Sucesso em Washington consolida Lula como o maior estadista da história do Brasil e um dos maiores do mundo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou nesta quinta-feira (7), em Washington, sua posição como principal liderança política do Sul Global e um dos mais influentes estadistas do cenário internacional contemporâneo. Após um encontro bilateral de aproximadamente três horas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula concedeu entrevista coletiva na Casa Branca em que defendeu a paz, criticou guerras, cobrou a reforma do Conselho de Segurança da ONU e reafirmou a soberania brasileira em temas estratégicos como minerais críticos, datacenters e relações internacionais.

Segundo informações divulgadas pela Agência Gov, Lula também defendeu uma atuação diplomática baseada no diálogo e na construção de consensos globais. “Eu acredito muito mais no diálogo do que na guerra”, afirmou o presidente brasileiro ao comentar a conversa com Trump sobre os conflitos internacionais em curso.

Durante a entrevista, Lula revelou que, ainda no momento da foto oficial do encontro, recomendou ao presidente norte-americano que sorrisse mais. “Ria, ria um pouco. Alivia a alma”, contou o presidente brasileiro, em um momento que simbolizou o tom descontraído e político da reunião.

Ao detalhar o encontro, Lula afirmou que colocou o Brasil à disposição para discutir temas internacionais sensíveis, incluindo Cuba, Venezuela e Irã.

“Eu disse para ele que eu tenho interesse em discutir qualquer assunto que ele precisar discutir. E quiser discutir comigo sobre Cuba, sobre Venezuela, sobre Irã, sobre o que ele quiser, eu estou disposto a discutir. Porque para mim é mais simples. Eu não tenho vocação belicista. A minha vocação é de diálogo, é acreditar no poder da narrativa, acreditar no poder do convencimento”, declarou.

Lula cobra reforma da ONU e responsabiliza potências globais

Um dos principais temas abordados por Lula foi a necessidade de reformulação do Conselho de Segurança da ONU. O presidente brasileiro afirmou que os atuais membros permanentes precisam assumir responsabilidade direta pela construção da paz mundial.

“Falei muito com ele sobre a questão da mudança no Conselho da ONU. É preciso reformar a ONU e que ele, Trump, Xi Jinping, Putin, Macron e o primeiro-ministro da Inglaterra são as pessoas que têm responsabilidade de propor a mudança, porque eles são os membros permanentes do Conselho de Segurança”, afirmou.

Lula criticou o desequilíbrio estrutural da organização internacional e afirmou que o mundo atual exige maior representatividade de países emergentes.

“Só eles podem tudo. Eles têm direito de veto. Eles têm direito de indicar a Secretaria-Geral da ONU. Nós somos coadjuvantes”, declarou.

O presidente brasileiro defendeu a inclusão de países como Brasil, México, Índia, Alemanha, Japão, Egito, África do Sul, Etiópia e Indonésia no Conselho de Segurança.

“O que não falta é país para ajudar a que a ONU volte a funcionar em plenitude”, disse.

“O mundo está precisando de paz”

Ao abordar os conflitos internacionais, Lula voltou a condenar guerras e ações militares. O presidente lembrou que o conflito entre Rússia e Ucrânia, inicialmente previsto para durar poucos meses, já se aproxima de quatro anos.

“Todo mundo sabe como é que começa uma guerra, como termina, ninguém sabe”, afirmou.

Segundo Lula, a diplomacia é sempre mais eficiente e menos destrutiva do que confrontos armados.

“Dialogar, conversar é muito mais barato, mais eficaz, não tem vítima, não tem destruição de casa, não tem morte de criança, não tem destruição de escola”, declarou.

O presidente revelou ainda que já tentou articular uma reunião entre os líderes das grandes potências globais.

“Eu já liguei para o Xi Jinping, propondo convocar o Conselho de Segurança, já liguei para o Putin, já liguei para o Macron”, afirmou.

Em tom descontraído, Lula sugeriu uma reunião informal entre os líderes mundiais.

“Um litro de uísque, um vinho, um queijo, sei lá, um joelho de porco, qualquer coisa. E faz uma reunião e discute”, disse.

Ao final da fala sobre política internacional, Lula foi enfático:

“Nós não precisamos de guerra. O mundo está precisando de paz”

Brasil quer investimentos, mas exige soberania digital

Lula também falou sobre a atração de investimentos estrangeiros para o Brasil, especialmente na área de transição energética e tecnologia.

