Depois de vários movimentos ambíguos no tabuleiro eleitoral, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) enterrou, ontem, as possibiidades de disputar a corrida presidencial deste ano. Ao sair da visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no 19º Batalhão da Polícia MIlitar do Distrito Federal — a Papudinha —, anunciou que buscará a reeleição ao governo paulista. E que se engajará na campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Palácio do Planalto.
“A gente (ele e Bolsonaro) conversa sobre isso desde 2023, que meu interesse é ficar em São Paulo. Isso não tem controvérsia nenhuma, eu tenho uma linha de coerência. Tenho comprometimento ao estado de São Paulo. Sou grato ao estado de São Paulo”, frisou Tarcísio aos jornalistas que o aguardavam próximos à Papudinha e sob o olhar atento do vereador carioca Carlos Bolsonaro, que tentará uma cadeira no Senado por Santa Catarina.
Reforçou, ainda, que “nunca” teve como objetivo disputar uma eleição nacional. E deixou claro que ajudará o filho 01 na disputa presidencial. “Sem dúvidas, como tenho afirmado constantemente. Não tem dúvida com relação a isso”, garantiu.
Tarcísio abdica da corrida presidencial por pressão do clã Bolsonaro. Apesar de ser apontado em várias pesquisas de opinião como o único candidato da direita capaz de fazer uma dura disputa contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, isso não sensibilizou o ex-presidente nem os filhos — que várias vezes o atacaram, a fim de minar suas possibilidades de ser o representante do bolsonarismo. A pá de cal na pretensão do governador em concorrer veio quando Flávio divulgou carta de próprio punho escrita pelo pai, quando ainda estava preso na Superintendência da Polícia Federal (PF), de que seria ele que levaria o nome da família para a disputa ao Palácio do Planalto.
O governador paulista pretendia galvanizar não apenas os votos do bolsonarismo, mas, também, os da centro-direita que rejeita a hipótese de apoiar Lula nas urnas. Para isso, tinha até mesmo um respaldo de peso nas hostes do bolsonarismo: o do pastor Silas Malafaia, que em recente entrevista chegou a dizer que a candidatura de Flávio não empolgava.
Além disso, Tarcísio era apontado como o nome que representaria a “Faria Lima” — o coração do mercado financeiro nacional —, que jamais escondeu a aversão a Lula. O governador, aliás, explicitou a hipótese de se lançar à Presidência em 12 de novembro de 2025, quando afirmou que pretendia apresentar um “projeto para o Brasil” este ano. Disse mais: que, com ele, o país daria “o salto que tanto esperava”.
Recomposição
Depois de ser duramente atacado pelos filhos de Bolsonaro, Tarcísio tenta recompor pontes com o entorno do ex-presidente — que já começava a fazer circular a ideia de que o governador era “ingrato” e que, por isso, seria um “traidor”. Sobretudo, depois que adiou a vista que faria, na semana passada, ao ex-presidente, decisão que foi entendida como um sinal de independência em relação ao clã. Tarcísio argumentou, então, compromisso de agenda e que viria à Papudinha depois.
Na conversa com Bolsonaro, o governador tratou da filiação do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao PSD. Segundo Tarcísio, a movimentação foi bem recebida pelo ex-presidente, que teria avaliado que Caiado “soma” à disputa eleitoral pelo espectro da direita. “O presidente elogiou Caiado para mim. Tem consideração por ele e entende que soma”, afirmou.
Aliás, para Tarcísio, as várias pré-candidaturas no campo da direita não são um problema, pois o processo, segundo ele, tende à convergência em torno do nome mais viável eleitoralmente.
Pedidos negados
A visita do governador ao padrinho político ocorreu no mesmo dia em que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou os pedidos da defesa de Bolsonaro para autorizar visitas do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e do senador Magno Malta (PL-ES), ao ex-presidente. As negativas foram justificadas por riscos às investigações em curso e por incidentes disciplinares relacionados às tentativas de acesso irregular à unidade prisional.
No caso de Magno Malta, o ministro citou informações repassadas pela polícia segundo as quais o senador teria tentado ingressar no presídio sem autorização, utilizando indevidamente prerrogativas parlamentares para entrar em áreas de segurança máxima. Para Moraes, a conduta comprometeu a disciplina do batalhão responsável pela custódia e a segurança do sistema prisional.
“Tal conduta gera riscos desnecessários à disciplina do batalhão e à segurança do próprio sistema de custódia, obstaculizando o deferimento do pedido”, observou Moraes.
No caso de Valdemar Costa Neto, a recusa se baseou no fato de o presidente do PL ser investigado no inquérito que apura a trama golpista. Segundo o ministro, o contato entre investigado e condenado no mesmo contexto representaria risco às investigações.
“A autorização de contato direto entre investigado e condenado em procedimentos correlatos apresenta risco manifesto à investigação e foi vedado em decisão anterior”, destacou.
Moraes também determinou mudanças na rotina de visitas a Bolsonaro. Anteriomente autorizadas às quartas e quintas-feiras, passam a ocorrer às quartas e sábados, atendendo a pedido da Polícia Militar do Distrito Federal para reorganizar o fluxo interno da unidade e reforçar a segurança. O ministro ainda manteve a autorização para que o ex-presidente receba assistência religiosa de um padre.
Com informações do Correio Braziliense
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