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Professores que pagaram R$ 120 mil por vaga são soltos

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Sete professores e outras duas pessoas que ocupavam cargos administrativos da Secretaria de Saúde do DF envolvidos na Máfia dos Concursos já estão soltos. Cinco deles já haviam sido liberados depois de confirmarem participação no crime. Os últimos quatro foram soltos neste sábado (31). Eles haviam sido presos temporariamente na última quarta-feira (28), na terceira fase de operações da Polícia Civil.

Com o novo estágio da ação, o cerco aos fraudadores de concursos no DF começou a chegar nos aprovados. Os presos nesta etapa foram acusados de pagarem R$ 120 mil para fraudar o último concurso público da Saúde. Aprovados em ao menos 12 concursos distritais e federais estão na mira da Polícia Civil. Segundo as investigações, os professores detidos sequer tinham conhecimento básico da língua portuguesa.

“Eles seriam encarregados da formação do futuro do País e, na análise de documentos apreendidos, escritos e manuscritos, nos deparamos com pessoas que não tinham a menor capacidade para exercício dos cargos e galgaram cargos públicos por procedimentos de fraude”, atesta Fernando Cesar Costa, da Coordenação de Combate ao Crime Organizado, ao Crime contra a Administração Pública e contra a Ordem Tributária (Cecor). Conforme o edital publicado em 2016, o salário previsto era de R$ 5.237,13 para 40 horas semanais.

Dos R$ 120 mil cobrados, metade era dada como entrada em espécie e o restante após a nomeação por meio de empréstimo consignado. Aos técnicos, o valor era de R$ 40 mil. Participou das fraudes do concurso da SEDF um integrante do Cebraspe, preso na fase anterior da operação. Segundo os investigadores, quem comprava a vaga preenchia alguns itens da prova objetiva e poucas linhas da subjetiva. O funcionário da banca retirava a prova em branco, completava a folha e a devolvia.

Procurada, a Secretaria de Educação se limitou a dizer que acompanhará os desdobramentos da investigação policial para depois tomar as “providências necessárias”. Na Justiça, os aprovados devem ser indiciados por fraude a certame de interesse público, além da participação da organização criminosa.

Outras fases

Essa é a terceira fase da Operação Panoptes, que começou a ser investigada em maio de 2017. Em agosto daquele mesmo ano, a Polícia Civil anunciou que as suspeitas de fraude recaiam sob todos concursos públicos da última década. foram cumpridos quatro mandados de prisão preventiva e 15 mandados de busca e apreensão. Entre os presos estava o líder do grupo, Hélio Ortiz, velho conhecido da Máfia dos Concursos que já havia sido preso pelo mesmo motivo em 2006, mas foi solto antes mesmo do julgamento.

Dois meses mais tarde, a segunda etapa teve oito mandados de prisões temporárias e preventivas expedidos para a capital. Foi preso um ex-funcionário do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), o antigo Cespe. A banca é responsável por todas as provas da Universidade de Brasília (UnB) e por parte dos concursos públicos distritais, estaduais e nacionais.

Estratégias

O ingresso para a aprovação custava, de imediato, entre de R$ 5 a R$ 20 mil. Depois da aprovação, o candidato ainda deveria pagar dez vezes o valor do salário previsto no edital. De acordo com a polícia, a organização criminosa tinha integrantes específicos que buscavam interessados nas portas das faculdades e cursinhos preparatórios.

Em alguns casos, havia o pacote completo, com diploma de graduação e pós graduação, além da aprovação no concurso. A quadrilha agia de quatro formas: uso de ponto eletrônico; consulta a celulares no local da prova; uso de identidades falsas; alterações do gabarito entregue à banca.

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Jeová Rodrigues

Jornalista

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