Segundo ele, o Brasil deseja ampliar a presença de empresas norte-americanas no país, mas sem abrir mão da soberania nacional.

“Nós temos interesse, muito interesse, que os Estados Unidos voltem a investir no Brasil”, afirmou.

Ao comentar a instalação de datacenters no território brasileiro, Lula deixou clara a posição do governo sobre o tema.

“Alguém quer fazer data center no Brasil, tem que produzir sua própria energia, porque nós não vamos gastar dinheiro para criar data center para mandar dados para outros países. Nós queremos dados para nós”, declarou.

O presidente ressaltou que o Brasil aceita parcerias internacionais, desde que os investidores arquem com a produção energética necessária.

“É o mínimo que a gente pode exigir”, afirmou.

Lula descarta interferência externa nas eleições brasileiras

Questionado sobre uma possível influência de Donald Trump nas eleições brasileiras, Lula respondeu de forma direta.

“Se ele tentou interferir nas eleições brasileiras [em 2018], ele perdeu, porque eu ganhei as eleições”, afirmou.

O presidente disse considerar inadequado que chefes de Estado interfiram em processos eleitorais de outros países.

“Eu acho que não é uma boa política um presidente de outro país ficar interferindo nas eleições de outro país”, declarou.

Lula destacou que mantém uma relação positiva com Trump e afirmou acreditar que o presidente dos Estados Unidos respeitará a soberania brasileira.

“Quem vai decidir a eleição brasileira é o povo brasileiro”, disse.

Cuba, bloqueio econômico e disposição para diálogo

Outro ponto abordado por Lula foi a situação de Cuba. O presidente afirmou ter colocado o Brasil à disposição para ajudar em um processo de diálogo entre Havana e Washington.

“Eu disse para ele que eu gostaria que se ele precisar de ajuda para discutir a situação de Cuba, eu estou inteiramente à disposição”, declarou.

Segundo Lula, Trump teria afirmado não ter intenção de invadir Cuba.

“O que eu ouvi, não sei se a tradução foi correta, é de que ele disse que não pensa em invadir Cuba”, relatou.

Lula também criticou o embargo imposto pelos Estados Unidos ao país caribenho.

“Cuba quer encontrar uma solução para colocar fim a um bloqueio que nunca deixou Cuba ser um país completo, livre, desde a vitória da Revolução de 59”, afirmou.

Terras raras e minerais críticos: “o Brasil será o grande ganhador”

Lula também comentou o papel estratégico das terras raras e dos minerais críticos, fundamentais para as indústrias tecnológica e militar.

Segundo o presidente, o Brasil não pretende repetir o padrão histórico de exportação primária sem agregação de valor.

“Nós não queremos ser meros exportadores dessas coisas”, afirmou.

Lula disse que o país está aberto a parcerias com Estados Unidos, China, Alemanha, França, Índia e outras nações, desde que a soberania brasileira seja preservada.

“O Brasil tem a obrigação de ter uma regulamentação em que o Brasil seja soberano”, declarou.

O presidente afirmou que o governo pretende promover transformação industrial interna antes da exportação.

“Com as terras raras, a gente vai mudar de comportamento”, disse.

Em seguida, resumiu a estratégia brasileira:

“Nós queremos que o Brasil seja o grande ganhador dessa riqueza que a natureza nos deu”

Lula reforça liderança internacional do Brasil

Ao encerrar a coletiva, Lula voltou a defender uma política internacional baseada na diplomacia e no multilateralismo.

O presidente criticou as guerras em Gaza, no Líbano e os ataques ao Irã, reafirmando sua posição histórica em defesa da paz.

“Da mesma forma que eu fui crítico à guerra da Ucrânia, fui crítico ao que Israel fez com Gaza, ao que Israel está fazendo com o Líbano, ao que os Estados Unidos e Israel fizeram com o Irã, eu sou totalmente contra”, afirmou.

Lula concluiu dizendo que o papel das grandes potências deve ser o de construir consensos globais.

“O Conselho dos Membros Permanentes da ONU foi criado para manter o mundo em harmonia”, declarou.

Ao final, fez uma brincadeira com os jornalistas brasileiros presentes em Washington.

“No caminho eu vou ver o que vocês publicaram, porque antigamente eu tinha que esperar o que vocês publicaram no dia seguinte. Agora eu nem acabei de falar, vocês já publicaram”, afirmou.

Com informações do portal 247

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