TaguaCei — O Distrito Federal tem 12 empregadores registrados na chamada “lista suja” do trabalho escravo, segundo a atualização do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão, mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). As fiscalizações e processos administrativos relacionados aos empregadores do DF envolveram 275 trabalhadores em situações de extrema vulnerabilidade e violações de direitos trabalhistas. O levantamento chama atenção para diferentes setores do mercado de trabalho no DF.
A nova atualização nacional incluiu 82 empregadores, sendo 54 pessoas físicas e 28 empresas. As ações fiscais relacionadas aos novos registros resultaram no resgate de 553 trabalhadores em 21 estados brasileiros.
Setores envolvidos
Os casos registrados no DF estão distribuídos por diferentes atividades econômicas. O segmento de Serviços Financeiros e Gestão de Ativos foi responsável por cinco dos registros relacionados a empregadores sediados no Distrito Federal.
Em quatro fiscalizações relacionadas a esse setor, incluindo ações realizadas em filiais das empresas em Osasco (SP) e Itajaí (SC), além de fiscalizações indiretas, foram identificados 55 trabalhadores em condições análogas à escravidão em cada caso. Outro processo da mesma atividade envolveu 28 trabalhadores.
O trabalho doméstico também aparece na relação, com dois registros. Em um deles, um trabalhador foi resgatado em uma chácara em Sobradinho II. Em outro caso, um trabalhador foi encontrado em ambiente residencial.
Comércio e serviços
O comércio reúne três empregadores incluídos no cadastro.
Em Santa Maria, um estabelecimento do setor de comércio de carvão e outros produtos estava relacionado a seis trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão.
Outro caso envolve o comércio de bebidas, com um trabalhador identificado em um estabelecimento na região de Taguatinga. Também em Taguatinga, um minimercado e estabelecimento de conveniência aparece na lista, com um trabalhador envolvido.
A fiscalização também identificou 15 trabalhadores em atividade de apoio à produção florestal e manejo, relacionada a serviços de poda de árvores e remoção de entulho, na região do Paranoá.
Em Itapoã, um estabelecimento do setor de entretenimento e serviços pessoais, que atuava como bar e snooker, tinha dois trabalhadores submetidos às condições investigadas.
Os casos abrangem regiões como Santa Maria, Paranoá e Itapoã, mostrando a presença de diferentes atividades econômicas entre os registros do DF.
Atualização nacional
A nova edição da chamada “lista suja” representa uma redução de 51,48% no número de inclusões em comparação com a atualização anterior, divulgada em abril de 2026.
Entre as atividades econômicas com maior número de casos em todo o país estão a pecuária de corte, com oito registros; o serviço doméstico, com sete; a produção de carvão vegetal e o cultivo de café, com seis cada; e a construção de edifícios, com cinco.
Um dos casos de maior dimensão ocorreu no Garimpo Filão dos Abacaxis, em Maués (AM), onde 54 trabalhadores foram libertados durante fiscalizações realizadas entre 2024 e 2025.
Como denunciar
Denúncias de trabalho análogo à escravidão podem ser feitas de maneira anônima e pela internet por meio do Sistema Ipê, plataforma desenvolvida pelo Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
A chamada lista suja do trabalho escravo é atualizada periodicamente pelo governo federal com base em decisões administrativas decorrentes das fiscalizações trabalhistas.
Fonte: Correio Braziliense



