CLDF aprova LDO de 2027 com foco em ajuste fiscal e corte de gastos

No último dia antes do início do recesso parlamentar na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), os deputados distritais aprovaram uma série de propostas de autoria do Executivo e também dos parlamentares, entre eles, o Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para o ano de 2027, que prevê um valor de R$ 74,9 bilhões, montante 0,8% maior do que o aprovado para 2026. A medida foi aprovada, ontem, em dois turnos. Considerando que a inflação acumulada até o momento é de 4,72%, o crescimento foi menor em comparação ao último ano.

Do valor total do orçamento, R$ 29,5 bilhões são referentes ao Fundo Constitucional do DF (FCDF) e R$ 45,4 bilhões vêm própria arrecadação do Distrito Federal. Questionado sobre o crescimento limitado do Orçamento com relação a 2026, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, destacou que o montante referente a este ano está superestimado. “Tanto que grande parte dele foi contingenciado, foi o primeiro ato do governo (de Celina Leão) neste ano”, lembrou o chefe da pasta. 

Valdivino explicou que a principal prioridade do Governo do Distrito Federal (GDF) no momento é zerar o deficit de R$ 4 bilhões nos cofres público deixado pelo governo anterior. “Precisamos ter execução fiscal que permita melhorar o Capag (Capacidade de Pagamento) de ser para B ou A, se possível para A (lembrando que o GDF está na capacidade C). Passar a cumprir o artigo 167-A da Constituição e formar a poupança corrente, as linhas gerais e as linhas mestras da proposta que vamos fazer no Orçamento”, elencou ele.

O chefe da pasta da Economia referiu-se ao artigo 167-A da Carta Magna, que determina a adoção de medidas de contenção de gastos para estados e entes da Federação, caso as despesas correntes superem 95% das receitas correntes, como a proibição de nomear, dar reajuste de salário, contratar, fazer concurso, entre outras coisas. “Eu espero que até setembro a gente cumpra as determinações do artigo. Aí, o governo vai estar liberado para realizar as decisões com relação a pessoal, nomeação, concurso, etc”, ressaltou o Valdivino.

Além da LDO, os deputados aprovaram a criação das regiões administrativas de Ponte Alta e 26 de setembro (leia mais na página 14); novas regras para o protesto de dívidas em cartório referentes a serviços essenciais como água e luz, crédito especial para mobilidade e o projeto que institui o ‘acolhimento humanizado da população em situação de rua no DF’. 

Reação

Parlamentares da oposição que votaram contra a LDO reclamaram que a redução dos valores da LDO é consequência do acordo firmado pelo GDF com o Supremo Tribunal Federal (STF) para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado ao Banco de Brasília (BRB). “Pela primeira vez, a bancada do PT vai votar contra a LDO, porque o GDF está colocando na lei o rombo do BRB. Ela está sacramentando todos os cortes que foram efetuados no acordo do Supremo. É o mais brutal arrocho no orçamento”, reclamou Chico Vigilante (PT).

O secretário de Economia explicou que, neste momento, a questão do BRB não vai impactar o Orçamento do DF. “Não tem nem contrato ainda, não temos o valor que teremos de pagar, não temos nada ainda. Reivindicamos dois anos de carência, se formos atendidos, isso não vai impactar nem no orçamento de 2027 e nem no de 2028”, esclareceu. 

 Internação involuntária para casos graves

Os deputados distritais aprovaram o Projeto de Lei nº 2.367/2026, do Poder Executivo, que institui atendimento humanizado e atenção integral à população em situação de rua no DF. Por prever internação humanizada, de caráter involuntário, como medida terapêutica, o projeto promoveu debates.

Fábio Félix (PSol) criticou a tramitação da proposta e defendeu que a solução passe pelo fortalecimento da rede pública de atendimento e por políticas estruturadas. “É preciso contratar servidores, o aparelhamento dos Caps, o fortalecimento dos Cras e Creas, com mais equipes e uma abordagem de rua humanizada e multidisciplinar. Esse projeto abre precedente para violação de direitos humanos”, ressaltou.

Thiago Manzoni (PL) afirmou que a proposta busca equilibrar garantias individuais e o uso coletivo do espaço público. “Pode garantir ao mesmo tempo os direitos fundamentais de quem está vulnerável e o direito de todos os demais cidadãos de usufruir plenamente do espaço urbano”, afirmou. Manzoni rebateu pontos levantados por opositores e ressaltou que “a internação só cabe quando os recursos ordinários se esgotam”.

Segundo o projeto de lei aprovado, o acolhimento humanizado deve ocorrer, como regra, de forma voluntária, respeitando a liberdade individual, e a atenção integral deve seguir as legislações federais sobre drogas e saúde mental. Em situações excepcionais de risco iminente à vida, atestadas por médico, admite-se internação involuntária como última medida, com comunicação ao Ministério Público em até 72 horas.

Sem abusos contra consumidores

Foi aprovado, em dois turnos, o Projeto de Lei nº 2.375/2026, de autoria do Poder Executivo, que obriga concessionárias de serviços públicos essenciais, como Caesb e Neoenergia, a notificarem o consumidor com pelo menos 30 dias de antecedência antes de protestar dívidas em cartório. A proposta busca ampliar a proteção dos consumidores e foi aprovada sem votos contrários.

“Nosso objetivo nunca foi impedir a cobrança de débitos legítimos pela Caesb ou pela Neoenergia. O que defendemos é que essa cobrança aconteça com equilíbrio, razoabilidade e respeito à dignidade das famílias. Não é justo que um cidadão enfrente diversos protestos simultâneos referentes à mesma residência, acumulando custos que tornam ainda mais difícil a regularização da dívida”, afirmou o deputado Joaquim Roriz Neto (PL).

O texto proíbe o protesto de débitos com menos de 90 dias de atraso, de valores inferiores a um salário mínimo ou envolvendo consumidores em situação de vulnerabilidade social. Além disso, determina que as empresas ofereçam alternativas de negociação e parcelamento antes da medida e impede o protesto enquanto houver contestação administrativa ou processo em tramitação nos órgãos de defesa do consumidor.

Crédito especial de R$ 27,9 milhões

O Projeto de Lei nº 2.372/2026, de autoria do Poder Executivo, que abre crédito especial de R$ 27,9 milhões no Orçamento de 2026, foi aprovado em dois turnos. Os recursos serão destinados ao fortalecimento do transporte público complementar rural e ao pagamento de passivos da empresa pública Proflora S.A., em processo de liquidação.

Do total, cerca de R$ 24,8 milhões serão destinados à Secretaria de Transporte e Mobilidade para a criação de uma dotação específica voltada ao Sistema de Transporte Público Complementar Rural, com o objetivo de garantir a continuidade e ampliar o atendimento nas áreas rurais do DF. Outros R$ 3,1 milhões serão repassados à Secretaria de Economia para quitar passivos financeiros, tributários, administrativos e judiciais remanescentes da Proflora.

Segundo o texto aprovado, o crédito será financiado por meio da anulação de dotações orçamentárias já existentes, sem impacto adicional nas contas públicas. De acordo com o GDF, a medida foi necessária para incluir as novas programações no orçamento anual e assegurar a execução das ações previstas. 

Com informações do Correio Braziliense

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