Produção de tilápia cresce no DF, mas produtores enfrentam dificuldades para chegar ao mercado formal

Tanques de criação de tilápias em propriedade rural do Distrito Federal.
Foto: Ed Alves/CB/D.A Press

TaguaCei — A produção de peixes vem ganhando espaço no Distrito Federal, com a tilápia responsável por cerca de 95% do cultivo local. Em 2025, foram produzidas 2,6 mil toneladas de pescado, contra 2,1 mil toneladas no ano anterior. A atividade reúne atualmente 1.073 piscicultores, segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF).

A maior concentração de produtores está em Ceilândia, com 201 piscicultores, o equivalente a 18,75% do total. O Gama aparece em seguida, com 194 produtores, ou 18,10%.

Para Adalmyr Borges, coordenador do Programa de Aquicultura da Emater-DF, a atividade representa uma alternativa de produção para pequenas propriedades rurais e contribui para a geração de renda.

Tilápia ganha espaço

Na Ponte Alta, o produtor Guilherme Pereira, da Piscicultura Olimpo, encontrou na propriedade da família condições favoráveis para a criação de peixes. Há 12 anos, áreas que antes tinham recursos hídricos sem utilização passaram a abrigar tanques destinados à produção de tilápia.

Segundo o produtor, a espécie tem boa aceitação entre os consumidores, permite acesso a diferentes mercados e apresenta adaptação às condições do Distrito Federal. A propriedade produz aproximadamente 200 toneladas por ano.

A atividade é dividida em três etapas: reprodução, recria, quando são formados os peixes juvenis, e engorda, fase em que os animais permanecem até atingir o tamanho adequado para comercialização.

A produção de tilápia no Distrito Federal tem como principal característica a predominância dessa espécie, enquanto os demais 5% da produção incluem peixes como tambaqui, pacu e pintado.

Mercado formal ainda é desafio

Apesar do crescimento da produção, a comercialização continua sendo um dos principais obstáculos para pequenos piscicultores. Parte dos produtores permanece no mercado informal por falta de volume suficiente para atender grandes compradores ou por considerar esse canal mais atrativo financeiramente.

Guilherme defende que os produtores se organizem em cooperativas para aumentar o volume comercializado e facilitar o acesso ao mercado formal. Segundo ele, a união entre pequenas propriedades pode ampliar as possibilidades de venda.

Adalmyr Borges também aponta a organização dos produtores como um caminho para ampliar a comercialização de forma regularizada. A intenção é aumentar o fornecimento para peixarias, supermercados e restaurantes.

A busca por mercado formal no DF também está relacionada à segurança jurídica e sanitária da atividade, embora os produtores apontem que a comercialização formal possa resultar em menor remuneração por unidade de produto.

Crédito é outro obstáculo

Além da comercialização, o acesso ao crédito é apontado como uma dificuldade para o crescimento da atividade. Os produtores precisam financiar os custos durante meses antes de obter retorno com a venda dos peixes.

Guilherme relata que as margens de lucro são apertadas e que as taxas de juros dificultam novos investimentos. Para reduzir os riscos, a propriedade busca ampliar a escala de produção e evitar a concentração das vendas em um único período.

De acordo com Borges, a própria informalidade pode dificultar a obtenção de financiamento. Sem contratos ou compradores definidos, o produtor encontra mais obstáculos para demonstrar ao banco como pretende comercializar a produção.

A Emater-DF e a piscicultura trabalham, nesse contexto, em iniciativas relacionadas à inovação tecnológica e à criação de contratos de comercialização.

Tecnologia e aproveitamento da água

Entre as alternativas adotadas no setor está o uso de tanques de irrigação revestidos com membrana plástica. A tecnologia permite armazenar água para diferentes atividades da propriedade, como a criação de peixes e a irrigação de lavouras, além de reduzir perdas.

Os produtores também procuram reaproveitar estruturas e recursos para diminuir os custos. Na Piscicultura Olimpo, por exemplo, a água dos tanques é integrada a outras atividades da propriedade, dentro de uma estratégia de aproveitamento dos recursos disponíveis.

Tilápia nas escolas

Uma das novidades para o setor no Distrito Federal foi o acordo firmado entre produtores de peixe e a Secretaria de Educação do DF para o fornecimento de filé de tilápia à rede pública de ensino.

Segundo Adalmyr Borges, a medida vem estimulando os produtores locais. Ele afirma que a produção aumentou 22% de um ano para o outro e que o fornecimento local começa a substituir parte do pescado que anteriormente era comprado de outras regiões.

O fornecimento para a rede pública amplia os canais de comercialização e pode contribuir para aproximar os produtores rurais do DF de um mercado com demanda regular.

Fonte: Correio Braziliense

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