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Brasilienses correm às compras para garantir o ovo de Páscoa

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Mesmo com preços mais altos, consumidores lotam as lojas para comprar o aguardado chocolate e manter a doce tradição no Domingo de Páscoa

A apenas um dia do Domingo de Páscoa, o movimento nos corredores de shoppings e lojas de departamento revela um cenário já esperado: consumidores em busca dos tradicionais ovos de chocolate, ainda que com mais cautela. Em 2026, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) projeta crescimento de 2,5% no volume de vendas, com movimentação de R$ 3,57 bilhões — o maior valor da série histórica iniciada em 2005

Mesmo com o aumento no preço do cacau, cerca de 37% mais caro no exterior, e a queda nas importações, a tradição segue firme. Pesquisa da fintech Meu Tudo mostra que 45% dos consumidores pretendem gastar menos neste ano, enquanto 52% não se planejaram financeiramente. Ainda assim, 43% não abrem mão dos doces, priorizando promoções e alternativas mais acessíveis.

Nos pontos de venda, o comportamento confirma os dados. Há quem tenha se organizado, mas muitos deixaram para a última hora, seja por falta de tempo ou na expectativa de preços mais baixos.

A estudante Lara de Oliveira Farias, 20, foi às compras ao lado de Giovana Daphne, 25, recepcionista. As duas tinham uma lista extensa de ovos que precisavam comprar e sentiram dificuldade na escolha. “Hoje estava com pouca opção, muita gente compra antes”, disse Lara. Apesar disso, optaram pelos modelos mais tradicionais, sem brinquedos. “Eu achei barato”, avaliou Giovana.

A costureira Geraldine Oliveira, 69, também deixou para comprar perto da data, apostando em valores mais baixos. Ela escolheu ovos variados para agradar diferentes idades. “Estou levando opções com brinquedos para os menores e versões mais simples para os mais velhos”, conta.

Já a aposentada Nauzira Pereira da Silva, 74, mantém o foco nas crianças da família. “Ultimamente só para os pequenos. Os outros já estão grandes, se viram”, conta. “Eles dão mais valor ao brinquedo do que ao chocolate”, acrescenta. 

A biomédica Lorrane Dantas, 28, deixou para a última hora. “Eu enrolei mesmo. Minha semana é muito corrida e só hoje que eu tenho tempo”, afirma. Ela comprou ovos para si, para a mãe e para a avó, mas sentiu falta de opções infantis. “Eu gosto muito de comprar aqueles ovinhos de criança por causa dos brinquedinhos, então eu senti um pouco de falta”, ressalta. Sobre os preços, foi direta: “O valor está caríssimo. Um ovinho pequeno acho que está mais de R$ 60,00.”

A psicóloga Ana Carolina Xavier, 29, também foi às compras para a família. “Eu gostei, tinha até bastante opção pelo que eu esperava”, relata.

A auxiliar de professora Giovanna Gonsalves, 18, buscava ovos para a madrinha, o pai, a avó e também para si. “Eu só não encontrei ainda o dos Ursinhos Carinhosos, que eu queria para mim”, contou.

Para o biólogo Bruno Dias Batista, 42, a decisão veio por insistência das filhas. “Eu particularmente acho que está meio superfaturado. A questão do chocolate está cara”. Mesmo assim, cedeu: “Tem essa coisa da mágica da Páscoa, do ovo. Nos outros anos compramos apenas chocolates comuns, mas minha filha pediu e eu resolvi atender o desejo dela”. “Queria o chocolate de Dubai [recheado com pistache], eu acho que ele está meio na moda”.

A farmacêutica Letícia Martins, 27, comprou para a sobrinha. “Como é a única criança na família, não pode passar em branco”, observa. “Eu vim procurando mais brinquedo”.

Entre compras planejadas e de última hora, a Páscoa de 2026 revela um consumidor mais cauteloso, mas ainda fiel à data, mantendo o apelo emocional e o impulso nas vendas do varejo.

Com informações do Correio Braziliense

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