Destino incerto: aliados tentam convencer Michelle a manter candidatura ao Senado

A ex-primeira-dama acertou sua saída da presidência do PL Mulher após crise pública com Flávio Bolsonaro. O presidente do Republicanos, Marcos Pereira, diz que ela é bem-vinda no partido

Em meio à crise em curso entre Michelle Bolsonaro (PL) e o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o futuro da ex-primeira-dama na corrida eleitoral e no partido ficou incerto. Segundo aliados, ela ainda não decidiu se manterá a candidatura ao Senado Federal pelo Distrito Federal. E, com essa decisão, outras portas podem se abrir.

Correio Braziliense conversou com pessoas próximas de Michelle, que contaram que a decisão final sobre o Senado Federal deve ocorrer próximo das convenções partidárias, que podem ocorrer até 5 de agosto. No entanto, no momento, permeia uma sensação de que Michelle não estaria disposta a manter a candidatura. Ainda assim, aliadas pretendem tentar convencer a ex-primeira-dama do contrário até o último momento.

Nesse cenário, também surgiram especulações sobre Michelle deixar o partido e se filiar ao Republicanos, tendo em vista a insatisfação dela com o PL. No entanto, a avaliação é que a prioridade número um no momento é eleger a ex-primeira-dama como senadora. Portanto, não faz sentido uma troca de partido.

Isso porque, para concorrer como senadora, a ex-primeira-dama teria que ter se filiado em outra sigla até 3 de abril. Segundo a legislação eleitoral, é exigida a filiação partidária de, no mínimo, seis meses antes da eleição, para que um candidato possa concorrer. Portanto, se Michelle fosse para o Republicanos agora, ela não poderia se candidatar para este pleito.

Membros do Republicanos admitiram que houve conversas e tentativas de trazer Michelle durante a janela partidária — período de 30 dias que permitiu a troca de legenda sem perda de mandato — , mas não obtiveram êxito. Ainda assim, a sinalização é que o partido está aberto a receber a ex-primeira-dama, caso ela deseje se filiar após se eleger como senadora ou caso desista de concorrer. Porém, há quem acredite que, se eleita, Michelle seria fiel ao partido que a lançou como candidata.

Nesta semana, o próprio presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), declarou que Michelle seria “muito bem-vinda” ao partido. Também houve sinalizações da senadora aliada Damares Alves (Republicanos-DF). “Vocês não têm ideia do que fizeram com a Michelle Bolsonaro nos últimos dias”, disse em discurso na Comissão de Direitos Humanos.

Sem apego

Na ocasião, a senadora também afirmou que as mulheres da direita estavam sendo atacadas, com o principal alvo sendo Michelle. “Tem sido muito difícil para nós, mulheres na política. Eles atacam a nossa honra, machucam as nossas famílias e usam as mentiras mais sujas para tentar nos calar e nos destruir”, disse Damares.

Questionada sobre se a ex-primeira-dama deixaria o partido do marido Jair Bolsonaro (PL), uma fonte muito próxima de Michelle afirmou acreditar que ela tem mais compromisso com a causa conservadora, sem tanto apego à sigla partidária. No Republicanos, ela atrairia o voto feminino, evangélico e até mesmo de bolsonaristas. Seria um alinhamento de afinidades, tendo em vista que o partido mantém historicamente uma forte aliança com os evangélicos e abriga figuras de destaque da igreja em seus quadros. A atuação é fortemente fundamentada na defesa de pautas e valores cristãos.

Além disso, o cenário aponta que as insatisfações de Michelle com o PL vão além da crise com Flávio, que teria sido a gota d’água para a ex-primeira-dama desejar se afastar da política. Aliadas apontam, por exemplo, que a desorganização do partido em relação às eleições do DF também interferiram nesse cenário.

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