Lula critica “financiamento reverso” para países em desenvolvimento

Em discurso a líderes internacionais, em Belém, o petista criticou a cobrança de juros a países em desenvolvimento para o financiamento de medidas de combate às mudanças climáticas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta sexta-feira (7/11) o modelo atual de financiamento das ações de combate às mudanças climáticas, baseadas em empréstimos para os países em desenvolvimento. O petista discursou durante a abertura de sessão temática sobre os 10 anos do Acordo de Paris, na Cúpula de Líderes que antecede a COP 30, em Belém.

Para o chefe do Executivo, “não faz sentido ético ou prático em demandar que países em desenvolvimento paguem juros para enfrentar o aquecimento global”. Também segundo ele, a cobrança dos juros representa um “financiamento reverso”.

“Hoje, só uma pequena parcela do financiamento climático chega ao mundo em desenvolvimento. A maioria dos recursos ainda é oferecida pela forma de empréstimo. Não faz sentido ético ou prático em demandar que países em desenvolvimento paguem juros para enfrentar o aquecimento global”, declarou o presidente.

“Isso representa um financiamento reverso, fluindo do Sul para o Norte Global. Instrumentos de trocas de dívidas por ações climáticas já se provaram viáveis. O enfrentamento da mudança do clima deve ser visto como investimento, e não como fasto”, acrescentou Lula.

O chefe do Executivo critica a cobrança das dívidas de países africanos com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e defende outros modelos de financiamento climático, como o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), lançado pelo Brasil.

Metas do Acordo de Paris

Em sua fala, o presidente Lula também defendeu as metas estabelecidas no Acordo de Paris, que estão longe de serem atingidas, e cobrou mais ações no cenário internacional.

“No que depender do Brasil, Belém será o lugar onde renovaremos o compromisso com o Acordo de Paris. Isso significa não apenas implementar o que já foi acordado, mas também adotar medidas adicionais capazes de preencher a lacuna entre a retórica e a realidade”, frisou.

Originalmente publicado em Correio Braziliense

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