Induspina Autopeças, na Asa Sul, encerra as atividades após 69 anos. Empresa acompanhou o crescimento da cidade e tornou-se referência no setor de autopeças no DF
Uma das empresas mais antigas da capital federal, a Induspina Autopeças encerrou, nessa sexta-feira (30/1), suas atividades físicas, após quase 69 anos de funcionamento. Fundada antes mesmo da inauguração de Brasília, a empresa acompanhou o crescimfento da cidade e tornou-se referência no setor de autopeças no Distrito Federal.
A trajetória começou com Orédio Alves de Rezende, natural de Pires do Rio (GO), que decidiu empreender em uma região que ainda não havia sido oficialmente declarada capital do país. Ao lado da esposa, Ana Rosa Silveira, ele construiu um negócio que atravessou gerações e se consolidou como parte da história econômica e social de Brasília.
Instalada na 514 Sul, a Induspina foi mantida ao longo de décadas com o apoio de colaboradores, parceiros e clientes. Entre eles, a vendedora Jane Dourado Barreto, 57 anos, funcionária da Induspina há 10 anos. Ela avalia que o período representou grande aprendizado profissional. “Consegui entender melhor sobre peças de carros antigos, que não eram muito da minha área. Adquiri bastante experiência e acredito que vou levar esse aprendizado para a vida”, comenta.
Ela destaca, ainda, o desafio de atuar em um setor tradicionalmente masculino. “Trabalhar com autopeças foi uma novidade, porque era mais comum ver homens nessa função. Como vendedora, acredito que consegui superar os desafios que encontrei no início.”
A história de Orédio Alves de Rezende foi registrada no documentário “O Legado de um Pioneiro”, que retrata sua atuação nos primeiros anos da capital e está disponível no YouTube.
Em nota, os filhos dele afirmaram que a decisão de encerrar as atividades foi tomada após reflexão e destacaram que “encerrar não é desistir, mas reconhecer o tempo e honrar a história”. Eles também agradeceram aos ex-sócios Omélio Rezende, Sebastião Feliciano e Antônio Delgado, que contribuíram para a consolidação da empresa.
Segundo a família, embora feche as portas, o legado permanece nos valores transmitidos pelo casal fundador e por todos que fizeram parte da trajetória do negócio.
Flávio Rezende, filho de Orédio e diretor da Induspina, conta que a interrupção das atividades foi planejada há alguns meses, sendo um processo difícil, pois se trata de uma empresa que existe antes do nascimento da capital federal e que também já contou com mais de mil empregados — restaram oito.
De acordo com Flávio, o motivo do fechamento tem a ver com a demanda, que diminuiu, e ainda com a pouca movimentação comercial na W3, onde a unidade está instalada. “Esse mercado passou por muitas mudanças nos últimos anos. Então, é muito desafiador seguir em uma área que está em plena transformação. Além disso, a W3 está muito decadente, e o público que antes frequentava não está mais aqui.”
Ele comenta, também, sobre o desafio de tomar uma decisão definitiva. “Isso impacta na vida das pessoas, e precisamos pensar nos dobramentos. Normalmente, estamos acostumados a falar de inaugurações. Esse tipo de notícia (o fechamento) parece ser negativo, mas tudo tem um início e um fim. Entendemos que essa jornada chegou no momento que precisava”, defende.
Importância
A Induspina foi referência para diversos profissionais do setor de autopeças no Distrito Federal. Frequentador desde 1986, o gerente João Batista Mendes Farias, 54 anos, manteve proximidade com os proprietários ao longo dos anos e avalia que o fechamento da empresa impacta não apenas o aspecto pessoal, mas também o mercado de autopeças. “A Induspina é uma referência desta quadra e também para a empresa onde trabalho, que fica ao lado. Não sabemos como será daqui para frente”, lamenta.
O empresário Ricardo Vieira Martinez, 54 anos, também teve contato com a família do fundador e recebeu a notícia no mesmo dia do encerramento das atividades. Ele destacou a longevidade e a relevância da empresa para o setor: “Acompanhei desde o início todo o trabalho e a força que essa indústria já teve no Distrito Federal no ramo de autopeças. Sinto pesar, porque é uma empresa de décadas”.
