TaguaCei — O Ministério da Saúde atualizou as regras para doação de sangue no Brasil. A Portaria nº 11.685 reduziu períodos de inaptidão temporária para alguns procedimentos e ampliou a possibilidade de doação para determinados grupos, como idosos e pessoas que tiveram câncer e estão em remissão.
A mudança tem como objetivo atualizar os critérios de triagem clínica e ampliar o número de pessoas aptas a doar nos hemocentros. Segundo o Ministério da Saúde, as novas regras seguem diretrizes internacionais baseadas na avaliação individualizada dos riscos.
Idosos podem continuar doando
Uma das principais alterações envolve o limite de idade. Pessoas com mais de 70 anos poderão continuar doando, desde que sejam doadoras regulares, tenham realizado pelo menos duas doações nos 12 meses anteriores e recebam avaliação médica favorável.
Também foram reduzidos os períodos de impedimento temporário para alguns procedimentos.
Para pessoas que fizeram tatuagens ou colocaram piercings, o prazo passa a ser de quatro meses. Esse período pode cair para sete dias quando houver comprovação de que o procedimento foi realizado em local considerado seguro.
No caso de exames invasivos, como endoscopia e colonoscopia, o período de espera também passa a ser de quatro meses. A mesma regra é aplicada ao uso de anabolizantes, conforme os novos critérios.
Cirurgia e histórico de câncer
As novas regras também alteram os critérios para pessoas submetidas a determinadas cirurgias.
Quem passou por cirurgia bariátrica poderá doar sangue seis meses após o procedimento, desde que atenda aos demais requisitos da triagem.
Pessoas que tiveram câncer e estão em remissão poderão, na maioria dos casos, doar após cinco anos sem doença ativa.
Algumas condições continuam resultando em inaptidão definitiva. É o caso de pessoas com diabetes que dependem de insulina e de pacientes com histórico de acidente vascular cerebral (AVC) ou cardiopatias graves, conforme os critérios apresentados na nova regulamentação.
Tecnologia permitiu revisão dos prazos
A atualização dos períodos de espera está relacionada ao avanço dos métodos utilizados para identificar infecções transmissíveis pelo sangue.
Entre os recursos estão os testes NAT, baseados em biologia molecular, e a ampliação da triagem molecular para a doença de Chagas. Essas tecnologias permitem identificar agentes infecciosos mais precocemente e reduzir a chamada janela imunológica.
A validade do concentrado de plaquetas também foi ampliada de cinco para sete dias.
Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a modernização dos exames e o aumento da capacidade de rastreamento contribuíram para a revisão dos critérios de elegibilidade.
Segurança continua sendo exigida
Apesar da flexibilização de alguns prazos, os critérios básicos de segurança permanecem.
Para doar sangue, é necessário ter pelo menos 50 kg, estar em boas condições gerais de saúde e passar pela triagem clínica antes da coleta.
A Fundação Hemocentro de Brasília avalia que as mudanças podem aumentar o número de voluntários aptos e contribuir para a manutenção dos estoques de sangue.
Fonte: Metrópoles



