bebidas pode ser responsabilizada por intoxicações por metanol, com sanções cíveis e criminais que vão de indenizações a penas de prisão Casos de intoxicação por metanol após o consumo de bebidas alcoólicas no estado de São Paulo têm gerado preocupação em todo o país. A substância…
-
Policiais penais do DF são alvo de operação que apura fraude em concurso
Cinco pessoas foram presas na manhã desta quinta-feira (2/10) em operação da Polícia Civil do DF A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (2/10), a terceira fase da operação Reação em Cadeia, que investiga fraudes no concurso da Polícia Penal do DF. A ofensiva foi conduzida pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor)…
-
Vorcaro: da vida de ostentação à rotina de presidiário
Dono do Banco Master cumpre, na penitenciária de Brasília, prisão preventiva ordenada pelo STF. Ele está no mesmo complexo de Marcola e outros líderes do PCC De uma vida de luxo e ostentação, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, passa a encarar agora a rotina de detento custodiado em um dos presídios de segurança…
-
Caso Master: Polícia Federal investigará vazamentos
Mendonça atende defesa de Vorcaro e determina apuração sobre divulgação de dados sigilosos do telefone do banqueiro O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal instaure inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, alvo da Operação Compliance Zero por fraude bancária e…
-
Petróleo sobe 28% na semana
Tensão em Ormuz faz preço do barril tipo Brent, utilizado como referência na maioria dos países, atingir US$ 92,72 O fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo extraído globalmente, impactou diretamente os preços da commodity na primeira semana após a decisão da Guarda Revolucionária do Irã,…








Deixe um comentário