Cliente antigo, o encarregado Ernani Silva, 70, conta que costuma comprar as peças em diferentes estabelecimentos, mas também lamenta a interrupção das atividades da Induspina. “Vou aguardar um pouco para ver o que vai acontecer em relação ao estoque. Tenho outros fornecedores, não compro apenas aqui, mas comprava mais por tradição e por conhecer o pessoal há muito tempo”, explica.
Tanto João quanto Ricardo ressaltam que, além da relevância comercial da Induspina, permanece o legado deixado por Orédio, que morreu em 2021, e sua família. “Cresci trabalhando com meu pai e, durante décadas, tínhamos o costume de comprar peças aqui. Recebi a notícia com muita tristeza”, relata o empresário.
João diz, ainda, que a relação com o fundador foi um dos aspectos mais marcantes da história da empresa. “Sempre fomos muito cordiais. Tínhamos uma relação de amizade e respeito, tanto no âmbito comercial quanto no pessoal. Isso sempre existiu e vai ficar.”
Polícia filtra novas denúncias contra técnico preso por mortes em UTI
jaqueline florencioAtualizado 31 de janeiro de 20263 Min/Leitura0 Visualizações

Polícia Civil do DF analisa novas ocorrências registradas contra o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, acusado de matar três pacientes ao aplicar alta dosagem de uma substância química na UTI do Hospital Anchieta
A Coordenação de Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP) faz uma triagem das ocorrências registradas por familiares de pacientes que suspeitam da intervenção do técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, preso por matar três pessoas no Hospital Anchieta, em Taguatinga, ao aplicar altas doses de uma substância química. Os crimes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025.
A delegacia especializada que cuida do inquérito dos homicídios da professora Miranilde Pereira da Silva, 75 anos; do servidor dos Correios Marcos Moreira, 33; e do servidor da Caesb João Clemente Pereira, 63, tem recebido, desde a prisão de Marcos e de mais duas colegas de profissão — Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22 — denúncias de familiares que suspeitam da atuação de Marcos.
Segundo o delegado-chefe da CHPP, Wisllei Salomão, as ocorrências recebidas passam por uma espécie de filtro. “Analisamos se o paciente morreu no hospital onde Marcos trabalhou, no período em que ele trabalhou e solicitamos aos parentes o prontuário médico”, afirmou.
Ainda de acordo com o investigador, um segundo inquérito será instaurado para a apuração das novas ocorrências. Por enquanto, a polícia aguarda o resultado dos laudos periciais para fechar o procedimento investigativo dos três homicídios.

Investigação
A análise dos celulares e notebooks apreendidos pela PCDF nas casas dos técnicos investigados é considerada ponto-chave da investigação. O material eletrônico está em análise no Instituto de Criminalística (IC). São vistoriados os celulares e computadores dos três técnicos, que foram apreendidos em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás. O objetivo é descobrir se há elementos que comprovem a motivação do crime, como se há ou não mais vítimas e a principal motivação.
Marcos foi preso em casa, em Águas Lindas, em 19 de novembro de 2025, dois dias depois de matar dois pacientes. Na delegacia, ele apresentou três versões contraditórias. Segundo a polícia, o técnico demonstrou frieza ao ser questionado sobre os fatos.
No primeiro instante, negou qualquer envolvimento. Alegou que apenas seguia as orientações dadas pelos médicos, especialmente quanto às dosagens. Marcos, depois, mudou a versão. Chegou a confessar o crime e deu como justificativa o tumulto do plantão. Disse que estava estressado e liberaria todos.
Por último, Marcos contou outra história. Novamente admitiu a aplicação das substâncias, mas atribuiu o ato como forma de “alívio” ao sofrimento das vítimas. Amanda, por outro lado, negou os fatos e afirmou achar que Marcos estava apenas aplicando medicamentos corriqueiros, apesar de as imagens mostrarem ela vigiando a porta enquanto o suspeito injetava as substâncias nas vítimas. Confrontada, ela manteve-se em silêncio e admitiu que mantinha um relacionamento extraconjugal com Marcos.
Esta semana, os dois advogados que representavam Marcos no processo renunciaram. O técnico admitiu outro advogado, Vagner de Paula, que, ao Correio, afirmou não haver nenhuma novidade a declarar. Já a defesa de Amanda, representada pelo advogado Liomar Torres, afirmou que a técnica é inocente e alega que ela não tinha conhecimento das ações de Marcos. A reportagem não localizou a defesa de Marcela.
Com informações do Correio Braziliense
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