Michelle x Flávio: mulheres do PL tentam se equilibrar em meio à crise

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher após crise com Flávio Bolsonaro. Ala feminina tenta não tomar lado

A semana foi marcada por mais um desdobramento na crise envolvendo a família Bolsonaro. Após tornar público um desentendimento com o senador e enteado Flávio Bolsonaro (PL-RJ), a ex-primeira-dama, Michelle Bolsonaro (PL), anunciou, na terça-feira (30/6), que deixará a presidência do PL Mulher. E a ala feminina da legenda tenta se equilibrar entre os dois lados.

A decisão, de acordo com Michelle, foi tomada após conversar com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e decidir se dedicar “integralmente” aos cuidados com o marido e com a filha, Laura Bolsonaro.

No entanto, o anúncio — somado ao desgaste na relação com Flávio, pré-candidato à Presidência — levou as lideranças femininas do PL a buscarem um equilíbrio que acabou provocando uma ação dúbia: apoiar a ex-primeira-dama diante dos ataques recentes, mas sem desamparar a pré-candidatura do senador à presidência.

Entre as principais lideranças, seis parlamentares prestaram apoio publicamente a Michelle e agradeceram pelo trabalho diante da presidência do PL Mulher. Mantendo o equilíbrio de apoiar ambos os lados, a ex-primeira-dama foi elogiada e amparada diante de uma onda de ataques bolsonaristas.

Entre as aliadas se destacam: As vereadoras Gislayne Yamashita (PL-MT), Carlise Kwiatkowski (PL-PR) e Priscila Costa (PL-CE); as deputadas federais Carla Dickson (PL-RN), Chris Tonietto (PL-RJ); e a pré-candidata à deputada federal, Maria Amélia (PL-DF).

Enquanto Priscila, Carlise e Maria Amélia comandam a máquina de organização, planejamento e eventos das filiais do PL Mulher, as deputadas Chris Tonietto e Carla Dickson lideram o direcionamento político-ideológico no Congresso, e Gislayne puxa o engajamento direto nas bases municipais.

Priscila Costa, vice-presidente do PL Mulher, e pivô da crise entre Michelle e Flávio, teceu elogios à ex-presidente em uma publicação no Instagram e afirmou que sua liderança “fortaleceu” mulheres e todo o país.

“Sua liderança fortaleceu mulheres em todo o Brasil, deu voz a brasileiras que compartilham dos valores da fé, da família, da vida e da liberdade e consolidou um projeto que hoje alcança todos os estados do país. Seu trabalho foi muito além da política: foi um ministério de acolhimento, incentivo e edificação”, declarou.


Entenda a crise

  • Priscila Costa tornou-se o principal ponto de divergência entre Michelle e Flávio Bolsonaro após a disputa pela indicação do PL ao Senado no Ceará.
  • Enquanto Michelle defende a candidatura da vereadora, Flávio apoia o deputado estadual Alcides Fernandes (PL) — pai do deputado federal André Fernandes (PL), nome também respaldado pelo diretório estadual da legenda para compor uma chapa ao lado de Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo governo cearense.
  • Na última semana, ela afirmou que Priscila foi “maltratada” durante as negociações internas do partido e acusou aliados de Flávio de articularem para retirá-la da disputa ao Senado.
  • Segundo a ex-primeira-dama, a vereadora teve papel decisivo na campanha de André Fernandes (PL) à Prefeitura de Fortaleza em 2024, mas acabou sendo preterida para abrir espaço à aliança política no estado.

A vereadora participou, nessa terça-feira (1º/7), de um encontro do senador com mulheres do PL, em meio às tentativas de reduzir as tensões internas no partido. Em outra publicação, ela afirmou que “fidelidade e compromisso é o que o Brasil e o Ceará merecem” e reiterou apoio à pré-candidatura de Flávio à Presidência da República.

Silêncio de outras

Enquanto algumas lideranças optaram por buscar um equilíbrio, outras se destacaram por não se posicionarem. Figuras presentes no bolsonarismo como a deputada estadual e presidente do PL Mulher de Santa Catarina, Ana Campagnolo; as deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC), Soraya Santos (PL-RJ), Carol De Toni (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF).

Entre as parlamentares, se destaca Bia Kicis, amiga íntima de Michelle. A deputada não se pronunciou sobre a saída da ex-primeira-dama, mas esteve presente em reunião com Flávio e em seguida declarou apoio e minimizou o desentedimento entre enteado e madrasta.

“Cheguei a ouvir que as mulheres da esquerda estão nos defendendo. Isso é loucura. Elas estão usando. A gente precisa acalmar os ânimos. A gente não pode fomentar essa guerra. O nosso inimigo é o PT, a esquerda”, completou.

A deputada ainda declarou apoio a Flávio. “Foi ele que o Bolsonaro indiciou. Flávio é o nosso líder e será o nosso presidente”.

Procuradas, as parlamentares não se pronunciaram. O espaço segue em aberto.


Entenda a crise entre Michelle e Flávio

  • A crise entre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro deixou de ser um conflito de bastidores e se tornou um dos maiores rachas públicos da família Bolsonaro e do PL.
  • Em vídeo publicado em 24 de junho, Michelle relatou que o desgaste teve origem no fim de 2025, durante discussões sobre estratégias eleitorais do PL, especialmente no Ceará.
  • Ela afirmou que foi “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” pelo enteado durante uma ligação telefônica.
  • Além da discussão, ela acusou aliados de Flávio de promoverem ataques contra sua imagem nas redes sociais e classificou a situação como uma “punhalada nas costas”.
  • Após a repercussão, Flávio divulgou uma nota afirmando que jamais teve a intenção de ofender Michelle.

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