Macron anuncia libertação de casal francês preso no Irã desde 2022

Cécile Kohler, de 41 anos, e seu companheiro, Jacques Paris, de 72, estavam presos no Irã desde maio/2022. Casal ainda não chegou à França

Jacques Paris, após mais de três anos de detenção. O anúncio foi feito pelo presidente Emmanuel Macron na rede social X.

Cécile Kohler, de 41 anos, e seu companheiro, Jacques Paris, de 72, “saíram da prisão de Evin e estão a caminho da embaixada da França em Teerã”, escreveu o chefe de Estado. “Saúdo esta primeira etapa. O diálogo continua para permitir o retorno deles à França o mais rápido possível”, acrescentou.

A libertação do casal, preso em maio de 2022, ocorre após a soltura da iraniana Mahdieh Esfandiari, em outubro. A tradutora de 39 anos havia sido detida no início deste ano em Lyon por ter publicado mensagens anti-Israel nas redes sociais e sido acusada de “apologia ao terrorismo”.

Segundo o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot, Kohler e Paris estão atualmente “em segurança” na residência do embaixador da França, em Teerã, “aguardando sua libertação definitiva” e “parecem estar com boa saúde”. “Conversei com a família deles e enviei ao local uma equipe que os acompanhará pessoalmente, ao lado dos agentes da embaixada”, escreveu Barrot na rede social X.

Os advogados do casal celebraram o desfecho como um “novo dia”. Em comunicado à imprensa francesa, os magistrados lembraram que os dois passaram 1.277 dias detidos.

Acusados de espionagem

Cécile Kohler, professora de letras, e Jacques Paris, professor aposentado, foram detidos em 7 de maio de 2022, no último dia de uma viagem turística ao Irã. O casal foi inicialmente encarcerado na temida seção 209 da prisão de Evin, em Teerã — área reservada a prisioneiros políticos e frequentemente associada a casos de repressão e isolamento.

Em junho, durante a guerra de doze dias entre Israel e o Irã, ambos foram transferidos para um centro de detenção não revelado. Desde então, as autoridades iranianas mantiveram em sigilo absoluto a localização dos franceses, alimentando preocupações sobre suas condições de encarceramento.

No mês passado, Kohler e Paris foram condenados a penas de 20 e 17 anos de prisão, respectivamente, sob acusações de espionagem em favor da França e de Israel, além de conspiração para derrubar o regime iraniano, crimes pelos quais poderiam ser condenados à pena de morte. O governo francês rejeitou veementemente as condenações e classificou a detenção como “arbitrária” desde o início.

Prisões de cidadãos ocidentais

Há cerca de uma década, o Irã vem intensificando a detenção de cidadãos ocidentais — em especial franceses — sob acusações recorrentes de espionagem. Segundo analistas, essas prisões têm servido como instrumento de pressão diplomática, seja para negociar a libertação de iranianos detidos em países ocidentais, seja para obter concessões políticas. Fontes diplomáticas estimam que ao menos vinte ocidentais ainda permanecem sob custódia do regime iraniano.

Cécile Kohler e Jacques Paris figuravam entre os últimos franceses ainda detidos por Teerã. Sua libertação marca o encerramento de uma série de casos envolvendo cidadãos franceses, após a soltura da pesquisadora franco-iraniana Fariba Adelkhah, de Benjamin Brière e do franco-irlandês Bernard Phelan em 2023, além do jovem ciclista franco-alemão Lennart Monterlos, solto no mês passado.

Originalmente publicado em Metrópoles

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