Lixo e bueiros entupidos preocupam moradores do DF com a chegada das chuvas

Rua da Cidade Estrutural após chuva, com áreas urbanas e pontos de drenagem próximos às vias.
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

TaguaCei — Com a chegada do período chuvoso, moradores do Distrito Federal voltam a se preocupar com alagamentos provocados pelo acúmulo de lixo e entulho em bueiros e bocas de lobo. Na Estrutural, moradores relatam problemas que dificultam a circulação de pessoas e veículos e podem causar prejuízos a comerciantes e famílias.

O mês de outubro marca o início do período de chuvas mais frequentes no Centro-Oeste. Além da preocupação com temporais, a população enfrenta pontos de drenagem obstruídos por folhas, galhos, lixo e outros materiais descartados de forma irregular.

A administradora Josylene Gonçalves, de 48 anos, contou ao Correio Braziliense que as chuvas costumam provocar alagamentos na região onde mantém uma loja. Segundo ela, quando a água sobe, veículos deixam de circular e o acesso à residência fica comprometido.

Ela também relatou que a água chega a entrar no estabelecimento, que fica cerca de 50 centímetros acima do nível da rua. Nas proximidades, alguns bueiros estão quase totalmente cobertos por resíduos.

Falta de infraestrutura aumenta vulnerabilidade

O professor Daniel Sant’Ana, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (FAU-UnB), explica que o lixo, as folhas, os galhos e o entulho podem impedir a entrada adequada da água nas bocas de lobo e nos bueiros.

Segundo o especialista, outros fatores também interferem no funcionamento da drenagem, como a intensidade das chuvas, o relevo, a impermeabilização do solo e a capacidade da rede existente.

Sant’Ana avalia que a expansão urbana do DF não foi acompanhada de maneira uniforme pela implantação de infraestrutura de drenagem. Em algumas áreas, a ocupação ocorreu antes da instalação de estruturas adequadas, o que tornou intervenções posteriores mais complexas.

O professor também destaca que moradores de regiões com menor renda podem enfrentar mais dificuldades para proteger suas casas e recuperar eventuais prejuízos causados pelos alagamentos.

Novacap intensifica limpeza

A Novacap é responsável pela limpeza e desobstrução das redes de drenagem. Entre janeiro e julho deste ano, foram desobstruídos 68.648 metros de redes, além da limpeza de 1.187 bocas de lobo e 427 poços de visita.

Segundo o órgão, os trabalhos foram intensificados em áreas como Itapoã, Paranoá, Riacho Fundo I e II, Ceilândia, Planaltina, Arapoanga, Plano Piloto, São Sebastião, Recanto das Emas, Estrutural, Sobradinho, Sol Nascente, Taguatinga, Guará, Gama e Santa Maria.

A definição das áreas leva em consideração pontos considerados críticos, histórico de ocorrências e solicitações recebidas. O monitoramento das regiões de risco é realizado pela Defesa Civil.

Outro problema que ganha atenção durante o período chuvoso é a queda de árvores. A Novacap afirma que o elevado número de solicitações de poda e manutenção em todo o DF é um dos principais desafios.

De acordo com a companhia, o Distrito Federal possui aproximadamente 5 milhões de árvores, muitas delas com mais de cinco décadas. Nos períodos que antecedem as chuvas, os trabalhos são reforçados, com prioridade para árvores mortas, comprometidas ou que apresentem risco de queda.

Entre janeiro e agosto de 2026, foram realizadas 84.432 intervenções arbóreas no DF, incluindo podas, supressões e remoções de árvores caídas.

SLU recolheu 408 mil toneladas de resíduos

O Serviço de Limpeza Urbana (SLU) informou que recolheu 408 mil toneladas de resíduos descartados irregularmente no Distrito Federal entre janeiro e agosto deste ano.

As regiões que concentraram os maiores volumes de coleta foram Ceilândia, Taguatinga, Plano Piloto, Samambaia e Planaltina.

O trabalho do órgão inclui coleta, varrição, catação e retirada de entulho descartado em áreas públicas, além de ações de educação ambiental.

Em locais onde os caminhões não conseguem chegar, o SLU utiliza papa-lixos e contêineres semienterrados. Atualmente, dez equipamentos atendem a área que abrange a Estrutural e Santa Luzia.

Moradores cobram fiscalização

Uma moradora da Estrutural, que preferiu não se identificar, defende ações de conscientização e fiscalização para reduzir o descarte irregular de resíduos. Segundo ela, a instalação de câmeras e a aplicação de multas poderiam ajudar a combater o problema.

O barbeiro Carlos Henrique Santos Gonçalves, de 37 anos, que mantém uma barbearia na Estrutural e mora em Santa Luzia, afirma que os bueiros entupidos já fazem parte da rotina da região.

Ele relata que é comum observar lixo sendo levado pelas enxurradas, lixeiras sendo deslocadas pela força da água e água entrando em estabelecimentos comerciais e residências.

Para o professor Daniel Sant’Ana, a drenagem deve ser tratada como uma política permanente, integrada ao planejamento urbano, à limpeza pública, à habitação e à proteção dos córregos.

Entre as medidas sugeridas pelo especialista estão a manutenção contínua das redes, inspeções, identificação de pontos críticos e planejamento por bacias hidrográficas.

Sant’Ana também defende soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva, áreas vegetadas, recuperação das margens de córregos e parques preparados para armazenar água temporariamente. Segundo ele, essas iniciativas podem complementar as obras convencionais e ajudar a reduzir os impactos das chuvas.

Fonte: Correio Braziliense

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