Mortes relacionadas ao calor cresceram 23% em 35 anos, aponta OMS

As mortes associadas às altas temperaturas aumentaram 23% nas últimas três décadas e meia, segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento estima que cerca de 546 mil pessoas morram anualmente em decorrência do calor extremo, que pode provocar desde insolação até complicações cardiovasculares e respiratórias. As informações foram divulgadas pelo Correio Braziliense.

O alerta ocorre em meio à onda de calor que atinge o Hemisfério Norte. Na Coreia do Sul, uma crise climática considerada sem precedentes provocou 19 mortes entre 15 de maio e 2 de agosto. O país registrou temperaturas recordes, incluindo 42,5°C na cidade de Yangsan, enquanto Seul permaneceu sob alerta máximo devido ao risco à população.

No Brasil, um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade Federal da Bahia (UFBA) aponta que cerca de 20 mil mortes foram associadas às ondas de calor nas últimas duas décadas. Os impactos atingiram principalmente idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade.

Os pesquisadores destacam que as ondas de calor representam um problema crescente de saúde pública, associado tanto ao aumento da mortalidade quanto das internações hospitalares. O levantamento analisou dados de 5.566 municípios brasileiros.

Segundo especialistas, o calor intenso costuma agravar doenças já existentes, principalmente cardiovasculares, respiratórias e renais. A desidratação, a perda de eletrólitos e o esforço adicional exigido do coração aumentam o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca, especialmente entre pessoas mais vulneráveis.

Um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), publicado na revista Plos Climate, também apontou que, entre 2010 e 2020, aproximadamente 6% das mortes por doenças respiratórias no Brasil estiveram associadas às temperaturas extremas, sendo a maior parte registrada durante períodos de calor intenso.

Além dos efeitos diretos sobre a saúde, especialistas alertam que o aumento da temperatura favorece a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Pesquisa publicada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) indica que cada aumento de 1°C na temperatura pode elevar em cerca de 20% a transmissão da doença.

Os pesquisadores também destacam que o calor excessivo pode aumentar a contaminação de alimentos e da água, favorecendo doenças infecciosas, além de contribuir para a disseminação de bactérias resistentes a antibióticos.

Entre os grupos de maior risco estão idosos, crianças, pessoas com doenças cardiovasculares, renais, respiratórias, diabetes, obesidade e transtornos neurológicos ou psiquiátricos, que apresentam maior dificuldade para regular a temperatura corporal ou reconhecer os sinais de desidratação.

Nota de transparência: Esta reportagem foi produzida com o auxílio de inteligência artificial para organização e aprimoramento do texto, passando por revisão, checagem e edição humana antes de sua publicação.

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