Filhos de mulheres com cardiopatias congênitas são mais propensos a enfrentar desafios relacionados à saúde física, maturidade emocional e comunicação, de acordo com um novo estudo liderado por Muhammad Zakir Hossin, cientista do Instituto Karolinska, na Suécia. O trabalho foi publicado, nesta quinta-feira (02/07), na revista Plos Medicine.
A cardiopatia congênita, um grupo de defeitos cardíacos que se formam antes do nascimento, afeta quase 1% dos bebêas ao redor do mundo. Com os avanços na medicina mais de de 90% dessas crianças agora sobrevivem até a idade adulta. No entanto, a gravidez em mães com esse problema de saúde está associada a um risco maior de parto prematuro e outras questões, mas pouco se sabia sobre os efeitos a longo prazo no desenvolvimento desses pequenos.
Agora, para a nova pesquisa, os cientistas avaliaram mais de 250 mil crianças nascidas entre 1995 e 2016, incluindo 456 bebês cujas mães tinham cardiopatia congênita. Quando os pequenos começaram o jardim de infância, os professores realizaram uma avaliação padronizada do desenvolvimento delas em cinco domínios, como saúde física, maturidade emocional e comunicação.
Os alunos foram considerados vulneráveis se tivessem classificações inferiores em pelo menos duas das cinco categorias. A análise mostrou que as crianças filhas de mães com cardiopatia congênita apresentaram um risco 28% maior de problemas no desenvolvimento.
Para os cientistas, as descobertas destacam a cardiopatia congênita materna como um importante fator de risco para o desenvolvimento infantil. Segundo os pesquisadores, serão necessários mais trabalhos para entender por que os filhos de mães com essa condição apresentam maior risco de vulnerabilidade. Mas o simples reconhecimento dessa associação pode ajudar a identificar mulheres que se beneficiariam de aconselhamento pré-natal, cuidados perinatais e intervenção precoce.
Anna Dominguez Bohn, pediatra, intensivista e especialista em neurociência e desenvolvimento infantil, disse que é preciso cuidado ao englobar todas as cardiopatias congênitas neste estudo, pois há algumas mais graves que outras. “Costumamos separar entre as que alteram a oxigenação e o outro grupo que tem saturação normal. As pessoas que têm saturação baixa a longo prazo são as que apresentam condições de maior risco, são crianças para as quais a gente olha com muita atenção o desenvolvimento e também outras comorbidades. Então, a gente está falando de pessoas que passaram muito tempo dentro de um hospital e que têm o próprio desenvolvimento interferido por conta disso.”
“Com o aumento do número de mulheres nascidas com cardiopatia congênita que sobrevivem até a idade adulta e se tornam mães, compreender a saúde e o desenvolvimento a longo prazo de seus filhos torna-se uma prioridade crescente de saúde pública”, alertou Muhammad Zakir Hossin.
Com informações do Correio Braziliense



