A derrota por 2 a 1 para a Noruega, que eliminou o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026, mudou completamente o clima em bares de Brasília que reuniram centenas de torcedores para acompanhar a partida na tarde de ontem. O que começou com previsões otimistas, apostas em goleada e confiança no talento de Vinicius Júnior terminou em tristeza, lamentações e a certeza de que o sonho do hexacampeonato ficará para 2030. Em questão de minutos, a euforia deu lugar à frustração entre os brasilienses que acreditavam em mais um passo da Seleção rumo ao título.
Desde antes das 17h, os bares da Asa Norte já registravam grande movimentação. Camisas amarelas, bandeiras do Brasil, rostos pintados e mesas disputadas davam o tom de uma tarde que prometia ser de celebração. Em estabelecimentos como o Deboche Bar e o Bar Por do Sol, praticamente não havia lugares vagos. A expectativa era deque a Seleção mantivesse a boa campanha apresentada até então e confirmasse a vaga nas quartas de final.
A confiança tinha motivo. O Brasil chegava ao confronto embalado por quatro vitórias consecutivas na competição. Depois de liderar o grupo com triunfos sobre Marrocos, Haiti e Escócia, a equipe havia superado o Japão por 2 a 1 nas oitavas de final e mantinha 100% de aproveitamento no Mundial. Diante da Noruega, os torcedores esperavam mais uma atuação segura para seguir alimentando o sonho do hexa.
No Deboche Bar, na Asa Norte, o estudante José Miguel, de 21 anos, era um dos mais otimistas. Antes da bola rolar, apostava em uma vitória brasileira por 3 a 1 e acreditava que Vinicius Júnior comandaria a classificação. “O Haaland deve fazer um gol, mas o Vini vai tomaras rédeas e, junto com os outros jogadores, vai entregar uma vitória ao Brasil”, disse ao Correio.
A estudante de Agronomia Larissa França também demonstrava confiança, embora previsse um placar mais apertado. “Aposto em 2 a 1 para o Brasil”, afirmou.
Quando a partida começou, a animação tomou conta dos bares. Cada investida brasileira era acompanhada por gritos de incentivo, enquanto as jogadas da Noruega arrancavam expressões de preocupação. O primeiro tempo terminou empatado sem gols, resultado que aumentou a tensão, mas não abalou a confiança da torcida. A avaliação predominante era de que o Brasil havia controlado boa parte das ações e que o gol seria uma questão de tempo.
Na volta do intervalo, a esperança ganhou ainda mais força com as mudanças promovidas pela comissão técnica. As entradas de Neymar e Endrick fizeram o ambiente explodir em aplausos e cânticos. Os telões dos bares foram acompanhados por celulares erguidos para registrar o momento, enquanto muitos torcedores comemoravam as substituições como se fossem o prenúncio da classificação.
No Bar Por do Sol, a estudante Juliana Lima, de 21 anos, acreditava que Neymar poderia decidir a partida. “Ele pode garantir o gol do Brasil”, afirmou à reportagem. Ao lado dela, uma amiga já refez as contas para o placar. “Estava apostando no 3 a 2. Agora, estou vislumbrando um 2 a 1 e, desses dois, um gol será do Endrick”,projetou.
Mas o roteiro imaginado pelos torcedores começou a desmoronar. A Noruega mostrou eficiência para aproveitar as oportunidades criadas e passou a ditar o ritmo da partida. A cada ataque dos europeus, o clima nos bares mudava. As conversas diminuíram, os olhares se voltaram exclusivamente para as telas e a ansiedade tomou conta de quem, até poucos minutos antes, cantava e celebrava antecipadamente uma classificação que parecia ao alcance.
Mesmo após o Brasil diminuir a desvantagem, a esperança resistiu até os instantes finais. Cada bola levantada na área, cada finalização e cada acréscimo dado pela arbitragem eram recebidos como a última chance de manter vivo o sonho do hexacampeonato. O apito final, no entanto, encerrou qualquer possibilidade de reação e transformou a festa em frustração.
Ao Correio, o estudante de Medicina Veterinária Pedro Rocha, de 21anos, lamentou o desfecho da campanha. “Infelizmente, o sonho ficará para 2030”, resumiu. Na avaliação do universitário, a Seleção teve volume de jogo suficiente para conseguir a classificação. “Tivemos boas chances de gol, bastante posse de bola, mas vacilamos nas investidas e acabou que esse foi o resultado”, completou.
A estudante de Biotecnologia Brenda Martins também deixou o bar decepcionada, mas preferiu olhar para frente. “Não foi dessa vez. Até tentamos. Mas, em 2030 será sem falta”, disse.
Em poucas horas, a torcida brasiliense experimentou todos os sentimentos que tornam uma Copa do Mundo tão marcante. A confiança construída antes da partida, reforçada pela campanha invicta da Seleção e renovada durante o empate sem gols da primeira etapa, desapareceu coma eficiência da Noruega. O que era expectativa de festa terminou em abraços de consolo, mesas silenciosas e torcedores deixando os bares aos poucos, ainda tentando assimilar uma eliminação que interrompeu, mais uma vez, o sonho do hexacampeonato brasileiro.
Ceilândia
Há 26 anos, o bar Arena Adega dos Amigos, na EQNN 2/4 de Ceilândia, transmite o jogo em um telão instalado na área externa, para receber torcedores da região e de outras cidades do Distrito Federal. Na expectativa de ver um Brasil vitorioso, centenas de pessoas marcaram presença no local. No início do jogo, assim que a seleção entrou em campo, a empolgação tomou conta do Arena com a torcida com moradores de Samambaia, Sobradinho, Taguatinga, Recanto das Emas, Santa Maria e de outros estados, como o Maranhão.
Mikaely Karol de Jesus Santos, 23 anos, moradora de Santa Maria, acompanhou o jogo entre Brasil e Noruega na Arena. Empolgada no início do jogo e acreditando numa vitória de 3×1, já mostrava insegurança ao final do primeiro sem nenhum gol do Brasil durante a partida. A incerteza e o desânimo tomaram o lugar da alegria de antes.
“Eu ainda acredito na virada, mas esse momento é desesperador, estou com medo de não vencermos. É muita torcida, muita garra, muita energia pela nossa seleção, eu quero um resultado diferente, apesar do placar neste momento”.
Ao final do jogo, com placar encerrado em 2×1 para a Noruega e o Brasil fora da Copa, Anderson Oliveira dos Santos, 28 anos, que acompanhava o jogo na Arena em Ceilândia pela terceira vez, lamentou a derrota.
É uma decepção muito grande, a gente espera quatro anos para ver o Brasil na Copa, faz festa, reúne amigos, faz uma torcida imensa e termina com esse sentimento ruim, com o gosto da derrota, isso é muito frustrante. Agora vou torcer para Portugal e esperar mais quatro anos para ver o Brasil jogar numa Copa de novo”.
Com informações do Correio Braziliense



