No primeiro dia de reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, ministro da Fazenda critica o atual patamar da taxa de juros, de 15% ao ano “é muito restritiva” e a dose do remédio percisa ser revista
No primeiro dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que, se fosse diretor da instituição, votaria pelo corte de juros, em um claro recado ao presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, ex-secretário-executivo da pasta.
A taxa básica da economia (Selic), de 15% ao ano, está maior patamar desde julho de 2006, e, de acordo com o consenso do mercado, o BC manterá o conservadorismo e não deverá mexer nos juros nesta semana.
“Eu não sou diretor do Banco Central. Se eu fosse, votava pela queda, porque uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 10% ao ano não se sustenta”, afirmou o ministro, nesta terça-feira (04/11), em evento sobre investimentos na área de meio ambiente organizado pela Bloomberg, em São Paulo, a poucos dias da reunião de cúpula de líderes da 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP 30, em Belém.
O chefe da equipe econômica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliou que o Banco Central está aplicando “uma dose excessiva de medidas monetárias restritivas em sua luta contra a inflação, prejudicando a economia”. “Temos uma taxa muito restritiva”, disse. Não estamos discutindo se ela precisava ser tão restritiva, mas sim a dose do remédio”, acrescentou.
O ministro defendeu que está na hora de os juros começarem a cair diante da melhora das expectativas de inflação. Conforme dados do boletim Focus, coletados pelo BC, a mediana das estimativas do mercado para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi revisada para baixo pela sexta semana seguida, passando para 4,55% no último relatório. Há quatro semanas, a mediana estava em 4,80%. “Por mais pressão que os bancos façam sobre o Banco Central para não baixar juros, eles vão ter que cair. Não tem como sustentar 15% de juros reais com a inflação batendo 4,5%”, afirmou. “Na minha opinião, já é hora de começar a pensar em mudar o rumo”, acrescentou.
A mensagem de Haddad tinha endereço certo: o presidente do BC, Gabriel Galípolo, ex-secretário-executivo da Fazenda e indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para chefiar o Banco Central. O tom das críticas ao BC foi ameno, diferente de quando a autoridade monetária era Roberto Campos Neto, que deixou o cargo em 2024. “Há países mais desenvolvidos que o Brasil onde o debate entre o presidente e o presidente do Banco Central é acirrado”, afirmou.
O ministro também voltou a criticar o excesso de renúncia fiscal que comprimem as contas públicas e afirmou que tem pedido ao Congresso uma revisão desses gastos, sem sucesso. Pelas estimativas recentes da Fazenda, a conta de subsídios gira em torno de R$ 800 bilhões. E, ao rebater as críticas do mercado de que a piora do quadro fiscal força o BC a manter a taxa Selic elevada e ao fato de que o governo tem procurado retirar despesas do resultado primário para cumprir a meta fiscal, pelo piso, em vez de se preocupar em atingir o centro da meta que, neste ano, é de deficit zero, o ministro atribuiu o crescimento da dívida pública às altas taxas de juros.
Haddad ainda citou dados positivos da economia, como as quedas recentes da inflação e do desemprego, e demonstrou confiança em relação à reeleição do presidente Lula nas eleições de 2026, e afirmou que o petista “sempre entrega um mandato melhor do que o anterior”. “Os investidores estão preocupados com o quarto mandato de Lula. Estamos entregando resultados, em todos os aspectos, melhor do que o anterior e no quarto não vai ser diferente”, frisou.
Originalmente publicado no Correio Braziliense
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