Comunidade espírita do DF dá adeus ao pioneiro Antonio Villela

Fundador do primeiro Centro Espírita de Brasília, o médium Antonio Villela faleceu de causas naturais no Hospital DF Star, depois de 65 anos dedicando-se ao fortalecimento do espiritismo no Distrito Federal. Referência na região administrativa do Guará, o pioneiro foi o responsável por criar o Centro Espírita André Luiz, espaço de acolhimento e reflexão religiosa. Aos 104 anos, Villela partiu deixando como legado uma instituição que nasceu para ser um dos “braços” da Federação Espírita Brasileira na capital.

A história de Villela com Brasília e com o Guará começou em 1959, quando o servidor do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR), já extinto, integrou a comissão que veio à capital federal para implementar serviços judiciários. Um ano depois, foi convocado pelo próprio TFR para trabalhar definitivamente em Brasília. Surgindo em 1960, em um terreno que pertencia ao Jardim Zoológico na Candangolândia, o Centro precisou mudar-se para a QI 16 do Guará I, depois de 12 anos em funcionamento. 

Nas palavras da esposa do pioneiro, Edilene Villela, o fundador não apenas construiu paredes para o exercício da fé, ele ergueu um refúgio de amparo. “Moldado pela inteligência aguçada que sempre colocou a serviço do esclarecimento e por um coração gigante”, descreve ela.

“O sonho dele era expandir e ajudar mais pessoas”

De acordo com o presidente da organização, José Luiz Dias, Antonio havia recebido uma missão da Federação ao sair do Rio de Janeiro em direção à Brasília. “Ele trabalhou como servidor público, mas sua missão em Brasília era criar essa comunidade. O seu sonho de vida era exatamente este: expandir e ajudar mais pessoas”, conta José Luiz.

Cativante e acolhedor, Antonio Villela é descrito como uma pessoa que atraía multidões ao seu redor com facilidade. “Ele dedicou a vida ao bem, e chegou a estabelecer a segunda maior casa de espiritismo de Brasília. Hoje nós recebemos 1.000 pessoas mensalmente”, descreve José Luiz.

No Guará, o Centro Espírita criado por Antonio Villela segue o sonho do fundador; ajudando àqueles que mais precisam. A instituição recebe pessoas em situação de vulnerabilidade, acolhendo e oferecendo não apenas apoio espiritual, mas médico, odontológico, psicológico e até mesmo tratamento com acupuntura. Dependentes químicos e moradores de rua também são abraçados pela comunidade e, com o tempo, tem a oportunidade de serem empregados na instituição.

Edilene conta que cada pessoa acolhida por Antonio se sentia exclusivo. De forma que todos eram tocados pela doçura do médium. “Ele nos ensinou que a verdadeira caridade é a que se faz com inteligência e ternura”, compartilha a viúva.

Segundo o presidente, Villela ainda concebeu a ideia de um espaço para costura, onde atualmente 100 mulheres trabalham juntas na produção de enxoval para mães carentes. Além de colcha de retalhos, capas de almofadas e outras peças para serem comercializadas no Bazar Irmã Scheilla, cuja os valores são destinados aos custos de manutenção do centro espírita. “Ele era como um pai para nós”, reforça José Luiz.

Os entes queridos do médium, que faleceu na última terça-feira (30/6), se reunirão nesta quinta-feira (2/7) no cemitério Campo da Esperança da Asa Sul, a partir das 8h.

Com informações do Correio Braziliense

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